Críticas

(A) Fronteira (2007)

Veja com seus próprios olhos como o cinema de terror francês não tem nada de afrescalhado, numa produção sangrenta e violenta!

A Fronteira (2007)

Massacre da Serra Elétrica à francesa!

A Fronteira
Original:Frontières
Ano:2007•País:França, Suiça
Direção:Xavier Gens
Roteiro:Xavier Gens
Produção:Laurent Tolleron
Elenco:Karina Testa, Aurélien Wiik, Patrick Ligardes, Samuel Le Bihan, Estelle Lefébure, David Saracino, Chems Dahmani, Maud Forget, Amélie Daure, Rosine Favey, Adel Bencherif, Joël Lefrançois, Patrick Ligardes

Se eu saísse nas ruas perguntando o que vem à mente quando se fala na França, algumas das possíveis respostas seriam os vinhos, perfumes, a arquitetura refinada, a culinária, Napoleão, Zidane, entre outras coisas afrescalhadas e delicadas,… Porém de certo tempo para cá, a França vem mostrando para o mundo que pode fazer um estilo de cinema assustadoramente obscuro e violento como o underground alemão e até comparável aos bons tempos dos gorefests italianos. Exagero? Talvez, mas não se pode negar que são de cair o queixo as últimas empreitadas dos amigos franceses neste segmento, citando como exemplo Eles, A Invasora, Martyrs e Alta Tensão.

Nesta análise estarei falando sobre Frontière(s) ou (A) Fronteira, uma hemorragia desatada de 100 minutos fantasticamente bem dirigida e roteirizada pelo então iniciante em longas Xavier Gens – que depois foi “exportado” e deu uma pisada de bola no estadunidense Hitman – Assassino 47 – declarado amante do horror nos anos 70 e 80 e responsável por uma produção que te segura na cadeira como poucas outras películas nestes morosos tempos do cinema yankee.

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De acordo com o roteiro, a França atual está num estado de caos e ódio. Manifestações violentas, protestos e vandalismo se espalham pelo país. Neste quadro, Yasmine (Karina Testa), grávida de três meses, não quer que seu filho cresça em um mundo louco como este e decide realizar um aborto.

Porém a vida da moça é um pouco mais complicada do que isso, além de estar neste um dilema moral, ela faz parte de uma gangue de assaltantes de banco composta por seu irmão Sami (Adel Bencherif), seu ex-namorado e pai da criança Alex (Aurélien Wiik) e os amigos Tom (David Saracino) e Farid (Chems Dahmani).

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Após o último assalto, Sami é baleado durante a perseguição da polícia e é levado para o esconderijo. Depois de muita discussão sobre qual seria o próximo passo, o grupo decide fugir com o dinheiro – aproximadamente 125 mil euros – para a Holanda, onde Yasmine fará o aborto, deixando Sami pelo caminho em um hospital para receber tratamento. Tom e Farid partem na frente em um carro e Alex e Yasmine chegam ao hospital, porém Sami não resiste e morre, mas as condições de seu ferimento chamam a atenção da polícia forçando o casal a bater em retirada imediatamente.

A primeira dupla chega a um hotel próximo da fronteira e adentrando o recinto encontram duas garotas, a safada Gilberte (Estelle Lefébure) e a estranha Klaudia (Amélie Daure). Após pedir para o suposto proprietário do estabelecimento Goetz (Samuel Le Bihan, O Pacto dos Lobos e A Fraternidade é Vermelha) para liberar um quarto para os dois, Tom – que também é um sacana – se engraça com Gilberte. Farid, que é mais tímido e fiel à namorada que deixou em Paris, porém acaba cedendo ao jeito esquisito e insistente de Klaudia.

