![]() A Estação do Terror
Original:Ghost Train
Ano:2024•País:Coreia do Sul Direção:Se-woong Tak Roteiro: Jo Ba-Reun Produção:Young-min Kim, Kwon Ji Yong Elenco:Joo Hyun-young, Jeon Bae-soo, Choi Bo-min, Kim Ji-in, Kim Woo-kyum, Kim Na-yeon, Jung Han-bit, Hyun Bong-sik, Im Chul-soo, Han Dong-hee |
Estação de metrô vazia, fantasmas, desaparecimentos misteriosos e uma jovem desesperada por visualizações. A Estação do Terror (estreou no Festival Internacional de Cinema de Busan em 4 de outubro de 2024), dirigido por Se-woong Tak (O Demônio no Lago, 2022), não reinventa o horror sobrenatural, mas encontra no metrô um cenário que, por si só, já carrega uma atmosfera bastante inquietante.
Da-kyung (Joo Hyun-young, Mansão Grotesca, 2021) é uma youtuber especializada em relatos assustadores que enfrenta uma queda nas visualizações. Em busca de um assunto capaz de recuperar seu público, ela decide investigar a estação Gwanglim, cercada por acontecimentos estranhos. O problema é que o responsável pelo local (Jeon Bae-soo, O Lamento, 2016) parece saber muito mais do que está disposto a contar.
A partir daí, o filme passa a apresentar diferentes acontecimentos ligados ao lugar, aproximando-se de uma estrutura de antologia. E não é difícil entender por que uma estação de metrô funciona tão bem como cenário de horror. Corredores vazios, plataformas desertas, iluminação fria e trens chegando quando não deveriam são suficientes para provocar desconforto sem precisar de grandes artifícios.
Se-woong Tak explora bem essa atmosfera. Durante o dia, o metrô é apenas mais um espaço de passagem. À noite, quando os corredores ficam vazios, ganha outra aparência. O contraste funciona especialmente bem nas cenas em que o diretor deixa o ambiente falar por si, sem pressa de revelar o que está escondido.
Nem todos os sustos, porém, têm a mesma força. Algumas situações criam uma expectativa interessante antes de apresentar o sobrenatural, enquanto outras recorrem a soluções mais previsíveis. Em certos momentos, fica a impressão de que o suspense poderia durar um pouco mais antes de revelar a ameaça. A Estação do Terror funciona melhor quando sugere do que quando mostra.
Da-kyung também é um dos acertos do filme. Ela não está ali apenas por curiosidade. Precisa de conteúdo para recuperar sua audiência, transformando acontecimentos potencialmente traumáticos em material para o próximo vídeo. É uma ideia simples, mas bastante atual. Na internet, até uma tragédia pode virar entretenimento quando existe público disposto a assistir.
Joo Hyun-young sustenta bem a personagem, equilibrando ambição, curiosidade e humor sem transformar a produção em uma comédia. Jeon Bae-soo, por sua vez, assume bem o papel do sujeito que claramente sabe que há algo errado, mas prefere não se envolver. A relação entre os dois ajuda a conduzir a narrativa enquanto novas informações sobre Gwanglim vêm à tona.
Pode conter spoilers
O maior problema está na irregularidade. Algumas das histórias apresentadas têm potencial, mas nem sempre recebem tempo suficiente para desenvolver a tensão. A própria menção à seita desperta curiosidade e deixa algumas questões no ar, mas o filme não aproveita esse elemento tanto quanto poderia. Havia ali material para uma trama mais interessante, principalmente pela relação que poderia estabelecer com os acontecimentos da estação.
O encerramento também deixa a desejar. Depois de levantar algumas questões ao longo da trama, o filme simplesmente chega ao fim de maneira abrupta. Quando os créditos começam, fica mais a sensação de que a história foi interrompida do que propriamente concluída.
Também não há muita novidade para quem já está acostumado ao horror asiático. Fantasmas, maldições, desaparecimentos e espaços cotidianos transformados em lugares ameaçadores fazem parte de uma fórmula bastante conhecida. Tak trabalha dentro desses limites, mas não consegue acrescentar algo realmente novo ao gênero.
Ainda assim, A Estação do Terror entrega uma sessão divertida e com alguns bons momentos de tensão. Não é uma produção que vai mudar a maneira como enxergamos o terror coreano, mas também não precisa disso. Sua graça está na ambientação e na escolha de um cenário que consegue ser assustador sem muito esforço.
No fim, Da-kyung está em busca de uma boa história para o seu canal, e os infernautas a procura de um motivo para embarcar nessa viagem. A diferença é que nós entramos no trem primeiro para avisar se o percurso compensa ou se é melhor deixar essa composição passar. Aqui, vale embarcar — mas sem grandes expectativas. A viagem tem seus bons momentos, embora não chegue a tornar-se inesquecível.






