Constantine – Episódio Piloto (2014)

Constantine (2014)

Constantine - Episódio Piloto
Original:Constantine - Pilot
Ano:2014•País:EUA
Direção:Neil Marshall
Roteiro:Daniel Cerone, Jamie Delano, Garth Ennis, David S. Goyer, Alan Moore
Produção:David S. Goyer
Elenco:Matt Ryan, Miles Anderson, Jeremy Davies, Lucy Griffiths, Charles Halford, Julia Lehman, Harold Perrineau

Vamos começar este texto com algo que já deve estar claro para todos os fãs de Hellblazer: a aguardada série de TV baseada nas aventuras do mago inglês John Constantine baseia-se nas novas histórias do personagem. Constantine agora é publicado pela DC Comics dentro do seu universo “Novos 52” e não mais pelo selo adulto da editora, a Vertigo. Sendo assim, não espere encontrar a relevância político-social do Constantine de Jaime Delano ou a profundidade das relações humanas de Garth Ennis. Este Constantine é aquele personagem raso da sua nova revista mensal que fala sempre com frases de efeito, é arrogante sem ser atraente e, a pior parte, sua magia se parece com superpoderes!

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Escrito pelo roteirista “qualquer-nota” e queridinho da Warner – algo que nem o próprio Constantine iria conseguir descobrir os motivos – David S. Goyer, que já mostrou a todos o quanto entende de adaptar quadrinhos com seu recente O Homem-de-Aço, e Daniel Cerone (de The Mentalist) e dirigido por Neil Marshall, que tem em sua filmografia os excelentes Abismo do Medo e Dog Soldiers, e que nos últimos anos acabou migrando para o universo das séries de TV, tendo inclusive dirigido alguns dos melhores episódios de Game of Thrones, este episódio piloto mostra John Constantine (Matt Ryan) internado em Ravenscar, um manicômio para fazê-lo esquecer da culpa pela condenação ao inferno da garotinha Astra, a qual tentou ajudar, mas não conseguiu.

Nosso herói então recebe uma mensagem do além, através de uma das pacientes do local que foi possuída por um espírito. Segue-se um exorcismo padrão, feito com a facilidade de quem escova os dentes e revela-se a mensagem: a filha de um velho amigo irá morrer. Constantine então resolve se dar alta e vai em auxílio da jovem Liv Aberdine, interpretada no piloto automático por Lucy Griffths, filha do seu falecido amigo Jasper, a quem John prometeu que a protegeria a qualquer custo. Liv descobre ser capaz de ver o mundo dos mortos. A partir daí o episódio segue a cartilha de qualquer enlatado genérico de horror no estilo Supernatural ou até Buffy.

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Temos o anjo misterioso Many (Harold Perrineau de Lost), criado para o seriado ignorando a grande quantidade de personagens equivalentes na mitologia dos quadrinhos, que entra e sai com frases enigmáticas, e Chas, talvez o único e maior amigo de John nos quadrinhos, que ao contrário das HQs onde o personagem sempre é arrastado à revelia para situações perigosas pelo seu grande amigo a quem sempre “deve uma”, aqui é um cara calado e que tem o poder de não morrer (!!!). Outra grande “sacada” de Goyer?

Para os fãs do Universo DC temos alguns easter eggs na cabana do pai de Liv, o que pode apontar um rumo interessante para a série no futuro, caso opte por expandir o universo místico da DC na TV assim como Arrow explorou o universo super-heroico, tendo até se expandido com o recente, e muito superior a Constantine, seriado do Flash.

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Matt Ryan se sai bem em sua caracterização como Constantine, principalmente se tomarmos como base o universo dos Novos 52. Caso a ambiguidade do personagem venha a ser explorada no decorrer da série, poderemos ter uma ideia melhor do trabalho de Ryan. Aliás, essa ambiguidade, que é essencial ao personagem e parte importante de sua personalidade, fica implícita em dois momentos do episódio piloto, sendo o principal deles durante a visita de John a Ritchie (Jeremy Davies de Lost), que, aparentemente, esteve com John durante os eventos que o levaram a se internar em Ravenscar, e quando Liv aceita a ajuda de Constantine para compreender seus novos poderes e entrega ao mago um mapa desenhado por seu pai, mostrando recentes manifestações místicas, o que aparentemente era o objetivo de John desde o começo.

E já que estamos falando das características do personagem, não posso deixar de tocar em um dos assuntos que mais foi comentado antes do vazamento do episódio piloto: a decisão dos produtores de que Constantine não iria fumar em seu seriado. O personagem aparece fumando sim, mas não como nos quadrinhos, onde fuma cerca de vinte cigarros por dia desde criança. Inclusive diversas cenas onde ele aparece no seriado parecem estar incompletas sem um Silk Cut nos lábios. Esse foi o primeiro alerta que percebi de que não deveria esperar muito da nova série de TV. Tem algo errado quando uma rede de TV onde seus personagens não podem fumar escolhe adaptar um cujas histórias já mostraram um demônio em forma de cão gigante estuprando um garoto nerd ou uma orgia de demônios comemorando a reeleição de Margaret Thatcher, só pra citar alguns exemplos.