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Certo, vamos aos fatos. É muito bom pra ser verdade! Um quarto de graça em um local isolado com duas, aham… jovens graciosas à disposição e ainda com um jantar bacana depois de sexo!! Isso não vai acabar nada bem… Gilberte descobre o dinheiro que os dois carregam e um novo personagem, Karl (Patrick Ligardes), aparece para roubar a grana dos ladrões. A dupla tenta fugir, Karl arranca três dedos de Tom a tiros, mas os dois conseguem chegar ao carro. Goetz os persegue pela estrada de terra com sua caminhonete e tira o carro da pista que cai do alto de uma ponte.

Dando os dois como mortos, o vilão faz o caminho de volta para o motel enquanto Eles – feridos, mas vivos – entram em uma mina abandonada e se esgueiram por uma estreita passagem que dá num matadouro onde encontram o obeso e nada amigável Hans (Joël Lefrançois).

Nesse meio tempo Alex e Yasmine chegam ao lugar, Gilberte e Klaudia os guiam falsamente ao encontro de Tom e Farid, mas, na verdade, acabam levando o casal para as instalações da velha mina repleta de carros abandonados e que foi convertida em uma mansão, local onde se encontra a tímida Eva (Maud Forget). Não tarda muito e todos estes personagens macabros se revelam uma família de degenerados nazistas canibais que usam os viajantes como carne e roubam seus pertences.

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Eles são liderados pelo impiedoso patriarca Von Geisler (Jean-Pierre Jorris), que se alojou no local após a Segunda Guerra e, agora idoso, quer passar o comando para o filho Karl, casando-o com Yasmine a fim de renovar o sangue da linhagem. Neste processo a moça terá seus longos cabelos cortados, além de comer o pão que o diabo amassou, fazendo a gangue desejar fervorosamente ter sido capturada pelos policiais na França.

O roteiro não é uma grande novidade, Xavier fez basicamente um Massacre da Serra Elétrica encontra O Albergue, porém com pequenas alterações que acabam fazendo bastante diferença. Por exemplo, ao invés da manjada família retardada de caipiras, (A) Fronteira apresenta uma prole de desumanos nazistas que nos causam repulsa desde o princípio. A produção carrega na violência sem dó nem piedade: temos de tudo aqui, desde calcanhares destroçados (essa cena em particular me causou arrepios), tiros que explodem crânios e até derretimento por vapor, tudo mostrado on-screen em toda sua glória sanguinolenta e somado com algumas nojeiras – especificamente envolvendo um chiqueiro que por algum motivo me lembrou um pouco Abismo do Medo – fecham o nauseante pacote.

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O diretor afirmou em entrevista que teve problemas no início das filmagens por causa da carga explicita de brutalidades que estava imprimindo, porém a entrada do famoso diretor Luc Besson como co-produtor deu um fôlego a mais para Xavier, pois Besson deixou a equipe fazer o que quisesse com total desprendimento. A única cena que foi cortada é um segmento em que a família cozinha um dos “heróis“. Xavier reconheceu a liberdade quando o projeto foi finalizado com um agradecimento especial ao diretor Besson nos créditos finais. Também recebem agradecimentos os diretores conterrâneos Alexandre Aja e Jan Kounen pela inspiração.

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Os excessos no quesito de profusão de sangue também complicaram o lançamento nos Estados Unidos, originalmente com uma participação na edição de 2007 do festival da produtora After Dark, 8 Films to Die For, (A) Fronteira acabou sendo classificada pela MPAA como NC-17 (proibido para menores de 17 anos). Como os sete demais filmes eram classificados como R, a decisão foi separar a produção francesa do restante do grupo e lançá-lo separadamente nos cinemas em maio de 2008.

Sem “rabo preso” com os produtores, Xavier demonstrou uma técnica notável na condução do roteiro e um trabalho de câmera e iluminação que contrastam os tempos modernos onde a história se passa com o aspecto medieval das locações; ponto também para a fotografia de Laurent Barès (que também trabalhou na fotografia de Hitman e A Invasora). O diretor conseguiu fazer uma mescla de claustrofobia e aflição capazes de fazer o espectador grudar na poltrona.

