![]() Labirinto dos Garotos Perdidos
Original:Labirinto dos Garotos Perdidos
Ano:2025•País:Brasil Direção:Matheus Marchetti Roteiro:Matheus Marchetti Produção:Yuri Célico Elenco:Lucas Bocalon, Gustavo Brait, Giuliano Garutti, Thiago Gelli, Tony Germano, Gabriela Gonzalez, Ana Kraut, Luan Lessa |
Miguel (Giuliano Garutti), um jovem do interior, chega a São Paulo para prestar vestibular. Na noite anterior à prova, ele vive uma série de insólitos encontros românticos e sexuais ao mesmo tempo que um psicopata misterioso elimina rapazes homossexuais.
Depois de passar pela Mostra Internacional de Cinema em São Paulo em 2025 e pela edição deste ano do Fantaspoa, Labirinto dos Garotos Perdidos (2025) chega agora ao circuito comercial dos cinemas brasileiros. Embora o título do filme deva imediatamente trazer à memória do fã de terror o clássico oitentista Os Garotos Perdidos (The Lost Boys, 1987), é preciso lembrar que o filme de Joel Schumacher já fazia referência aos Garotos Perdidos que acompanhavam Peter Pan. Na obra de J. M. Barrie, esses meninos, tal como o seu líder, vivem na Terra do Nunca para não precisarem crescer. Já o filme de Matheus Marchetti trata justamente de amadurecimento. É sobre passar por novas experiências, degustando todos os prazeres e também todos os perigos que vêm atrelados a elas. É sobre deixar o interior e buscar uma vida nova na metrópole, onde teoricamente você pode ser quem você quiser. E essa metrópole, no caso, é São Paulo.
É curioso que a “terra da garoa” tenha sido retratada com uma aura de fantasia em dois lançamentos recentes e bem próximos um do outro. Porém, se em Love Kills (2025) São Paulo é filmada com uma amplitude que abraça seu gigantismo natural, Labirinto dos Garotos Perdidos segue o caminho inverso. Seus closes e planos fechados evidenciam os personagens em detrimento da cidade, criando uma jornada muito mais intimista pela noite paulistana. E, sendo uma produção independente, também revelam um uso esperto e econômico das locações – existe uma sequência filmada durante a exposição Terror no Cinema, que aconteceu no Museu da Imagem e do Som entre 2023 e 2024, e nada me tira da cabeça que o consultório do médico (Tony Germano) é a mesma locação da casa de Pedro (Lucas Bocalon), primeiro dos muitos amantes de Miguel ao longo da história.
Carregada de erotismo e humor, a sucessão de desventuras amorosas de Miguel impõe ao filme uma estrutura mais episódica, que funciona nessa chave da fábula, assumida, como já mencionado, desde o título, e que passa pela presença de uma narração estilo “era uma vez” (realizada pela atriz Tuna Dwek) e pela fotografia. Esta não esconde também a influência do lado mais onírico e surrealista do bom e velho giallo – a homenagem ao subgênero italiano fica escancarada em todas as sequências de assassinato do serial killer.
A trilha sonora é interessante, com exceção de algumas músicas diegéticas que soam deslocadas no filme e mais parecem um favor que o diretor fez a amigos músicos. O elenco, em geral, é competente, comprando o tom da obra e apresentando boas performances tanto nos momentos mais sensíveis quanto nos mais bizarros.
Entregando um humor muito bem-vindo e um roteiro que consegue enfileirar situações criativas, Marchetti evita que seu filme se torne apenas mais uma – sem o perdão do trocadilho – punheta estilística e temática como tantas que temos por aí.





