2.5
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Resident Evil 4 (2010)
Bad Girls, Tiros e Efeitos em 3D

Resident Evil 4: Recomeço
Original:Resident Evil: Afterlife
Ano:2010•País:Alemanha, França, EUA, Canadá
Direção:Paul W.S. Anderson
Roteiro:Paul W.S. Anderson
Produção:Paul W.S. Anderson, Jeremy Bolt, Don Carmody, Bernd Eichinger, Samuel Hadida, Robert Kulzer
Elenco:Milla Jovovich, Ali Larter, Kim Coates, Shawn Roberts, Sergio Peris-Mencheta, Spencer Locke, Boris Kodjoe, Wentworth Miller, Sienna Guillory, Kacey Barnfield, Norman Yeung, Fulvio Cecere, Tatsuya Goke

Na análise de Predadores argumentei que o filme tinha uma característica interessante em um mundo onde blockbusters tendem a se levar cada vez mais a sério por um prêmio da academia: Era um filme bagaceiro de alto orçamento, sejam para as coisas boas ou ruins. Minha opinião referente àquela produção permanece inalterada, contudo acho que fui muito prematuro em classificá-lo como O Grande Filme B Americano. Este título merece ser transferido à mais nova instalação da franquia cinematográfica Resident Evil, todos dirigidos e/ou roteirizados por Paul W.S. Anderson, intitulado Resident Evil 4: Recomeço lançado nos cinemas brasileiros em 17 de Setembro de 2010.

Primeira adaptação de games no formato 3D, o diretor entrega o mesmo filme que nós já vimos nas três vezes anteriores: Movimentado, rasteiro, exagerado, visualmente inebriante, porém pegando todos estes elementos conhecidos e elevando a uma potência tão alta que beiram o abuso. Entre falhas extremas e acertos extremos, como fã da série de games, devo manifestar uma ponta de descontentamento. O roteiro de Anderson é preguiçoso o suficiente para não avançar quase nada na mitologia da série deixando pontas soltas, ideias mal aproveitadas e desculpas esfarrapadas de maneira a justificar uma potencial parte 5 que certamente será lançada num futuro próximo visto a boa bilheteria mundial que está rendendo.

O filme começa pouco após os eventos de Resident Evil 3: A Extinção com as clones de Alice (Milla Jovovich agora com status de casada com Paul Anderson) invadindo a base da Umbrella Corpotaion em Tokio numa tentativa de matar seu presidente, Albert Wesker (Shawn Roberts). Após muita troca de tiros, Wesker consegue fugir em um helicóptero antes da auto-destruição da base, o que remete explicitamente ao final do jogo Resident Evil 2.

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A Alice original está dentro da aeronave e rende o malfeitor. Na primeira de muitas forçadas do roteiro, Wesker consegue se desvencilhar de uma arma apontada para sua cabeça por Alice e injeta no organismo da heroína uma substância que neutraliza seus “super-poderes” tornando-a novamente uma reles mortal (acredite, apesar disso ela continua com suas piruetas para mandar o Cirque du Soleil a falência). Quando o vilão está para matá-la em definitivo o helicóptero cai e Alice consegue escapar.

Quase seis meses se passam e Alice procura a cidade de Arcadia no Alaska citada em RE 3: A Extinção como um local livre de infecção onde os sobreviventes deveriam buscar abrigo. As tentativas infrutíferas fazem com que ela perca as esperanças e quase abandone a busca, todavia ao parar em uma praia deserta, ela encontra o helicóptero da fuga no final do filme anterior e uma enlouquecida Claire Redfield (Ali Larter) com um estranho aparato eletrônico, similar a um escaravelho hi-tech, preso em seu peito.

O leitor que se aventurar a assistir ao filme notará também que esse aparelhinho cuja função não é explicada explicitamente é uma muleta muito da sem vergonha para alguns dos grandes buracos do roteiro, mas seu objetivo prático é fazer com que Claire perca a memória e ataque Alice. Tão certo quanto o dia posterior a uma sexta-feira é um sábado, Alice subjulga Claire e migra com ela e seu aviãozinho para Los Angeles na busca por sobreviventes e deixando pra lá momentaneamente Arcadia.

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Ao chegar em Hollywood, as duas avistam um pequeno grupo que se refugia em uma prisão cercada pelos zumbis, fazendo parte desse grupo outro nome recorrente dos games, Chris Redfield, irmão de Claire. Ironia do destino, nas primeiras cenas em que aparece Chris está preso em uma cela da cadeia, lembrando fortemente que seu interprete Wentworth Miller ficou famoso pelo personagem Michael Scofield no seriado Prison Break.

Convenientemente apoiado na muleta do “bichinho” da Umbrella, Claire não se lembra de Chris e o hostiliza. De fato, apesar da ligação de sangue, o mesmo sobrenome não tem a menor diferença na condução do roteiro, poderiam ser dois estranhos e o efeito seria o mesmo. Enfim, algumas cenas depois descobre-se que Arcadia não é uma cidade, mas um navio que está não muito longe dali, mas como o aviãozinho de Alice só pode levar duas pessoas de cada vez e as condições de pouso são perigosas, a melhor solução é encontrar outra maneira de ultrapassar as barreiras de mortos-vivos antes que a situação se torne insustentável com a invasão dos monstros para dentro da cadeia.

