![]() Monstros da Universal: Drácula Vive!
Original:Universal Monsters: Dracula Ano:2025•País:EUA Autor:James Tynion IV, Martin Simmonds•Editora: DarkSide Books |

Em 1924 o dramaturgo Hamilton Deane conseguiu a autorização da viúva de Bram Stoker para fazer uma adaptação teatral de Drácula para os palcos britânicos e, após alguns anos, o texto passou por algumas modificações pelo escritor John Balderston para levar a peça para os palcos dos Estados Unidos. Nessa versão, Drácula é vivido por ninguém menos que Bela Lugosi, usando a icônica e esvoaçante capa preta que passou a ser associada à figura do Drácula. Por anos, Lugosi viveu o papel do aristocrático vampiro nos palcos, até que a Universal quis levar essa história para os cinemas e, junto dela, o ator que virou praticamente a personificação do personagem principal.
Quase 100 anos após a estreia de Lugosi nos palcos, sua representação do famoso vampiro continua sendo lembrada e adaptada até os dias de hoje, com o jeito elegante e sedutor e vestes escuras e dramáticas, que também o acompanharam no clássico filme da Universal de 1931 e o fez ganhar um lugar de destaque no hall de Monstros da Universal. Em homenagem a esse inesquecível e importante filme da história do horror, James Tynion IV e Martin Simmonds trazem uma versão repaginada em formato de quadrinhos, publicada no Brasil pela DarkSide Books.
Começamos a narrativa com Renfield trancado em um manicômio de Londres, afirmando a todo momento que seu mestre está chegando e todos estarão condenados. Dr. Seward acredita que o homem sofre de alucinações e pode ser perigoso e, durante uma festa, ouve dizer que um elegante conde vindo da Transilvânia está na região. Logo, mortes misteriosas começam a acontecer em Londres, a começar por Lucy, amiga próxima de Mina, que não se conforma com a tragédia e sai em busca de respostas a todo custo, e apenas um especialista pode ajudá-la. Van Helsing, ao inspecionar as vítimas, diz que um antigo mal está à espreita e precisa ser detido antes que seja tarde demais, tanto para Mina quanto para Londres.
Aqui, a maior parte da história se passa sob o olhar de Renfield, servo de Drácula e grande destaque da obra, diferentemente do filme e da peça. Ele quem fala sobre a soberania de seu mestre, ele quem vê Mina pela primeira vez, e é através de seus olhos que Drácula também a vê. A figura do servo é retratada como algo fantasmagórico, doente, como se não tivesse mais controle sobre o próprio ser – o que, de fato, é o que acontece. O vampiro pouco aparece, porém, suas aparições são sempre impactantes e deixam um rastro de sangue e morte por onde passa, usando seu elegante visual da peça de teatro e também do filme de 1931. Dr. Seward também ganha bastante destaque ao tratar de Renfield e negar veementemente, confrontando Van Helsing, que as estranhas mortes tenham algo a ver com alguma figura sobrenatural, até que sua própria filha começa a correr perigo e ele, como um homem da ciência, precisa deixar suas (des)crenças de lado para salvá-la.
O roteiro de Tynion IV possui uma narrativa que é desenvolvida rapidamente, sem grandes elaborações ou novidades que modernizem a lenda. Muitas vezes não há diálogo, especialmente quando a figura do Drácula está envolvida, fazendo com que as ilustrações falem por si só.
Inclusive, o que mais salta aos olhos no quadrinho é a arte de Simmonds, com uma técnica que faz com que todos os seus desenhos pareçam pinturas góticas e sombrias, usando uma paleta de cores pálida junto ao preto que faz com que o vermelho-sangue dos momentos de horror fique destacado e marcado na mente do leitor. Esse artifício também é utilizado para indicar quando Drácula está à espreita, espionando sob o olhar de Renfield ou nas sombras, com seus olhos vermelhos inflamados de uma sede ancestralmente visceral.
Monstros da Universal: Drácula Vive! é um belo trabalho visual, com uma arte poderosa que coloca Drácula como uma figura ao mesmo tempo elegante e assustadora que age nas sombras, nunca plenamente satisfeito, sempre atrás da próxima vítima, com sua capa e seu mito perdurando por milênios. No final da HQ, temos uma bela homenagem a Bela Lugosi escrita por Dacre Stoker, sobrinho-bisneto de Bram Stoker.


