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Mistério no Necrotério
Original:Sa-ra-jin Bam / The Vanished
Ano:2018•País:Coreia do Sul
Direção:Chang-hee Lee
Roteiro:Chang-hee Lee, Hee-chan Lee
Produção:HyungSoon Kim, Young-min Kim, HanDae Rhee
Elenco:Kim Sang-kyung, Kim Kang-woo, Kim Hee-ae, Gong Min-jung, Hyun Bong-sik, Choi Myung-bin, Kwon Hae-hyo, Ahn Chang-hwan

Se há uma coisa que a Coreia do Sul e a Espanha têm em comum, é fazer bons filmes, especialmente thrillers.

É o caso do remake sul-coreano do filme The Body (El Cuerpo, 2012), aclamado thriller espanhol de Oriol Paulo, que já possui cinco remakes: o sul-coreano, dois da Índia, um indonésio e um italiano.

Na trama, acompanhamos o desaparecimento do cadáver de uma mulher do necrotério, e a investigação de seu viúvo. O detetive Woo Joong-Shik (Kim Sang-Kyung, Memórias de um Assassino, 2003), designado para acompanhar o caso, chama o marido até o local para informar sobre o desaparecimento do corpo. Após notar o comportamento estranho do viúvo, passa a desconfiar que ele possa estar envolvido na morte da mulher. O marido, Park Jin-han (Kim Kang-Woo, The Childe, 2023), um professor universitário, é aquele clássico cafajeste que dorme com sua aluna mais nova, Hye-Jin (The Plan, 2014), a engravida e trama a morte da esposa para herdar sua fortuna e poder ficar com a amante.

Conforme o tempo vai passando, eventos estranhos começam a acontecer no ambiente claustrofóbico do necrotério. Pequenos sinais, mensagens e objetos sugerem que Yoon Seol-hee (Kim Hee-ae, The Moon: Sobrevivente, 2023) pode estar viva, articulando um jogo para se vingar do seu algoz. Entre reviravoltas chocantes e um clima de tensão crescente, o filme mantém o espectador constantemente em dúvida sobre o que realmente aconteceu. À medida que novas informações vêm à tona, as peças do quebra-cabeça começam a se encaixar de forma inesperada, revelando que nem tudo era exatamente como parecia. O desfecho amarra bem os acontecimentos e reforça a ideia de que, muitas vezes, enxergamos apenas aquilo que queremos acreditar.

Além do roteiro repleto de guinadas, o filme se destaca pela forma como constrói a tensão através da direção. A fotografia aposta em tons frios e pouco iluminados, reforçando a atmosfera sombria e opressiva do necrotério. Os enquadramentos fechados aumentam a sensação de claustrofobia, enquanto os corredores vazios e os ambientes silenciosos contribuem para um constante estado de inquietação. A montagem também merece destaque, utilizando cortes precisos para alternar entre presente e passado sem comprometer o ritmo da narrativa. Em diversos momentos, as mudanças de cena são usadas para enganar o espectador da mesma forma que os personagens são enganados pela própria percepção dos fatos. Os efeitos visuais são discretos e empregados com eficiência, sem exageros, privilegiando o suspense psicológico em vez de sustos fáceis. O resultado é um thriller elegante, que mantém a tensão crescente até os minutos finais.

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