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Sacculina
Original:2020
Ano:Sacculina•País:EUA
Autor:Philip Fracassi•Editora: Lethe Press

Dentre os diversos temores da humanidade, o medo do oceano parece representar uma constante. Em verdade, recordo-me dos escritos de Jean Delumeau, que em sua História do Medo no Ocidente nos conta, com base em décadas de pesquisa bibliográfica, sobre o fato de que o mar representa, à humanidade, o mais profundo dos terrores. Em Sacculina, Philip Fracassi explora esses aspectos apavorantes, em uma narrativa rápida (são apenas 99 páginas), mas que promete intensidade.

Para mim, o efeito foi o contrário!

Quando o irmão de Jim deixa a prisão, e seu pai e o melhor amigo do primogênito se reúnem para comemorarem o evento. O plano é realizar um passeio pelo mar e pescar quantos peixes conseguirem, em uma tarde regada por muito álcool e risadas. Eles alugam um barco, contam com a experiência de um capitão e estão prontos para aproveitar o dia. Mas eis a reviravolta: subitamente, o grupo fisga um peixe lotado de crustáceos estranhos, que rapidamente se espalham a bombordo e estibordo. Quando menos percebem, os personagens estão presos em um pesadelo.

Quando iniciei Sacculina, minha intenção era a diversão. Pode parecer estranho, considerando que o marketing da obra gira em torno do quão claustrofóbica e bizarra é a experiência; mas é justamente desse tipo de coisa que eu gosto. Através das redes sociais, vi essa história sendo muito elogiada. Leitores diversos e influenciadores em que confio exprimiam suas opiniões positivas, descrevendo o livro como uma espécie de “Tubarão + H.P. Lovecraft”. E bom, eu consigo entender a comparação; mas, com toda certeza discordo.

Primeiramente, Sacculina é um livro curto. Como anteriormente dito, são pouquíssimas páginas, de forma que é possível ler tudo em um único dia. Eu mesmo devo ter demorado torno de 2 horas, e olha que intercalei as sessões com uma tarde especialmente atarefada. No livro, a intenção do autor é evidente: relacionar os traumas vividos pelos personagens, no passado, com a situação aterrorizante pela qual estão passando, no instante em que se vêm no meio de um oceano de parasitas marítimos. Infelizmente, para mim, é justamente a brevidade do projeto que reduz seu efeito. A leitura é tão acelerada que todos os eventos descritos perdem qualquer impacto, e o mesmo ritmo não me permitiu conectar com nenhum dos personagens.

Além disso, Philip Fracassi acaba apostando – talvez também por conta da escolha por uma história mais curta ou simples preferência técnica – em uma super descrição de absolutamente TUDO. Nenhum personagem se comunica como um ser humano, não existem ações que acontecem e ponto final. Tudo possuí um grande subtexto por trás, que precisa ser (ou, ao menos, assim o autor considera) explicado em detalhes minuciosos ao leitor. Não existe espaço para mistérios, interpretações ou teorias. Paradoxalmente, o final é aberto e eu sinceramente não consegui entender o que aconteceu, pois justamente nesse ponto o autor preferiu contar com uma abordagem mais intimista ao protagonista.

Por fim, não é um livro assustador. Eu sou um cara que morre de medo do mar (uma por não saber nadar e outra por ser medroso mesmo), e geralmente não é difícil me provocar ansiedade e susto, quando no contexto marítimo. Contudo, Sacculina prefere gastar parágrafos ou até mesmo páginas inteiras em diálogos pouco inspirados ou constatações óbvias de algo que já foi anteriormente dito, ao invés de promover qualquer tensão. A ideia geral é excelente e as criaturas são diferentes de qualquer outra coisa que já vi, nesse subgênero. Mas, no fim do dia, não senti que o autor soube trabalhar nas próprias qualidades de sua obra.

Assim, não consigo indicar esse livro para ninguém. Mesmo no campo das histórias curtas, não representa nada demais. Talvez se estivesse em um compilado de contos, como numa antologia, as coisas seriam diferentes. Contudo, como livro, eu quero meu tempo de leitura de volta.

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