Críticas

Agatha (2016)

Curta sombrio e com instigante sequência de imagens, mas que deixa a desejar no suspense

Agatha
Original:Agatha
Ano:2016•País:EUA
Direção:Timothy Vanderberg
Roteiro:Timothy Vanderberg
Produção:John Marchioni, Timothy Vanderberg
Elenco:Louise Ogle, Penny Kohut, Jessica Farmer

Agatha é o terceiro filme dirigido por Timothy Vanderberg e o primeiro completamente imerso no gênero horror. Com seus oito minutos, o curta tenta passar uma sensação sombria envolvendo a tal Agatha, mas acaba deixando a desejar justamente na criação do suspense.

A trama é bem simples: na Pensilvânia, de 1880, uma garotinha, aparentemente órfã, aceita um trabalho na casa de uma senhora onde deverá levar de comer a uma pessoa no sótão da casa, deixando sempre a comida sobre uma mesa próxima a cama e nunca (jamais!) ultrapassando esse limite. Assim que pega o primeiro prato a garotinha já estranha o universo envolvendo a mulher misteriosa: é um apetitoso petisco de carne crua!

Os dias vão passando e a órfã, mesmo assustada, continua seu trabalho por receber cada vez mais moedas por ele, como se essa sedução pela necessidade do dinheiro fosse mais forte que seu receio quanto a criatura. Toda essa trama é construída sempre apresentando flashs da mulher que habita o sótão e cenas onde a órfã passa perto de um portão misterioso na saída da casa.

Essas pistas narrativas são deixadas pelo caminho, buscando gerar uma ojeriza no espectador, entretanto, o clímax não é tão desenvolvido. Com o passar dos minutos você já consegue vislumbrar o que vai acontecer, justamente porque o suspense criado pela trama não aponta para outras alternativas, transformando aquilo que era para ser um ótimo thriller em algo ‘OK!’ e nada muito além disso.

Entretanto, mesmo com esse desenrolar não tão emocionante, o curta trabalha bem o ambiente e as imagens de época, você consegue sentir o tempo em que a história se passa e seu recorte social – ninguém precisa te dizer que a garota é órfã, isso já fica bem óbvio desde o início. Na realidade penso até que o filme seria mais interessante se fosse levado sem falas, apenas com a narrativa imagética. Talvez sem as introduções iniciais (únicas cenas que possuem falas) o suspense pudesse ser mantido por mais tempo, mesmo porque em seu clímax o curta explica através do discurso dessas imagens os passos do ocorrido, dessa forma, no desenvolvimento da trama os diálogos não se fazem necessários e o trabalho de câmera já consegue deixar tudo claro. Ponto para a direção!

Você lembra do videoclipe do RadioheadThere, there”? Agatha traz muito o ambiente desenvolvido pelo clipe. Nas duas produções a personagem conhece um ambiente e pensa estar habituado a ele, mas a sedução por algo reluzente (no curta o dinheiro e no clipe a roupa brilhante que aparece na floresta) faz com que certas fronteiras pareçam não tão distantes e as soluções para os problemas se dissipam ao serem engendrados em redes que os próprios protagonistas criaram.

Agatha chamou a atenção do público em festivais nos Estados Unidos, trabalhando com um ambiente sombrio e mostrando que muitas vezes dizer não a certas oportunidades é a melhor saída.

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2 Comentários

  1. Tem algum link oficial para ver na web?

    Abs

    • Luana

      Hey Humberto, infelizmente não tem link oficial para ver online, pois o filme ainda está circulando em festivais. Mas em breve deve aparecer na página do diretor no Vimeo.

      Abs

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