Críticas

O Caseiro (2016)

Suspense brazuca que é correto em sua concepção, mas prejudicado pela monotonia de sua execução

O Caseiro
Original:
Ano:2016•País:Brasil
Direção:Julio Santi
Roteiro:Julio Santi, Felipe Santi, João Segall
Produção:Rita Buzzar
Elenco:Bruno Garcia, Malu Rodrigues, Leopoldo Pacheco, Denise Weinberg, Annalara Prates, Bianca Batista, Victória Leister, Pedro Bosnich, Roberto Arduin, Fabio Takeo, Antonio Haddad Aguerre, Mirtes Nogueira, Julio Santi, João Segall

Construir um proverbial filme de gênero num cinema tão marcado pelo drama e pela comédia como o brasileiro é um tanto complicado. E embora o cenário venha mudando nos últimos anos, com filmes de horror, ação e suspense sendo lançados comercialmente, ainda não há terreno bem assentado para tal forma de cinema, de modo que muitos dos cineastas que se aventuram com suas ideias acabam, para o bem ou para o mal, sendo pioneiros e o sucesso de suas experiências pode ditar uma continuidade de produções similares.

A mais recente tentativa de se construir um suspense de horror sério no Brasil atende pelo nome de O Caseiro, produção de Julio Santi, estreante no gênero, que curiosamente bebe diretamente na fonte das convenções hollywoodianas, com resultados variando do eficiente ao constrangedor.

Bruno Garcia (também produtor associado) interpreta Davi, um professor de psicologia cético que atribui aos supostos fenômenos envolvendo fantasmas uma explicação exclusivamente científica. Um dia a jovem Renata (Malu Rodrigues) vai até ele buscando ajuda para sua irmãzinha, que parece estar sofrendo com a presença do antigo caseiro que se suicidou décadas antes no sítio de sua família. Decidido a ajudar a moça, ao mesmo tempo em que coleta dados para suas pesquisas, Davi vai até a casa da família, localizada no interior do estado, e desconfia que o pai da menina (Leopoldo Pacheco) possa ter algo a ver com o trauma pelo qual vem passando a garotinha.

Se a sinopse do parágrafo anterior soou genérica, isso não é à toa. Santi lança mão de diversos artifícios e até mesmo de uma estrutura narrativa idêntica a thrillers psicológicos estadunidenses. Exemplos disso vão do prólogo obrigatório para mostrar a origem do mal que assola os personagens, pistas falsas e um desfecho com plot twist. No entanto, é de se admirar que o realizador passe longe de soluções fáceis, como o apelo ao humor gratuito, ou a jumpscares, ambos recursos inexistentes na trama. Apoiando-se muito mais na interpretação de seu elenco e no silêncio que permeia o longa, o filme acerta principalmente na paleta de cores que o alemão Ulrich Burtin utiliza, em tons predominantemente acinzentados e dessaturados, ressaltando a sensação de isolamento e depressão. Por outro lado, algumas dessas escolhas acabam por sabotar o longa, como o fraco desempenho das crianças e um personagem monotônico entregue por Garcia, que muitas vezes leva o longa ao tédio. O terceiro ato ainda é uma bagunça, ao querer resolver subitamente os mistérios que propôs, gerando pouca ou nenhuma resposta catártica no espectador. A mixagem de som ainda parece sofrer um bocado com falas que parecem ter sido dubladas em excesso na pós-produção. Uma pena, pois parecia haver um filme muito bom por trás de conceito de O Caseiro.

Um adendo conveniente: O DVD original vem com audiodescrição e libras como recursos de acessibilidade.

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