Nos aspectos técnicos o filme é excelente, usa as mesmas câmeras criadas por James Cameron para Avatar e aproveita cada centavo de seus 60 milhões de dólares de orçamento (para ter um parâmetro de comparação, os dois filmes anteriores custaram 45 milhões) e os efeitos 3D são numerosos e profundos – um alento para quem viu a granulação horrenda do 3D convertido de O Último Mestre do Ar. Sem contudo se tornar parte indispensável para o devido aproveitamento da película, o que garante o pós-vida em home vídeo.

Porém se o 3D impressiona, o mesmo não pode ser dito da variedade de seu uso nos efeitos especiais. Até aproveitando o que me disse Marcelo Milici, Paul Anderson aparentemente parou em 1999, quando os efeitos a lá Matrix estavam na moda, ao extrapolar o limite da razão no uso dos efeitos Bullet Time, Slow Motion e do Ramping, uma técnica que quase tem o nome de Zach Snyder embutido, onde o filme repentinamente fica lento (quando o herói prepara o ataque) para em seguida dar um salto de velocidade (quando o herói acerta o alvo).

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De fato, colocando lado a lado algumas cenas, especialmente no ataque das clones de Alice a base da Umbrella em Tokio, os irmãos Wachowski teriam material suficiente para um processo por plágio de tão chupadas são as cenas em paridade com Matrix (o tiroteio na invasão do prédio do governo) e Matrix: Reloaded (cenas de abertura) para não dizer que o Albert Wesker é uma versão loira e com mais cabelo do agente Smith até no figurino.

A intensidade do ritmo também é absurda, os personagens secundários desaparecem e morrem tão repentinamente depois de um desenvolvimento capenga que não faz a menor diferença se é um famoso negro esportista ou uma aspirante a atriz, tirando uma piadinha gratuita referenciando um personagem que calha de ser produtor de cinema, eles são todos carne de açougue.

Agora de todos os defeitos, não posso deixar de pontuar: Resident Evil 4: Recomeço é um dos filmes mais imbecis já colocados em celulóide, o que, por mais estranho que possa soar, não necessariamente é uma coisa ruim, mas incomoda… Muito… Colocando a inteligência do espectador em segundo plano, o roteiro de Paul W. S. Anderson deve ter não muito mais do que dez páginas, sendo duas só para os monólogos chatos de Alice sobre “Arcadia” que não tem nenhuma relevância pratica na trama e outras três delas para as cenas de ação, com os zumbis ficando somente como um detalhe. Falando neles, se alguns fãs do gênero já não gostam dos “zumbis maratonistas“, gostaria de saber a reação deles quando souberem dos “zumbis escavadores” de Anderson, hahahaha…

Ao fim das contas continuidade e coerência são palavras sem muito uso na descrição da história. Posso começar falando pelo vírus T no organismo de Alice que realmente tem a forma de uma letra T, o fato de que as garotas no filme aparecem permanentemente gostosas mesmo em um ambiente cataclísmico (especialmente Ali Larter e sua “cena do chuveiro“), ou o simples fato anormal que Albert Wesker e Alice sobrevivem a uma QUEDA DE AVIÃO sem um mísero osso quebrado!

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Até agora não sei como Alice consegue colocar moedas do tamanho de medalhas dentro de sua espingarda curta de dois canos. Frases de efeito, canastrices, cenas soltas, soluções toscas, muitas coisas não explicadas… E fiquem de olho na incoerência mais engraçada do cinema contemporâneo: A cena em que duas clones de Alice pulam de costas de uma janela e continuam atirando com suas armas, a despeito do “simples” fato de que seus oponentes estão A 90 GRAUS DA LINHA DE TIRO DAS PISTOLAS! Gente, só faltaram um logotipo da Cannon ou da Nu Image e ser lançado em VHS pra fechar o pacote.

Só que reforçando na repetição o que escrevi acima, não é exatamente uma coisa ruim. É preciso muita força de vontade para desligar o cérebro e ignorar os buracos de roteiro, mas se conseguir vai se divertir a valer com os excessos e ao rir das falhas e pecados propositais acabam tornando-se qualidades. Esqueçam o foco, Resident Evil 4 não é um filme de apocalipse, tampouco de zumbis, não há nada de novo em qualquer aspecto inclusive olhando para trás na própria franquia. Qualquer expectativa acima de se ver somente mulheres, sangue e tiros causará uma decepção tremenda.

Curioso que o que eu pensava ser uma série de coincidências está se mostrando uma tendência, Piranha 3D, Predadores, Machete… Será a volta do exploitation ao grande cinema? Não posso afirmar com certeza, mas falando da franquia, RE: Recomeço é bem mais divertido que RE: Extinção apesar de mais fraco do que RE: Apocalipse com o primeiro filme sendo um ponto fora da curva na franquia e uma vaga lembrança de como um filme de zumbis pode ter uma história envolvente e ao mesmo tempo entreter o espectador. Nem todo o 3D do mundo pode substituir isso.

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1 comentário

  1. eu gostei desse filme apesar de tudo.

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