A Maldição – Raízes do Terror (1987)

A Maldição (1987)

A Maldição - Raízes do Terror
Original:The Curse
Ano:1987•País:EUA
Direção:David Keith
Roteiro:David Chaskin
Produção:Lucio Fulci, Ovidio G. Assonitis
Elenco:Wil Wheaton, Claude Akins, Malcolm Danare, Cooper Huckabee, John Schneider, Amy Wheaton, Steve Carlisle, Kathleen Jordon Gregory

Sabe aquele filme que você vê na infância e adora, depois não consegue mais encontrar e fica obstinado correndo atrás, sem descanso, até conseguir rever? A Maldição – Raízes do Terror (The Curse), de 1987, é um desses filmes. Eu lembrava pouco sobre a trama, mas este pouco que guardava na memória indicava que era um bom filme. E foram uns bons dez anos até conseguir encontrar uma fita dele para reassistir.

Ao contrário de outros filmes da infância, que se revelam ruins quando vistos hoje em dia, A Maldição continua um interessante filme B. Claro que é preciso descontar o roteiro um tanto incoerente e os efeitos especiais fracos – e também a copiagem criminosa da extinta Alvorada Vídeo, que cortou tanto a imagem dos lados que alguns personagens ficam o tempo todo fora da tela.

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O mais curioso é ver tantos nomes relacionados ao bom horror ligados a este filme. Querem uma lista curta? Vamos lá: na direção, o ator David Keith, celebrizado por interpretar o pai da menininha no filme Chamas da Vingança (baseado em romance de Stephen King). O roteiro é de David Chaskin (roteirista de A Hora do Pesadelo 2), baseado no conto “A Cor que Veio do Espaço“, de H. P. Lovecraft (que já tinha inspirado, nos anos 60, o filme Morte para um Monstro, com Boris Karloff). Na produção, temos o italiano Ovidio G. Assonitis (o mesmo de “crássicos” como Piranha 2, de James Cameron) e um tal de Louis Fulci, que é o próprio e lendário Lucio Fulci (o diretor dos imortais The Beyond e Zombie). No elenco, temos o grotesco Claude Atkins (de O Monstro do Armário, Tarântulas e Tentáculos) e Cooper Huckabee, que participou de Pague para Entrar, Reze para Sair, de Tobe Hooper. Um belo time, hein?

Com mão-de-obra americana e italiana, Raízes do Terror é um exemplo de como fazer um filme perturbador com pouco ou nenhum dinheiro. O início é misterioso, com a polícia prendendo um homem histérico, cheio de feridas nojentas no rosto, que fica gritando: “Está na água! Está na água!“, enquanto a viatura passa por crianças tomando banho de mangueira e pessoas bebendo água da torneira. Coisa boa não vem por aí, pensa o espectador, curioso com o que diabos estará na água, e quem é aquele homem histérico.

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Então, a história volta algumas semanas no tempo e somos apresentados aos personagens principais, a família Hayes. Nathan Hayes (Claude Atkins) é um fazendeiro quadrado e fanático religioso, que está vivendo um segundo casamento com a viúva Frances (Kathleen Gregory). Os filhos desta, Zachary (Will Wheaton) e Alice (Amy Wheaton, irmã de Will também na vida real), são obrigados a conviver com o filho de Nathan, o grotesco e burro Cyrus (Malcolm Danare). Nathan é um daqueles carolas que espancam o filho violentamente se ele falar o nome de Deus em vão e recusa-se a transar com a esposa porque a Bíblia diz que sexo é apenas para fins reprodutivos.

Assim, certa noite, Frances vai apagar seu fogo com um empregado da fazenda, que está ajudando a escavar um novo poço. No mesmo momento, como se fosse uma punição divina por adultério (o que revela certo moralismo religioso do roteiro), um meteoro incandescente cai na fazenda em forma de um cometa, atraindo a atenção da vizinhança. O dr. Alan Forbes (Cooper), médico da comunidade e vizinho da família Hayes, quer chamar técnicos para analisarem o meteoro, mas Charley Davidson (o péssimo Steve Carlisle), que é presidente do comércio da cidadezinha, prefere abafar o acontecido, com medo que o preço dos lotes no local despenque.

