5
(2)

A Vítima
Original:Phii khon pen
Ano:2006•País:Tailândia
Direção:Monthon Arayangkoon
Roteiro:Monthon Arayangkoon
Produção:Paiboon Pupraduk
Elenco:Pitchanart Sakakorn, Apasiri Nitibhon, Penpak Sirikul, Chokchai Charoensuk

Desde pequena, a bela Ting sonhou em alcançar o sucesso como atriz, mas o máximo que conseguiu foram algumas participações em plateias de programas de auditório. Certo dia, a jovem e um amigo conversam distraídos em uma mesa de bar enquanto, para surpresa de todos, na televisão é exibido um programa no qual ela aparece por alguns segundos. Numa mesa ao lado, um tenente da polícia ouve a conversa e oferece à garota uma oportunidade única de emprego: atuar como vítima na reconstituição de um crime. A princípio, Ting não aceita. Mas quando vê na primeira página de um jornal a reconstituição de um assassinato, percebe que esta pode ser a sua chance de ficar famosa.

Ting consegue impressionar aos policiais e aos jornalistas, já na sua primeira reconstituição. O realismo com que representa o sofrimento da vitima sendo esfaqueada é tão grande que o próprio assassino acaba se entregando. Rapidamente Ting torna-se uma celebridade entre os policiais. Contudo, o que nem a jovem atriz percebe é que os espíritos das verdadeiras vítimas estão ao seu lado durante as reconstituições que se transforma uma “repetição” dos verdadeiros crimes.

Mas a grande oportunidade de Ting surge com um caso de repercussão internacional: o desaparecimento de Meen, a ex-Miss Tailândia. Embora a polícia não tenha encontrado o corpo, as evidências apontam o ex-marido como assassino. Ting se apresenta como voluntária, mas a corporação prefere que uma de suas oficiais represente a vítima. Coincidentemente, na noite anterior à reconstituição, a policial que se passaria por Meen sofre um ataque cardíaco. A partir deste momento, acontecimentos inexplicáveis colocam Ting na cena do crime e frente-a-frente com o verdadeiro assassino.

(O parágrafo abaixo contém SPOILERS)

Esta é a sinopse dos primeiros quarenta minutos. A situação se resolve, o assassino é punido e o espectador se pergunta, vai acabar já? Durante o que podemos chamar de “primeiro” clímax, quando Ting enfrenta o vilão, ouvimos um “CORTA!”. E atordoados descobrimos que na verdade Ting está num set de filmagens, atuando numa produção sobre a vida e o assassinato da ex-miss. Um filme dentro do filme. Ambicioso, não? E começa então uma nova trama, quase independente dos acontecimentos narrados na primeira metade do filme. Nesta segunda história, a equipe técnica e os atores que trabalham na produção do filme sobre a miss são atormentados por misteriosas aparições.

Como houve uma certa simpatia entre este que vos escreve e a produção em questão, vou ignorar as inevitáveis referências “capilares” aos grandes clássicos do cinema de horror oriental, Ju-on e Ringu. Falando em inevitabilidades, assim como a produção japonesa de filmes de terror ficou conhecida como J-Horror, a coreana de K-Horror, a crescente produção de filmes do gênero na Tailândia acabou sendo chamada de T-Horror.

A Vítima foi rodado na Tailândia em 2006. O leitor mais antenado sabe que não é o primeiro terror produzido no país. Espíritos – A Morte está ao seu Lado foi a grande sensação entre os fãs do gênero nos anos de 2004/2005. Outros títulos de menor destaque surgiram nos anos seguintes, como por exemplo: Espíritos 2 – Você Nunca Está Sozinho (Alone, 2007), Dorm, O Espírito (Dorm, 2006), A Arte do Demônio (Art of Devil, 2005), Atormentados (Ghost of Mae Nak, 2005) e o insano 13 Beloved (2007).

Ousado, complexo e ambicioso, A Vítima pode parecer um pouco confuso em seu desfecho. Para isto há uma solução infalível: o controle remoto. Depois de assistir novamente o final, a compreensão da segunda metade da trama pode (e deve) ficar bem mais clara. Para o espectador acostumado ao cinema pasteurizado americano, a cultura religiosa tailandesa presente no filme e as nuances do idioma tailandês que se perdem no processo de tradução das legendas podem aumentar mais um pouco a sensação de estranheza em determinadas sequências.

Existe ainda um detalhe um tanto mórbido quanto as locações de A Vítima. Supostamente, o filme foi rodado em cenários onde realmente aconteceram assassinatos. Não que isso faça muita diferença para nós, brasileiros. Mas os orientais, de modo geral e tailandeses neste caso específico, são extremamente espiritualizados. Não são apenas religiosos, eles realmente acreditam em espíritos e fantasmas. Daí o grande sucesso por lá dos filmes cuja temática muitas vezes se resume a um fantasma-em-busca-de-vingança.

O filme foi dirigido por Monthon Arayangkoon, que traz em seu currículo, além de A Vítima, o mediano e obscuro suspense Garuda – A Criatura Assassina (Paksa wayu, 2004), sobre um ser alado que desperta das escavações de um metrô, e o horror inédito por aqui The House (Baan phii sing, 2007), que tem no enredo uma curiosidade semelhante com um detalhe de A Vítima: uma casa onde foram cometidos assassinatos na vida real. O elenco, encabeçado pela bela (e desconhecida) Pitchanart Sakakor, traz ainda Penpak Sirikul interpretando Fai, a amante da ex-Miss (sim, por lá também existe amor entre duas garotas). Anteriormente ela interpretou a personagem Maggie no ótimo (e já citado) 13 Beloved. A enxuta trilha sonora praticamente se resume a ruídos e batidas, que em alguns momentos soam um tanto irritantes.

Uma outra deficiência de A Vítima são os fracos efeitos especiais. Na segunda metade do filme, a artificialidade e o excesso de efeitos acabam atenuando um pouco o suspense. É o velho defeito de “mostrar muito”. O filme também não é indicado para aqueles que procuram filmes violentos ou com muito sangue. A violência é contida, e o horror está presente apenas na presença dos espíritos. Uma outra seqüência desnecessária é a “homenagem” a “passada de mão” coletiva do remake americano Pulse.

A Vítima foi lançado no Brasil pela distribuidora Platina Filmes, que tem em seu catálogo os ótimos longas do renomado cineasta Chan-wook Park, Mr. Vingança e Lady Vingança. No disco, como extras apenas biografias, trailers de lançamentos e comentário dos atores (não em áudio, mas em formato de texto).

Enfim, não se engane com a capinha horrível ou a falta de originalidade do título (A Vítima parece mais nome de novela da Globo). Aliás, o título adotado internacionalmente também não é lá muito criativo: Spirit of the Victim (algo como Espírito da Vítima). Não que A Vítima seja uma obra-prima, na verdade está longe disso. Mas se encaixa sossegado na categoria não é tão ruim assim.

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 5 / 5. Número de votos: 2

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

Sobre o Autor

2 Comentários

  1. até me interessei,e olha que eu nem sou muito de terror oriental.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *