Críticas, Games

Outlast (2013)

Um dos mais brilhantes jogos de terror da atualidade falha apenas em um fraco enredo

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Outlast
Original:Outlast
Ano:2013•País:Canadá
Desenvolvedora:Red Barrels •Distribuidora: Red Barrels

Uma verdade pouco questionável é que nos últimos tempos os jogos de survival horror passaram a perder bastante espaço, com algumas de suas principais franquias enveredando pelo segmento de ação. Por isso, lançado em 2013, Outlast não brilhou à toa. Considerado um dos jogos mais aterrorizantes desta geração, a obra conseguiu até mesmo dar um sopro de vida no mercado de games de horror.

Outlast é um survival horror em terceira pessoa no quesito mais puro da expressão. Sem nenhuma arma, seu protagonista não é um guerreiro. Miles Upshur é na verdade um jornalista que já no começo do jogo revela estar seguindo uma pista que o faz investigar o hospital psiquiátrico Mount Massive, no Colorado (EUA).

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O resultado é aterrador. O lugar está completamente tomado pelo mal, os pacientes estão fora de controle e um experimento monstruoso transformou o hospício num verdadeiro inferno. Assim que Miles percebe onde se meteu, seu objetivo é um só: sair de lá com vida.

Um dos fatos mais interessantes de Outlast é que menos se tornou mais. Não há armas no jogo e o inventário é mínimo. Miles está munido apenas de uma câmera de mão e um bloco de notas. A câmera possuí ainda o modo noturno, que consome bateria de forma bastante pesada, o que exige que o jogador a use-a de forma controlada e eficaz.

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O maior ponto positivo do jogo é realmente sua capacidade de gerar medo. Os espaços são claustrofóbicos e sombrios. E embora seja completamente linear, o gameplay é contagiante. Jogue a noite, no escuro e usando fones, que você terá uma sensação de aflição constante, ao mesmo tempo que não desejará parar.

Algumas sacadas são realmente interessantes em Outlast. Para Miles escrever suas notas, é necessário estar focando com a câmara em ambientes específicos. A respiração ofegante e batidas do coração em momentos mais tensos é tão forte no personagem, que às vezes achamos que aquele coração é o nosso mesmo. E algumas reviravoltas são de enlouquecer, como o protagonista perder sua câmera e se ver obrigado a voltar um longo caminho para pegá-la.

Os inimigos também são uma construção importante. Em geral, os pacientes estão em estado catatônico, ou traumatizados demais para lhe atacar, mas são eles os responsáveis pelos sustos e cenas mais pesadas. Em duas ou três vezes, cheguei a dar um grito ao ser pego de surpresa. O destaque fica para um gigante sem lábios que nos caça com real destreza por quase todo o jogo, enquanto exibi um sorriso masoquista. Mas é quando encontramos o “médico” responsável pelo instituto que temos realmente um dos melhores momentos de todo o game.

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Outlast possui um visual pesado. A violência gráfica é grotesca na maior parte do tempo. Mutilação e nudez acontecem o tempo todo. Até cenas sexuais bem bizarras são observáveis. E embora os gráficos não sejam os melhores para a nova geração de consoles e placas de vídeo, a ambientação cumpre muito bem sua proposta.

Ainda assim, mesmo com todo esse potencial de causar medo maior que muitos filmes de terror – por neles sermos meros expectadores passivos, enquanto num jogo somos ativo – Outlast falha em apresentar um enredo coeso. A história já é clichê demais por se passar num hospício com experimentos secretos nos pacientes. Fica pior quando envolve elementos demais, como o programa MK Ultra e ciência nazista. E após um clímax conturbado, nos dá um final pouco satisfatório, pra não dizer raivoso.

Outro defeito de Outlast é que o jogo acaba sendo repetitivo demais na resolução de alguns momentos chaves. E se você morre várias vezes no mesmo lugar, acaba aprendendo como resolver o problema, porque a reação dos inimigos é sempre a mesma. Além disso, embora Miles não lute em hipótese alguma, ele é ágil demais ao correr e pular, o que diminui o fator de desafio.

Mas os defeitos não tiram o prazer da experiência. Considerado indie, é impressionante como o jogo fez sucesso e hoje é responsável até por inspirar parte do novo formato de Resident Evil 7. A equipe do estúdio Red Barrels entregou um jogo muito acima da média entre os mesmos do gênero, com um sucesso que garantiu até mesmo uma continuação.

Outlast está disponível para PC, Playstation 4 e Xbox One. A análise foi feita em um Playstation 4.

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