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Sendo assim, não podemos esperar a adaptação para as telinhas do aclamado arco “Hábitos Perigosos” de Garth Ennis, onde Constantine descobre estar com câncer terminal de pulmões e engana os três demônios soberanos do inferno para lutar por sua alma e assim salvar-se da morte certa. Aliás, este arco serviu levemente para aquela outra bomba chamada Constantine, com Keanu Reeves.

Em um período em que aparentemente a DC aprendeu a levar seus personagens para a TV, Constantine até o momento se mostrou a primeira bola-fora. Porém, se as especulações estiverem certas e o episódio piloto ter sido “vazado” propositalmente para se testar a reação dos telespectadores, ainda temos tempo para corrigir o rumo da serie. Material de referência é que não falta!

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Rodrigo Ramos

Rodrigo Ramos

Designer por formação e apaixonado por HQs e Cinema de Horror desde pequeno. Ao contrário do que parece ele é um sujeito normal... a não ser quando é Lua Cheia. Contato: rodrigoramos@bocadoinferno.com.br

15 comentários em “Constantine – Episódio Piloto (2014)

  • 14/07/2014 em 12:19
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    Realmente achei bem fraco o Piloto, demorei a ir com a cara do Ator que interpreta o Constantine, a Liv realmente bem apagada e os demais não fedem e nem cheiram.
    Enfim o ponto que acho, que o piloto foi muito “corrido”, exorcismo, mortes, explosões, demons e em momento nenhum a história tinha um foco real,
    realmente eu espero que refaçam o piloto ou que melhore muito, acho que a história de Constantine tem muito pontencial e eu curto a versão blockbuster feita com o Keanu, vamos ver o que a NBC pode fazer pra melhorar, porque esse piloto foi beeeem fraco.

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  • 12/07/2014 em 13:03
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    Ninguém pode fumar na televisão aberta. Acredito que qualquer pessoa que se dá ao trabalho de escrever críticas de seriados já deveria saber disso.

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    • 14/07/2014 em 11:27
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      Aparentemente ninguém leu a crítica com atenção. Então meu “trabalho” realmente precisa ser repensado! 😉

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  • 12/07/2014 em 12:32
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    Se foi escrito pelo mesmo roteirista do Homem de Aço então vou ver, já que ele conseguiu colocar bolas no super, que antes era um bostinha.

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    • 14/07/2014 em 11:28
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      Eu particularmente acho o Goyer um cara que não entende nada de quadrinhos, muito menos de cinema. Já de cifras, marketing e dados demográficos, disso ele entende muito bem.

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  • 09/07/2014 em 00:57
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    Achei o piloto chato com atores chatos, o ator que faz Constantine estava exageradíssimo, NBC é mestre em matar séries.

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  • 07/07/2014 em 16:55
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    Fazendo um balanço da série, achei a mesma coisa, mas na certa vai agradar o público em geral se souberem trabalhar, mas falar que o Flash foi melhor é absurdo. Prefiro mais este Constantine dos Novos 52 do que aquele chapolim colorado emulado.

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    • 07/07/2014 em 19:48
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      Tu viu o piloto do Flash? Achei melhor “adaptado”. Não é a transcrição direta dos quadrinhos, mas soube pescar os elementos certos e inserir elementos de série de TV mais “encaixados”.

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  • 06/07/2014 em 00:55
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    Sério mesmo que a crítica do episódio é que ele é ruim pois Constantine não passa quarenta minutos de exibição com um cigarro na boca?

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    • 07/07/2014 em 11:24
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      vc deveria apreender a ler a critica inteira e não apenas o final

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    • 10/07/2014 em 15:20
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      Olá Bruno,
      Se você ler com atenção o meu texto, irá notar que me refiro à decisão de uma emissora que proíbe que seus personagens fumem, em adaptar um personagem que possui, entre suas características principais, a de ser um fumante inveterado, que chegou a ter câncer terminal em uma de suas mais importantes e emblemáticas sagas. Até o filme que não aproveitou muita coisa do personagem original, usou esse arco dos quadrinhos como base para seu roteiro. Esta irrelevância de uma história tão importante para a emissora, já sinalizava que o que viria por aí poderia não levar muito em conta o que tanto gostamos no personagem.

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  • 05/07/2014 em 11:06
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    O Constantine do Keanu, apesar de fugir do cânone do personagem, se comparado com a serie, é melhor, pq não fica preso na censura. A serie corre o risco de virar mas um Sobrenatural em vez de seguir a linha de Penny Dreadful.

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  • 05/07/2014 em 01:47
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    Eu não sou um conhecedor de HQs mas assisto muitos filmes e gostei muito de constantine o filme,e quando vi o trailer dessa serie foi um desanimo pra mim,provavelmente não vou assistir…

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