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Jovens Bruxas: Nova Irmandade
Original:The Craft: Legacy
Ano:2020•País:EUA
Direção:Zoe Lister-Jones
Roteiro:Zoe Lister-Jones, Peter Filardi
Produção:Jason Blum, Lucy Fisher, Douglas Wick
Elenco:Cailee Spaeny, Zoey Luna, Gideon Adlon, Lovie Simone, David Duchovny, Michelle Monaghan, Nicholas Galitzine, Julian Grey, Charles Vandervaart, Donald MacLean Jr., Fairuza Balk, Hannah Gordon, Chris Tomassetti, Kris Siddiqi, James Madge, Victor Chiu, Devin Cecchetto, Debbie Fan

Revisitar franquias, seja através de continuações improváveis ou reboots, tem sido uma tendência que justifica a falta de ideias. É claro que a nostalgia de rever personagens e a fórmula que construiu a estrutura que tornou a produção cult pode ser interessante, assim como os realizadores sabem do perigo que irão enfrentar: ora, até que ponto vale a pena mudar tudo e até que ponto repetir conceitos trará bons resultados? Se criar algo exageradamente novo, irá ofender os saudosistas; se reutilizar o livro de receitas, soará apenas oportunista. De todo modo, o lançamento do longa Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor (Practical Magic 2, 2026), sequência do água com açúcar Da Magia à Sedução (Practical Magic, 1998), me fez recordar desta outra produção, que propôs uma lembrança do terror teen eficiente Jovens Bruxas (The Craft, 1996).

O primeiro foi lançado no despertar dos slashers teens — ou revigoração dos slashers —, no mesmo ano do surgimento de Pânico (Scream, 1996). Contando com dois atores do longa de Wes Craven, Neve Campbell e Skeet Ulrich, o filme soube relacionar amadurecimento com o horror sobrenatural, propondo algo mais intenso que um romance adolescente ou uma versão dark de As Patricinhas de Beverly Hills (Clueless, 1995), que vinha de uma influência indireta do filme Buffy, A Caça-Vampiros (Buffy the Vampire Slayer, 1992). Com a boa aceitação do original, desde 2010, uma sequência direta-para-o-vídeo começou a ser planejada, sem grandes evoluções para um farol verde de realização. Em 2016, a Sony Pictures anunciou que Leigh Janiak (da série Scream) iria comandar a parte 2, mas a repercursão negativa dos fãs fez a distribuidora dar um passo para trás.

Foi então que, em 2019, o projeto foi aceito, tendo Zoe Lister-Jones como diretora e roteirista com a produção da Blumhouse. Em entrevistas, Lister-Jones anunciava que o longa mostraria um novo grupo de jovens ganhando poderes em um contexto atual. Isto é, já deixava a entender que o novo filme seria uma cópia carbono atualizada, imaginando como seria se Jovens Bruxas fosse lançado às portas da pandemia, dos streamings, do avanço tecnológico, das redes sociais. Para não ficar tão distante de 1996, Nancy Downs (Fairuza Balk), que foi a bruxa ambiciosa do primeiro, aparecia nos créditos para uma participação especial. E coloca especial nisso, se considerar que a personagem aparece em menos de três segundos em cena e só tem uma fala!

Repetindo o argumento do original, Lily Schechner (Cailee Spaeny, a Rain de Alien: Romulus, 2024) acaba de se mudar com a mãe terapeuta, Helen (Michelle Monaghan, de MaXXXine, 2024), para a casa do namorado Adam Harrison (David Duchovny, daquela série de ficção científica pouco conhecida), que possui três filhos, Jacob (Charles Vandervaart), Isaiah (Donald MacLean Jr.) e Abe (Julian Grey). Dificuldade de adaptação inicial, depois que ela menstrua na escola e é ironizada pelo valentão Timmy Andrews (Nicholas Galitzine, o novo He-Man de Mestres do Universo, 2026), com a força do pensamento ela o atira longe, chamando a atenção de três jovens bruxas que frequentam a instituição: Frankie (Gideon Adlon, de Isolamento Mortal, 2022), Tabby (Lovie Simone) e Lourdes (Zoey Luna), que, como as três do primeiro filme, procuram uma quarta bruxinha. Se esse começo o fez lembrar de Carrie, personagem de Stephen King, parabéns — você ganhou um ponto na classificação dos fãs de horror.

Lily se amiga das demais, participando das brincadeiras de magia como a da levitação (lembra do “mais leve que a pluma…“?), enxergando auras, mudando o comportamento de Timmy, soltando faíscas pelo dedo, com uma trilha sonora agitadinha para mostrar a mudança de tempo. Mas, como você já imagina, logo a situação vai fugir ao controle, seja pela repreensão de Adam, ou quando um dado feitiço parece ter levado alguém à morte. Para mudar em relação ao primeiro, não é a novata que irá enfrentar as outras três, mas estas que irão cessar o coven quando percebem que uma atitude de Lily foi longe de mais. E haverá, claro, um duelo de bruxaria que não é novidade desde a animação Fantasia, lançada pela Disney em 1940.

Sem uma atmosfera aterrorizante, sem aquele tom apocalíptico, o final é bem anticlimático, óbvio e sem graça. Jovens Bruxas: Nova Irmandade tem muito mais aparência de Sessão da Tarde que o primeiro, além de ser bobo e tão tedioso quanto conjurar faíscas na primeira semana em Hogwarts. O enredo, de Lister-Jones e Peter Filardi, é desinteressante e pouco inovador; os efeitos especiais modernos são pouco explorados, assim como o tal contexto atual. E, para piorar, as novas bruxas não têm um pingo de carisma, não encantam, não nos fazem torcer por qualquer situação que seja. Parece mesmo um filme feito para a TV como Esqueceram de Mim 3 e outras continuações que tentam manter a mesma ideia, trocam o elenco e soam apenas oportunistas.

Com sono, fiquei torcendo até o final pela aparição de Nancy Downs para dar um agito na narrativa, mas seu “retorno” deve ter envolvido um cachê de direito de imagem apenas, similar ao uso de uma fotografia ou citação à personagem. Talvez nem precisasse de algo além disso mesmo, se a ideia era apenas referenciar a marca.

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