Críticas

Resident Evil: Retribuição (2012)

É como assistir um gameplay no Youtube: certamente foi mais divertido para quem jogou do que para quem assistiu depois!

Resident Evil 5 (2012) (1)

Resident Evil 5: Retribuição
Original:Resident Evil: Retribution
Ano:2012•País:Alemanha, Canadá, EUA
Direção:Paul W.S. Anderson
Roteiro:Paul W.S. Anderson
Produção:Paul W.S. Anderson, Jeremy Bolt, Don Carmody, Samuel Hadida
Elenco:Milla Jovovich, Sienna Guillory, Michelle Rodriguez, Aryana Engineer, Bingbing Li, Boris Kodjoe, Johann Urb, Robin Kasyanov, Kevin Durand, Ofilio Portillo, Oded Fehr, Colin Salmon

Em seus 16 anos de existência, a franquia de games Resident Evil trabalhou na mesma fórmula do “survival horror“, melhorando suas características a cada lançamento, mas com o tempo precisou de uma reinvenção, precisou buscar se “re-significar” para manter-se relevante e não ser engolido como nostalgia, vide Resident Evil 4. Interessante como isto não acontece com sua franquia de filmes, todas com Paul W. S. Anderson como produtor e/ou diretor e sua musa inspiradora, a atriz nascida ucraniana Milla Jovovich.

Iniciada em 2002, a série chega ao seu quinto filme dez anos depois apostando as mesmas fichas nos mesmos números (e fazendo muito dinheiro no caminho), contudo se no passado havia uma tentativa qualquer de dar um direcionamento de “universo” no roteiro e colocar excelentes cenas de ação, desta vez, em Resident Evil 5: Retribuição, Anderson simplesmente desistiu de tentar… O filme deixa de ter cenas, passa a ter “fases“. Deixa a coerência as favas e vai com tudo na ação descerebrada. Abandona as referências sutis e passa a jogar personagens dos games indiscriminadamente na tela.

Caso queiram saber do roteiro, ele começa com as consequências do ataque da Umbrella ao navio cargueiro no fim de Resident Evil: Recomeço. Um início cheio de explosões, tiros de saltos e, novamente, Alice (Milla Jovovich) aparece em vídeo para lembrar o que aconteceu até agora (e parece impressionante como um resumo de 2 minutos não deixa nada de fora dos 4 filmes).

Na cena seguinte Alice acorda, no que parece ser uma realidade paralela, em um típico subúrbio americano de Racoon city com sua filha Becky (Aryana Engineer, A Orfã), que é surda-muda, e seu marido. Parece um dia comum para uma família estadunidense, café da manhã e arrumação para escola e trabalho, mas a aparente tranquilidade é interrompida por uma horda de zumbis que trazem o apocalipse para aquele bairro. O marido morre e Alice e filha se vêem fugindo pelas ruas, pegando uma carona com Rain (Michelle Rodriguez, sem função definida na trama). Antes que você possa dizer Madrugada dos Mortos, o carro capota, Rain morre e lá estão elas, mãe e filha, novamente fugindo dos infectados.

Resident Evil 5 (2012) (3)

Mais um tempo depois Alice, pela 346376ª vez na franquia, acorda capturada em uma instalação da Umbrella. Jill Valentine (Sienna Guillory) controlada pela Umbrella conduz um interrogatório sem sucesso. Repentinamente a energia cai e enquanto o computador reinicia, Alice consegue roupas, armas e sua fuga da cela.

Depois de uma batalha contra uma horda de zumbis no que parece ser as ruas de Tóquio, Alice encontra Ada Wong (Li Bingbing, idêntica a sua versão digital nos games), que explica que ela e seu associado Albert Wesker (Shawn Roberts, Terra dos Mortos) não trabalham mais para a Umbrella e querem ajudar Alice a escapar da instalação – que trata-se de uma base subterrânea de testes biológicos com réplicas de grandes cidades do mundo – controlada pela Rainha Vermelha (a do primeiro filme, lembram?) já que agora é a humanidade que está em jogo.

Para tal, Wesker recrutou um time de mercenários “freelancers” para infiltrar a base e tirá-la de lá, incluindo Leon S. Kennedy (Johann Urb), Barry Burton (Kevin Durand, X-Men Origens: Wolverine) e Luther West (Boris Kodjoe, de volta ao papel). Bom, não preciso dizer mais nada e nem precisaria já que não há muito mais o que dizer: daqui para frente o que há é uma masturbação de tiros, explosões, monstros, zumbis (que agora andam até de moto e alguns lembram aqueles nazi-zombies pintados de verde e apliques de papel machê de O Lago dos Zumbis) e um monte de efeitos especiais para preencher a tela.

Essencialmente é a única coisa que chama a atenção em Resident Evil 5 e pela qual vale a pena assistir: a ação que é complementada pela maior variedade na fotografia que a instalação da Umbrella proporciona… Mas ação por ação e efeitos por efeitos, ainda sou muito mais RE 4: Recomeço, que entrega um 3-D mais interessante e consistente do que este RE5.

Todo o resto incomoda bastante: os personagens não possuem significado a não ser para “estar lá” e presentear os fãs dos games com suas aparições. Quero dizer, quem é Leon? Quem é Barry? Há uma tentativa de humanizar Alice através da personagem de Becky, mas a tentativa cai por terra pela tosquice dos diálogos, as situações sem profundidade que não se sustentam e, talvez o que mais contribui, a lembrança recorrente de Aliens não joga a favor de Resident Evil 5.

Contudo o mais desapontador é a sensação de que ao final de 90 minutos, quando os créditos sobem, do quão pouco a mitologia avança para seu potencial (e provavelmente último) filme da franquia. RE 5 é tão auto-contido que não abre nenhuma nova possibilidade, não empolga e nem faz ficar esperando pacientemente por RE 6… Em suma, você deve ainda estar me perguntando: mas afinal, o filme é bom? Resident Evil nunca foi “bom“, mas já foi muito divertido. Já Resident Evil 5 – Retribuição emula os mundo dos games tão bem que é como assistir um gameplay no Youtube: certamente foi mais divertido para quem jogou do que para quem assistiu depois.

Leia também:

2 Comentários

  1. fabão

    Assisti o gameplay do Resident Evil Zero. Identifiquei-me muito mais do que com os últimos filmes. E tem mais. Se a CAPCOM quiser ganhar dinheiro mesmo, que faça uma franquia de filmes sobre seus jogos com base nos jogos. Resident Evil Zero seria um puta de um filme. O enredo dele é sensacional!

  2. vanessa vasconcelos

    gosto dessa franquia,mas realmente já encheu o saco.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *