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O Fim da Rua
Original:The End of Oak Street
Ano:2026•País:EUA, Canadá, Austrália
Direção:David Robert Mitchell
Roteiro:David Robert Mitchell
Produção:J.J. Abrams, Jon Cohen, Tommy Harper, Matt Jackson, Hannah Minghella, David Robert Mitchell
Elenco:Anne Hathaway, Ewan McGregor, Maisy Stella, Christian Convery, Jordan Alexa Davis, P.J. Byrne, Hudson Meek, Emily Kuroda, Simms May, Grayson Thorne Kilpatrick, Walker Russell

Depois que os dinossauros passaram a ser clonados e expostos em parques, houve uma mudança na forma em que olhamos para eles, compartilhando com o Dr. Allan Grant (o recém-falecido Sam Neill) as expressões de maravilha e espanto. Até então, estávamos acostumados aos mostrados em produções sci-fi modestas, com efeitos divertidos em stop-motion e animatronics, mas o longa de Steven Spielberg abriu as portas para um mundo perdido de criaturas imensas e convincentes. Desde então o conceito se espalhou em continuações e obras com grandes orçamentos como King Kong (2005) e Viagem ao Centro da Terra (2008). Com a expansão dos efeitos e a facilidade de uso dos recursos digitais, trazer os dinossauros de volta agora passou a exigir algo além de simplesmente colocá-los em ilhas, com personagens se escondendo em árvores e rios, como é a proposta de O Fim da Rua (The End of Oak Street, 2026), com direção e roteiro de David Robert Mitchell (Corrente do Mal, 2014).

Com co-produção da Bad Robot (J.J. Abrams e Hannah Minghella) e da Jackson Pictures (Matt Jackson e Tommy Harper), e efeitos a cargo da Industrial Light & Magic (de Jurassic Park), O Fim da Rua se passa em 1982, na Oak Street, onde reside a família Platt: a aspirante a escritora Denise (Anne Hathaway, em seu terceiro sucesso de 2026), que esconde de seu marido Greg (Ewan McGregor) o quanto está frustrada com o casamento principalmente por ele insistir em fazer entregas de pizza na vizinhança, além dos filhos, Audrey (Maisy Stella) e Brian (Christian Convery), descontentes com as constantes brigas dos pais, e o cãozinho Starbuck.

Notícias na rádio trazem informações pouco aprofundadas sobre erupções solares, enquanto brilhos intensos começam a trazer mudanças estranhas no local como o surgimento de uma grande quantidade de excrementos e de uma flor considerada extinta. Durante a noite, o bairro é consumido por mais um clarão, acompanhado de queda de energia e falta de água nas torneiras. Logo, aquela rua tranquila, onde moradores faziam encontros com música e churrasco, passa a ser o território de diversos exemplares de dinossauros, como pterossauros, estegossauros e, claro, o clássico T-Rex, obrigando os Platts a se abrigarem em casa, enquanto tentam entender o que pode estar acontecendo.

Quando os filhos saem de casa para buscar o cãozinho que fugiu, a família precisará encarar as ruas, esquivando-se de animais ameaçadores ou flagrando um momento de amor entre dois brontossauros, algo que a franquia de Spielberg nunca ousou mostrar. Aliás, assim com J.J. Abrams brincou de Spielberg em Super 8, aqui ele faz referência ao longa de 1993 ao mostrar Greg correndo ao lado de uma cerca na companhia de um dinossauro, tal qual Allan Grant numa sequência parecida. E há outras referências indiretas ali, como crianças correndo pelo bairro de bicicleta.

Parecendo um episódio alongado de Além da Imaginação, O Fim da Rua finge não ser um blockbuster, como os animais gigantes estivessem naturalmente em um cenário suburbano. Os personagens representam uma família como qualquer outra, como as que habitam os primeiros filmes de M. Night Shyamalan, com suas desavenças, segredos e interesses particulares. Mitchell não se envergonha de lançar âncoras narrativas, fazendo uso de convenções e previsibilidades em prol do entretenimento. Ora, Brian é perseguido por valentões e está sempre com um arco e flecha preso ao corpo como se fosse Robin Hood ou tivesse a capacidade de prever que a vizinha Jeannette (Jordan Alexa Davis), que estuda em escola particular, irá futuramente precisar de ajuda. E o vizinho reclamão alucinado, Mel Jacobs (P.J. Byrne), deixou claro que possui armas em casa e vai fazer o necessário para defender seu território.

Sem preocupação com a lógica, colocando uma adolescente para apresentar a teoria mais provável e aceita — imaginei que após a explicação o pai iria desdenhar da opinião, dizendo que são vítimas de um experimento do governo —, o longa simplesmente encontra um motivo para que os Platts acreditem que exista uma saída. Mas para tal precisarão atravessar situações de risco, como uma imensa cobra invasiva, adentrar uma casa cheia de animais vorazes e tentar saltar em uma bolha de luz. Em meio ao caos, você também se perguntará por que há mais gente nas ruas do que deviam pelas ameaças carnívoras e por que o valentão vai ignorar essa nova realidade para lembrar que o irmão teve o braço quebrado pelo Brian!

Como aventura de domingo à tarde ou filme de férias, O Fim da Rua funciona bem, com seus momentos de tensão e sustos. É uma alternativa divertida para quem gosta de dinossauros e está cansado das mesmas ideias, de ilhas e experimentos, e tem a consciência que o olhar de espanto e maravilha jamais será o mesmo.

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