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Amizade Maldita
Original:Z
Ano:2019•País:Canadá
Direção:Brandon Christensen
Roteiro:Brandon Christensen, Colin Minihan
Produção:Brandon Christensen, Kurtis David Harder, Colin Minihan
Elenco:Keegan Connor Tracy, Jett Klyne, Sean Rogerson, Sara Canning, Stephen McHattie, Chandra West, Ali Webb, Deborah Ferguson, Jayson Therrien

Uma das metades da dupla The Vicious Brothers, Colin Minihan tem entre seus trabalhos os dois filmes da franquia Fenômenos Paranormais, além de It Stains the Sands Red (2016) e O Que Nos Mantêm Vivos (What Keeps You Alive, 2018), não valendo nada além da menção a Coyotes (2025). Ele atua como roteirista ao lado de Brandon Christensen no horror, camuflado de pesadelo infantil, Amizade Maldita (Z, 2019). Trata-se de mais um bom trabalho de Christensen na condução: seu nome também está associado À Anfitriã (Superhost, 2021), Night of the Reaper (2025) e POV: Presença Oculta (Bodycam, 2025). Saber dessa filmografia e envolvimento com o gênero ajuda na apreciação deste que parece ser um trabalho convencional sobre uma entidade que atormenta uma criança e principalmente sua mãe.

Mesmo já sendo um nó comum no gênero, histórias envolvendo amigos imaginários no horror sempre despertam algum arrepio, ainda que às vezes contido. Quem não se lembra de Toby, da franquia Atividade Paranormal, do Capitão Howdy, de O Exorcista (The Exorcist, 1973), de Jodie, de Terror em Amityville (The Amityville Horror, 1979) e Tony, de O Iluminado (The Shining, 1980)? Os pais dessas crianças de mentes férteis nem sempre têm o contato dos Warren quando ouvem os filhos conversando com alguém atrás da porta, servindo um chazinho numa mesa infantil, acreditando que é uma fase da vida em que o pequeno cria amigos para evidenciar solidão ou são apenas brincadeiras de casinha.

Elizabeth (Keegan Connor Tracy) e Kevin Parsons (Sean Rogerson) percebem aos poucos que Joshua (Jett Klyne) tem um amigo imaginário chamado Z. Enquanto o pai veste as roupas da desconfiança até mesmo no contato com a escola do garoto, Beth o leva para um atendimento com o terapeuta familiar, Dr. Seager (Stephen McHattie), que atribui as atitudes do filho como normais para a idade e prescreve medicamentos para conter as visões e provocar vômitos. Mas Beth começa a perceber que existe algo além da imaginação de Joshua além de sua impressionante capacidade de desenhar a tal entidade na parede de casa. Além de ouvir Z sendo pronunciado por um brinquedo, em um espaço de bolinhas e brincadeiras, a mâe vê algo assustador acompanhando o menino.

Com a mãe doente e sem muito o apoio da irmã Jenna (Sara Canning, de A Anfitriã), Beth descobre que a entidade já deixou evidências no passado, algo que parece que ela própria conseguiu conter. Aterrorizada com o que parece ser uma ameaça real, a mãe precisa encontrar um meio de enfrentar a entidade ou pelo menos deixá-la mais uma vez obscurecida em algum canto de sua mente, antes que seja tarde demais para seu filho.

Parece realmente que a principal inspiração de Amizade Maldita seja o bem conceituado O Babadook (The Babadook, 2014) ao elevar o horror infantil a elementos de insanidade. Assim como Amelia, Beth também e desacreditada e convive com próprios problemas, sentindo que existe mesmo uma ameaça sobrenatural, além da imaginação fértil de um garoto criativo. Enquanto mantém Z como vultos, envolto em sombras ou como reflexo próprio – a cena da banheira é muito bem feita -, Amizade Maldita se sai bem, propondo um jogo psicológico que pode surpreender no ato final. Mas Christensen, apesar da habilidade técnica e nos bons tratos de câmera, não cria finais surpreendentes, e aqui alonga demais o epílogo, sendo que uma porta fechada e a imaginação do infernauta já atenderiam à proposta.

Quando o monstrinho mostra a que veio, os efeitos especiais deixam a desejar, incluindo outros usos do CGI até mesmo na produção de um incêndio. A necessidade de mostrar demais lembra o infernauta que se trata de um filme B, ainda que feito com esmero, soltando as mãos do terror psicológico para as do “filme de monstro“. Conta com a boa atuação do elenco adulto, principalmente do veterano Stephen McHattie, figurinha repetida em várias produções incluindo horror e fantasia, e Keegan Connor Tracy, de Premonição 2 (Final Destination 2, 2003) e Vozes do Além (White Noise, 2005).

Com aparência de filme para a TV, mas bem realizado, Amizade Maldita não vai trazer pesadelos e nem fazê-lo virar o rosto. É um horror simples, daqueles que vale conhecer mais pela filmografia dos envolvidos do que sua capacidade de assustar.

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