Críticas

Deranged (1974)

Sem ser uma obra-prima. Deranged acumula mais acertos que erros, e merece ser visto, principalmente em uma sessão maldita de madrugada!

Deranged (1974) (2)

Deranged
Original:Deranged
Ano:1974•País:Canadá, EUA
Direção:Jeff Gillen e Alan Ormsby
Roteiro:Alan Ormsby
Produção:Tom Karr e Bob Clark
Elenco:Roberts Blossom, Cosette Lee, Leslie Carlson, Robert Warner, Marcia Diamond

Edward Theodore Gein, mais conhecido como Ed Gein, foi um lendário homicida. Embora seja comumente associado a serial killers, o número de vítimas de Gein é controverso. Foi provado que ele havia matado pelo menos duas pessoas. Porém sua fama vem de seu lado ‘artístico’. Gein ficou famoso por fazer objetos, esculturas e artesanatos com ossos e pele humana. A matéria-prima ele retirava do cemitério local. Suas façanhas foram tantas que inspiraram filmes como Psicose, O Massacre da Serra Elétrica e O Silêncio dos Inocentes, entre outros.

Pois bem, em 1974, dois diretores estreantes resolveram levar às telas a versão mais fiel até então da saga do notório habitante de Wisconsin. Assim surgiu Deranged, que ganhou em algumas versões o subtítulo alternativo: The Confessions of a Necrophile. A obra também é conhecida no Canadá pelo título alternativo de Necromania (não confundir com o filme homônimo de 1971 dirigido pelo infame Ed Wood).

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Esta co-produção entre Canadá e EUA é marcada pelo baixo orçamento e pelas fartas doses de humor negro. Logo na abertura temos um aviso que explica que os nomes das personagens foram trocados, mas o resto é real. Depois temos a aparição do suposto repórter que teria coberto o caso (interpretado por Leslie Carlson de Videodrome e A Mosca), ele serve não apenas como apresentador, mas como narrador de algumas cenas no melhor estilo de programas televisivos sensacionalistas.

Como os nomes foram alterados, aqui Ed Gein vira Ezra Cobb (Roberts Blossom, de Matadouro 5, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, entre outros), um velho solteirão que vive em função de cuidar da mãe enferma, esta por sua vez é uma fanática religiosa e moralista (interpretada por Cosette Lee, que era apenas 14 anos mais velha que Blossom).

Após a morte de sua genitora Ezra vai pirando em sua solidão até que, após um ano do falecimento, acaba indo ao cemitério roubar o cadáver da velha. Disposto a empalhar o defunto, Ezra tropeça num pequeno problema: por causa da decomposição falta pele para completar o serviço. Ele então começa a matar mulheres para terminar seu mórbido serviço. E os cadáveres vão se acumulando em sua casa.

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Deranged é daquelas produções que apesar do status de cult ao redor do mundo, continua inédito aqui no Brasil, e por isso é mais comentado do que visto. E apesar de toda sua fama que o precede ele tem algumas falhas, como a interpretação de Roberts Blossom, muito irregular, e que abusa das mesmas caretas quase sempre. Curiosamente o Harvey Keitel teria feito teste para o papel. Outro ponto fraco são as já citadas intervenções narrativas de Leslie Carlson, algumas totalmente dispensáveis, poderiam ter ficado no chão da sala de montagem.

Quanto aos méritos, temos boas sequências como a morte da mãe de Ed/Ezra logo no início, um primor de humor negro: a senhora inválida recitava passagens do velho testamento para o filho abestalhado, enquanto este a alimentava a com o que eu suponho ser uma sopa de ervilhas (uma gosma verde que parece o vômito de O Exorcista). Ela então começa a se engasgar e vomitar o caldo verde, e por fim solta golfadas de sangue. Ou a sequência de sessão espírita com a gordinha tarada, também é bastante divertida. Outra cena memorável: o sequestro e morte da garçonete, com direito a um jantarzinho com a mesa cheia de cadáveres à la O Massacre da Serra Elétrica, uma cena bastante climática por sinal, mas que mostra outra falha no filme: apesar de toda a gritaria que a moça faz, inclusive no pátio da residência, os vizinhos não ouvem nada.

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O canadense Blob Clark iria dirigir o filme, mas desistiu da ideia ao achar o roteiro demasiadamente doentio e acabou aceitando a tarefa de produtor não creditado (no mesmo ano Clark realizaria o clássico Black Christmas e também o interessante Dead of Night), passando a cadeira de diretor para a dupla estreante Jeff Gillen e Alan Ormsby. Gillen, acostumado a aparecer em pequenos papéis como ator em filmes como as comédias Uma História de Natal, de Bob Clark. e Loucademia de Polícia 5, nunca mais dirigiu mais nada depois de Deranged. Ormsby, por sua vez, não teve melhor sorte, ele já tinha dirigido uma comédia antes (The Great Masquerade, 1974), mas depois apenas dirigiu algumas cenas do slasher Popcorn (1991) sem levar crédito algum.

Vale destacar a maquiagem e o sangue vermelhão, típico dos anos 70, obra de um jovem Tom Savini em sua estreia no cinema. O baixo orçamento dá aquela crueza visual digna dos melhores grindhouses e as inserções de humor negro acabam criando um contraste interessante.

Sem ser uma obra-prima. Deranged, a ‘biografia’ de Ed Gein, acumula mais acertos que erros, e merece ser visto, principalmente em uma sessão maldita de madrugada.

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3 Comentários

  1. Sérgio Coruja

    Apesar do visível baixo orçamento, vale pela atuação do Roberts Blossom e pelo humor negro.

  2. MORCEGO

    Um ótimo filme.
    Dramático e assustador.
    Recomendado.

  3. Lucas

    Parece ser bom , tenho que vê-lo !

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