![]() From / Origem
Original:From
Ano:2026•País:EUA Direção:Jack Bender, Alexandra La Roche, Jeff Renfroe Roteiro:John Griffin, Jeff Pinkner, Brigitte Hales, Kristen Layden, Sophie Owens-Bender, P.J. Yerman Produção:Michael Mahoney Elenco:Harold Perrineau, Catalina Sandino Moreno, David Alpay, Elizabeth Saunders, Ricky He, Scott McCord, Chloe Van Landschoot, Corteon Moore, Simon Webster, Pegah Ghafoori, Avery Konrad, Hannah Cheramy, Eion Bailey, Kaelen Ohm, A.J. Simmons, Nathan D. Simmons, Angela Moore, Elizabeth Moy, Robert Joy, Julia Doyle |
Antes mesmo da estreia da aguardada quarta temporada de From, já havia o anúncio que haveria mais uma. Poderia ser um bom sinal ou ligar o alerta de que a série iria enrolar, conduzir sua narrativa em fogo baixo, empurrar boa parte das perguntas para a temporada final. Na verdade, assim como Lost, a série inteira praticamente seguiu esse ritmo oportunista, como um filme de mistério que esconde a identidade do assassino até os últimos minutos. A questão principal é saber se tudo será bem explicado ou teremos um final que se aproveita de facilidades como “estão todos mortos“, “estão todos em coma“, “na verdade, era tudo um sonho infantil“.
Os impacientes torceram o nariz para o ritmo da temporada — e desta vez estavam até certos. O episódio final da terceira temporada, ironicamente chamado “Revelações“, com direção de Jack Bender, foi exibido em 24 de novembro de 2024, com o parto de Fátima (Pegah Ghafoori) e a descoberta que seu filho basicamente mantinha o ciclo de substituição das criaturas mortas: como Boyd (Harold Perrineau) havia eliminado uma, nada mais justo que outra nascesse para ocupar a vaga de monstrinho da noite. Contudo, nada chocou mais do que a morte de Jim (Eion Bailey), que teve a garganta cortada por um homem de terno amarelo. Em relação as tais revelações previstas, Tabitha (Catalina Sandino Moreno) e Jade (David Alpay) descobriram que os números da árvore de garrafas são notas musicais e que existe um ciclo de renascimento e morte; isto é, ambos tiveram vidas passadas em Fromville e podem estar caminhando para um novo desfecho trágico.
A quarta temporada teve o primeiro episódio exibido em 19 de abril de 2026, novamente a cargo de Jack Bender, partindo de onde terminou, com a morte de Jim, flagrada por sua filha Julie (Hannah Cheramy), com os cabelos curtos de uma peruca tosca e que virou piada no decorrer da série. O Homem de Amarelo (referência clara aO Rei de Amarelo) diz a garota que ela não poderá mudar o passado, embora, a partir da descoberta de um portal que permite uma espécie de viagem no tempo, ela vá tentar algumas vezes. E irritará pelo simples fato de não apresentar essa descoberta a ninguém além de Randall (A.J. Simmons). Aliás, pode-se dizer que o personagem do rapaz da cicatriz facial foi substituído entre as temporadas, deixando de ser um rebelde intragável para um que irá servir bem à cidade, nas poucas participações irrelevantes que terá.
O Homem de Amarelo (Douglas E. Hughes) aproveitará a chegada de um pastor à cidade para fingir ser a filha dele, mudando de aparência para a aparente religiosa Sophia (a limitadíssima Julia Doyle). Ela, então, passará a fazer parte do grupo para corromper os moradores, trazer confusão, loucura e morte, iniciando pelo próprio pastor. Em “Fray“, o corpo de Jim é descoberto por Julie e Ethan (Simon Webster) em um celeiro com a mensagem “o conhecimento tem um preço“, como uma espécie de ameaça para aqueles que tentam encerrar o ciclo local. Algumas outras situações acontecem aqui apenas para enrolar como a tentativa de Acosta (Samantha Brown) de fugir da cidade de ambulância, sendo mantida presa no porão, enquanto outras parecem que trarão descobertas como quando Ethan vai ao trailer da família e encontra seu pai que diz para ele encontrar o “Lago das Lágrimas“, motivando uma expedição no quinto episódio, agitado pelo ataque dos bonecos gigantes, rendendo morte e combate.
Sem muita importância, apenas uma capacidade de ver pelos olhos da criatura que pariu, Fátima se vê motivada por vários episódios a construir um Golem, apenas para não servir para nada na temporada e ser esquecido nos episódios finais. Outra situação que traz apenas uma tensão momentânea é o infarto de Donna (Elizabeth Saunders), dando a impressão que a personagem poderia se despedir da série — atiçando teorias na internet. Pode-se incluir entre os enxertos da temporada a descoberta dos cogumelos alucinógenos e a “viagem” de Jade; a tentativa de suicídio de Victor (Scott McCord); e o “despertar” de Henry (Robert Joy), lembrando bastante o episódio “Normal Again“, da sexta temporada de Buffy, quando ambos acordam em um hospital a acham que tudo que estão vivenciando é parte de um delírio, com a sugestão de que devem eliminar os que os mantêm presos em seus mundos mágicos. E há a volta da doença da tremedeira de Boyd, e sua crença de que os totens podem talvez eliminar os monstrinhos da noite, levando o desnecessário Kenny (Ricky He) a uma atitude burra e quase suicida.
Enquanto Sophia corrompe Clara (Katerina Bakolias) e perturba o caolho Elgin (Nathan D. Simmons), toda o grupo se mobiliza para uma missão nos túneis em busca dos ossos das crianças, a partir de uma ideia de Jade, durante sua viagem de cogumelo, de que a retirada pode fazê-las descansar. Tabitha e ele ficam encarregados dessa aventura, enquanto os demais planejam extrair a árvore das garrafas para que eles possam encontrar um caminho para fugir. Não explica porque eles só poderiam tirar a árvore no momento em que Jade e Tabitha encontrarem os ossos — algo que absolutamente não faz o menor sentido.
Com duas mortes “significativas” no final, terremoto, escuridão e retiradas dos talismãs de proteção, From parece encontrar uma árvore pelo caminho e evita ir adiante, rumando entre boas sequências e cenas em que nada acontece. Um exemplo disso pode ser visto na cena em que Donna conversa com Fátima, Boyd e Ellis (Corteon Moore), quando de repente ouve alguma coisa no corredor. Há um corte, ela abre a porta e encontra Henry trazendo um colchão porque vai se mudar para o quarto de Victor. Depois ela retorna e a cena mais importante continua. Parece um corte para que os atores respirem em suas falas ou apenas sirva para aumentar a metragem do episódio, sem que isso tenha a menor relevância.
Espera-se que a quinta e última temporada traga as respostas prometidas, em bons momentos de terror e suspense, e sem soluções fáceis. A série em um todo se desenvolveu bem, mas seu ritmo irregular a impede de se tornar igualmente relevante como foi Lost duas décadas atrás. Embora esta, dos mesmos criadores, também se perdeu entre seus excessos, envolta em um oceano de perguntas e sem um farol para guiar os perdidos.






