![]() Conexão Macabra
Original:Dagr
Ano:2024•País:UK Direção:Matthew Butler-Hart Roteiro:Matthew Butler-Hart, Graham Butler, Tori Butler-Hart, Hattie Chapman, Ellie Duckles, Emma King, Riz Moritz Produção:Matthew Butler-Hart, Tori Butler-Hart Elenco:Tori Butler-Hart, Hattie Chapman, Ellie Duckles, Emma King, Riz Moritz, Luca Thompson |
Duas jovens, Thea (Ellie Duckles) e Louise (Riz Moritz), viralizaram com vídeos em que aparecem invadindo lugares, roubando e pichando, contra o sistema capitalista. Apesar de terem inúmeros seguidores, elas escondem os rostos através de emojis, conscientes que suas ações poderiam trazer problemas com a polícia. O próximo passo promete ser o mais ousado: as garotas estão fingindo trabalhar no buffet de um casarão onde está tendo um evento de gravação de uma campanha publicitária, visando um grandioso roubo, sem saber que os organizadores despertaram uma entidade demoníaca e elas terão que enfrentá-la, se quiserem sobreviver a mais um episódio de sua série para o youtube. Esse é o argumento básico do found footage de Matthew Butler-Hart, Conexão Macabra (Dagr, 2024), uma produção inglesa de conteúdo genérico, com algumas curiosidades divertidas.
Com roteiro do próprio Matthew Butler-Hart, sua esposa Tori Butler-Hart, seu irmão Graham Butler e do elenco em liberdade de fala, o longa, disponível no Prime, segue o padrão do formato ao apresentar no começo as personagens, alternando com o grupo nas gravações do clipe, para depois produzir um leve incômodo com desaparecimentos, possessão e o material registrado em um Ipad – sim, muitas das gravações são parte do que Thea e Louise estão assistindo, imaginando se tratar de uma trolagem dos contratantes. Assim, constrói-se um found footage que apresenta um found footage dentro de outro found footage. Ficou confuso? Explico.
Enquanto Thea e Louise estão partindo para a casa, as cenas são alternadas com a gravação da campanha, em filmagens ininterruptas (nunca é explicado porque precisam gravar também os bastidores). Estão envolvidos nela: Emma (Emma King), Tori (Tori Butler-Hart), Matt (Matt Barber), Gray (Graham Butler) e a ajudante Hattie (Hattie Chapman). Quando Emma esfaqueia acidentalmente Gray com uma adaga encontrada no local (é ver para crer), a entidade é desperta e traz pânico, possessão e a perseguição de uma figura coberta por um manto. Isso tudo é assistido por Thea a Louise quando chegam ao local e não encontram ninguém, espalhando câmeras pelo cômodo antes de verificar o Ipad. Elas assistem a tudo, incluindo o momento em que Emma e Tori fogem para um quarto superior, onde a televisão se acende sozinha e traz o depoimento de um estudante de antropologia que conta sobre os rituais druidas feitos no local. Isto é, as moças estão assistindo outras duas mulheres assistindo o que justifica a entidade estar à solta por lá.
Com exceção dessa estrutura curiosa, de narrativa-molde, Conexão Macabra não esconde seus furos, seguindo até os calos do formato, com registros constantes até em situações de perigo extremo. Você fica pensando como as jovens foram contratadas para atuar no buffet, sem precisar assinar ou mostrar referências. Se fizeram isso, as gravações que elas pretendem expor sobre o episódio irão revelar o que elas fazem. E, o fato delas esconderem o rosto com recursos de vídeo não explica como elas evitam câmeras de segurança, ou elas acham que lugares habitados por ricos não possuem seu próprio sistema de proteção?
Pronunciando coisas indecifráveis, o vilão se mostra às vezes fantasmagórico e às vezes físico, não se decidindo sobre sua concepção. E ele conta com a atitude estúpida de suas vítimas, fugindo para lugares óbvios ou se expondo em excesso, apenas para que a câmera filme o fenômeno sobrenatural. Diferente outras bombas como House on Eden, pelo menos este permite uma leve empatia pelas protagonistas, pela química que faz parecer que são mesmo amigas e pelo modo como reagem à ameaça ou se divertem fazendo referência À Bruxa de Blair. Uma pena que o enredo trivial e o final óbvio estraguem a brincadeira.