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Sim, o filme é muito sangrento, violento, bem rodado e temos cenas de desviar os olhos da tela, entretanto perde em emoção e capacidade de correspondência com os personagens de Alexandre Aja e seu obrigatório ponto de comparação o inigualável Alta Tensão.

Primeiro porque os “mocinhos” são assaltantes de banco, culpados, e nem o fato de Yasmine estar grávida ajuda a nos preocuparmos por ela, pois a garota está saindo do país para fazer um aborto, um crime tão cruel quanto o da família nazista aos olhos dos mais conservadores.

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Questões morais à parte, a correspondência com a heroína se quebra especialmente da parte do filme em que tem seus cabelos cortados em diante. Karina Testa passa a interpretar como quem acabou de receber uma lobotomia de tanto que tremula e sacode, mesmo que a situação force um estado de choque, atitudes a lá Marilyn Burns seriam muito mais convincentes, aparentando que junto com o cabelo foi a sanidade da mulher.

Parte desta culpa também deve ser atribuída para o elenco não muito brilhante de protagonistas que são significativamente menos talentosos que os vilões, tendo como destaque absoluto Jean-Pierre Jorris, o patriarca da família nazista, que viveu na pele a época da Segunda Guerra quando a França foi tomada pela Alemanha. Outro ponto de controvérsia são os “lapsos de memória” que o roteiro apresenta em certos momentos: por exemplo, o túnel apertado que os personagens Tom e Farid passam e os filhos anormais do casal Hans e Eva, são eventos mostrados, mas que ficam isolados por não serem aproveitados no restante da história. E o conflito civil que toma a França no princípio do filme e suas citações no decorrer da projeção soam muito mais como panfletagem barata anti-Nicolas Sarkozy do que efetivamente uma crítica social.

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Porém não pense que estes defeitos depreciam a experiência criada por Gens, (A) Fronteira vale seguramente uma compra para sua coleção de DVDs – Frontière(s) foi lançado no Brasil em um disco sem extras relevantes pela distribuidora Califórnia Filmes – mas se não puder, prestigie o trabalho do diretor com pelo menos uma locação e veja com seus próprios olhos como o cinema de terror francês não tem nada de afrescalhado…como eles diriam, este é um filme Trés Bon.

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12 Comentários

  1. Carol

    História fraca que se sustenta no gore, um Massacre da Serra Elétrica melhorado.

  2. daniel borges

    Um dos melhores filmes de terror q ja vi. Seguramente está no meu top 5.

  3. Paulinha

    Os primeiro 30 minutos são mto chatos. A fuga deles….mas depois até que fica bonzinho!!!!

  4. gloria regina

    gente como fasso pra assistir ah este filme??

  5. Thiago Marques

    MUITA GENTE NÃO CURTE…, mas, eu ACHO MASSA DEMAIS esse filme! Um dos melhores…

  6. Lélis

    Cinema francês eu gostei também do ILS (Eles).. suspense/terror baseado em fatos reais muitos bom, prende a atenção do inicio ao fim…

  7. Gabriel

    melhor q esse no cinema frances só ”a invasora” e ”alta tensão”

  8. Gabriel

    Muito Bom, violento pra caramba. filmes de terror ultimamente quem mandam são os franceses , alexandre aja é muito talentoso , ”viagem maldita” é um dos melhoros filmes de terror da ultima decada , e é um otimo remake , talvez quase melhor que o original.

  9. Hellen

    O cinema de horror francês humilha!

  10. vanessa vasconcelos

    tenho esse filme pirata hahaha,muito bom mesmo.

  11. Gustavo

    Poxa cara tbm fikei curioso sobre esses filmes alemas underground kkkkk. Sobre o filme a fronteira é muito bom mesmo segue mesmo estilo de o albergue.

  12. Juliana Evangelista

    Fiquei curiosa, que filmes alemães underground são esses? Poderia dar indicações de filmes alemães e italianos? =)

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