O resultado: durante a madrugada, o meteoro “derrete“, e um líquido tóxico, vindo dos confins do espaço sideral, penetra no lençol freático da fazenda, contaminando a água. A partir daí, a água contaminada (o que explica o mistério do início do filme) provoca danos irreversíveis às plantas e animais. Os vegetais e frutas ficam podres e cheios de larvas, e os animais sofrem mutação, ficando violentos. O patriarca da família recusa-se a acreditar que algo de estranho está acontecendo. Afinal, os vegetais, os animais e a própria água vêm diretamente de Deus, e não poderiam fazer mal a eles. Mas logo a contaminação afeta também os seres humanos, provocando o surgimento de feridas putrefatas no rosto, evoluindo para monstruosas mutações, até transformar pessoas em monstros assassinos.

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A primeira vítima é Frances, que no auge da loucura costura um pedaço de pano à própria mão (uma cena dura de ver). Nathan recusa-se a procurar ajuda médica, alegando que aquilo é um castigo de Deus pela traição da esposa, e a contaminação vai se espalhando. Zachary e Alice param de beber a água e começam a comprar comida escondidos. Entretanto, a situação evolui para o iminente horror.

Sempre gostei de filmes sobre contaminações que se espalham e ameaçam destruir a sociedade, tipo O Exército de Extermínio, de George A. Romero, e A Dança da Morte, de Mick Garris, baseado num livro de Stephen King. Infelizmente, A Maldição sofreu com a produção barata, e a ideia apocalíptica não se concretiza. O final é abrupto e sem relação com o início, deixando em aberto a forma como a água contaminada se espalhou pela cidade e pelo mundo – e também quem é o misterioso personagem histérico do início; seria mais interessante se fosse um dos sobreviventes do final.

A produção possui algumas cenas bem violentas, incluindo uma marretada que lembra os bons tempos de O Massacre da Serra Elétrica. Também surpreende o espectador ao matar violentamente (e inesperadamente) um dos personagens centrais da trama, aquele que jurávamos ser o “herói“.

Mesmo tendo uma boa história e um desenvolvimento criativo, assustador até, o filme foi injustamente criticado desde o seu lançamento. O próprio astro Will Wheaton costuma cuspir no prato em que comeu, dizendo que a única coisa boa do filme é que ele teve a chance de atuar com sua irmã Amy. Não é bem assim, A Maldição é um ótimo filme, que não deve ser confundido com outro lançado com este título no Brasil (aquele da maldição do cigano, baseado em livro de Stephen King).

Uma produção melhorzinha faz falta, mas o roteiro tem tensão, violência e nojeira suficientes para manter a atenção do fã de bons filmes de horror. Vale a pena dar uma procurada pelo filme, que somente por milagre será relançado em vídeo ou DVD no Brasil, sendo uma produção tão obscura e mal-falada.

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Felipe M. Guerra

Felipe M. Guerra

Jornalista por profissão e Cineasta por paixão. Diretor da saga "Entrei em Pânico...", entre muitos outros. Escreve para o Blog Filmes para Doidos!

6 comentários em “A Maldição – Raízes do Terror (1987)

  • 14/07/2016 em 16:40
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    Estou a procura de um filme de terror antigo que homem ao tocar em dinheiro vira merda. E me aparece que tudo isso ao acontecer depois que ele toca em um bicho dentro de uma gaiola.

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  • 11/05/2014 em 22:39
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    acabei de assistir o filme, não é bom mas também não é ruim. Não sei se entendi direito mas parece que a contaminação não se espalhou pelo mundo e o cara do inicio
    é o mesmo que ajuda as crianças a fugir no final

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  • 10/05/2014 em 00:57
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    Há muitos anos atras por várias vezes via esse filme nas locadoras mais nunca imaginei que seria bom assim , portanto nunca o peguei para assistir ou para comprar na época das vendas dos vhs , é como diz o famoso ditado ” se arrependimento matasse eu estaria morto ” .

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  • 07/05/2014 em 09:03
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    asssiti tem um tempo ja e nao gostei nao…fraco e efeitos ruins descartavel,pra ter uma ideia tem um ano mas ou menos que vi e lembro de praticamente nada.a maldiçao do necroterio aquele das crianças japonezas sumbis e infinitamente melhor….por exemplo.

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  • 06/05/2014 em 19:13
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    eu tinha esta fita da Alvorada Video mais infelizmente quando iria assisti-la o meu video enroscou a fita toda e dai não consegui achar outra copia dela isso já tem dois anos .. mas vou tentar encontra-la novamemte.. bom post deste filme curioso e bem underground. Abraço de Anselmo Luiz.

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