Críticas

O Caçador de Troll (2010)

Não faria tanto sucesso se a fotografia não fosse maravilhosa, com paisagens da gelada Noruega e os efeitos visuais não fossem convincentes!

O Caçador de Troll (2010)

Tem coisas que você só acredita vendo!

O Caçador de Troll
Original:Trolljegeren
Ano:2010•País:Noruega
Direção:André Øvredal
Roteiro:André Øvredal
Produção:Sveinung Golimo, John M. Jacobsen
Elenco:Otto Jespersen, Glenn Erland Tosterud, Robert Stoltenberg, Johanna Mørck, Tomas Alf Larsen, Urmila Berg-Domaas, Hans Morten Hansen, Knut Nærum, Eirik Bech

Parte do folclore escandinavo e da mitologia nórdica, os trolls são criaturas humanoides que vivem em regiões isoladas, montanhas distantes ou cavernas e que também habitam os pesadelos das crianças e jovens, devido as suas características monstruosas e seus hábitos alimentares. Descritos como feios, velhos, agressivos e imbecis, os trolls foram recentemente resgatados nas adaptações cinematográficas das obras de J.R.R. Tolkien e J.K. Rowling, embora os fãs do gênero se lembrem de duas produções – Troll – O Mundo do Espanto (1986) e o trash absoluto Troll 2 (1990), dirigido por Claudio Fragasso. No entanto, coube a um filme norueguês comandado por André Øvredal apresentar os conceitos definitivos sobre o tema, de modo didático e divertido.

O Caçador de Troll é uma co-produção de 19 milhões das produtoras Filmkameratene A/S e Film Fund FUZZ, que estreou nos cinemas na Noruega em 29 de outubro de 2010. Depois de uma passagem de sucesso pelo Festival de Sundance, de 2011, o longa chegou definitivamente aos EUA em junho, arrecadando pouco mais de 250 mil, mas instigando os americanos a produzir um possível remake comandado por Chris Columbus, embora o cineasta ainda não tenha assumido o compromisso.

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Seguindo o modelos dos desgastados mockumentaries e found footage, O Caçador de Troll se destaca por apresentar uma história interessante, efeitos eficientes e pela diversão protagonizada pela diversidade de criaturas e por seu conteúdo didático. Na trama, um grupo de estudantes – Thomas (Glenn Erland Tosterud), Johanna (Johanna Mørck) e o cameraman Kalle (Tomas Alf Larsen) – está fazendo um documentário sobre o famoso caçador de ursos Hans (Otto Jespersen). Enquanto tentam se aproximar do homem arrogante, a equipe entrevista caçadores da região, incluindo o comandante da Norwegian Wildlife Board, Finn Haugen (Hans Morten Hansen), que é questionado pelo aparecimento de carcaças de ursos em locais improváveis.

Na perseguição a Hans, os jovens chegam a uma floresta protegida por anúncios de minas terrestres, onde testemunham raios de luz que iluminam a noite e a aparição do caçador em um grito de desespero: Troll!!. Na fuga, Thomas é ferido por algo que não consegue distinguir, o que faz com que Hans seja obrigado a revelar os trabalhos que realiza secretamente para o governo. Antes mesmo do primeiro contato com os monstros, os estudantes e o espectador vão tendo aulas sobre como vivem os trolls, seus hábitos, sua formação e como são destruídos.

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Assim, didaticamente são apresentadas algumas curiosidades interessantes, como o fato das pessoas que se aproximam dos monstros não poderem acreditar em Deus, já que os trolls farejam sangue cristão, e também a força dos raios ultravioletas para endurecer o corpo das criaturas e facilitar a destruição. Aprendem sobre a existência de raças diversas como Ringlefinch e Tosserlad, o primeiro troll que surge oficialmente na tela, com suas três cabeças, além da necessidade de espalhar o cheiro das criaturas pelo corpo afim de evitar que sejam identificados.

Hans faz parte da Troll Security Service (TSS), cujo objetivo é evitar que os trolls se aproximem das áreas povoadas. Durante a jornada, os estudantes enfrentam situações de perigo enquanto cavam suas próprias sepulturas (Cannibal Holocaust alguém?) com o conhecimento que adquirem, já que pretendem divulgar o trabalho de Hans e os segredos da Noruega através das filmagens realizadas. Mesmo depois de conseguir um bom material de divulgação, ainda assim a persistência conduz o grupo para muitos problemas como o momento em que são surpreendidos por diversos trolls e quando encontram um exemplar gigantesco.

Não faria tanto sucesso se a fotografia não fosse maravilhosa, com belíssimas paisagens da gelada Noruega, e, obviamente, os efeitos visuais não fossem convincentes. É claro que a própria desproporção das criaturas facilita sua concepção, mas as técnicas utilizadas funcionam principalmente pela quantidade de monstros que surgem na tela e sua interação com os atores. Aliás, estes fazem a lição de casa corretamente, sem expressar a natureza de seus trabalhos na Noruega: Otto Jespersen, o tal caçador arrogante e sério, é um dos maiores comediantes do país, conhecido pelas polêmicas que envolvem seus atos e falas, como quando ele queimou no ar uma bandeira americana em protesto à invasão do Iraque, de 2003.

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Num daqueles milagres que acontecem a cada 100 lançamentos do gênero, O Caçador de Troll foi lançado em DVD no Brasil pela Paris Filmes e já está sendo exibido na TV a cabo no canal Space. Merecia até uma oportunidade nos cinemas, mas ainda assim é preciso agradecer pelo esforço da distribuidora em lançar em vídeo uma produção distante de Hollywood, que apresenta uma cultura diversificada e bem interessante.

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3 Comentários

  1. Omar

    realmente..gostei

  2. omar

    bem interessante..se o cara for pego desprevenido pensa que é real

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