
![]() O Apanhador de Sonhos
Original:Dreamcatcher
Ano:2003•País:EUA, Austrália Direção:Lawrence Kasdan Roteiro:William Goldman, Stephen King, Lawrence Kasdan Produção:Lawrence Kasdan, Charles Okun Elenco:Morgan Freeman, Thomas Jane, Jason Lee, Damian Lewis, Timothy Olyphant, Tom Sizemore, Donnie Wahlberg, Mikey Holekamp, Reece Thompson, Giacomo Baessato, Joel Palmer, Andrew Robb, Eric Keenleyside, Rosemary Dunsmore, Michael O'Neill |
Após estrear nos Estados Unidos em 21/03/03, pouco menos de um mês depois, em 18/04, entrou rapidamente em cartaz nos cinemas brasileiros mais um filme inspirado numa história do Mestre do Horror Moderno Stephen King. Trata-se de O Apanhador de Sonhos (Dreamcatcher), dirigido por Lawrence Kasdan e com os experientes Morgan Freeman e Tom Sizemore no elenco, numa mistura de horror com elementos de ficção científica. O roteiro foi escrito por William Goldman, que já havia adaptado anteriormente outros dois livros de King para o cinema, Louca Obsessão (Misery, 1990) e Lembranças de um Verão (Hearts in Atlantis, 2001), produzidos pela Castle Rock Entertaiment.
Na pequena cidade de Derry, no Estado americano de Maine (terra natal de King e cenário de muitas de suas histórias), um grupo de quatro jovens amigos, Henry (Mike Holekamp), Jonesy (Giacomo Baessato), Beaver (Reece Thompson) e Pete (Joel Palmer) salvam um garoto deficiente mental e com poderes especiais telepáticos chamado Duddits (Andrew Robb) que estava sendo molestado por uma gangue de adolescentes. A partir desse incidente, o grupo de garotos recebe de Duddits como presente de gratidão um dom sobrenatural de premonição e uma capacidade de se comunicar telepaticamente, criando um forte vínculo entre eles e reforçando ainda mais a amizade existente.
Vinte anos depois, o grupo volta a se reunir numa cabana isolada numa floresta envolvida por tempestade de neve. Já adultos, o psiquiatra Dr. Henry Devlin (Thomas Jane), o professor universitário Gary Jonesy Jones (Damian Lewis), o vendedor de carros Pete Moore (Timothy Olyphant) e o marceneiro Joe Beaver Clarendon (Jason Lee) encontram um homem perdido na floresta com uma estranha e misteriosa doença que deixa uma marca vermelha no rosto, e cujo corpo serviu de incubadora para uma criatura mortal (numa referência ao clássico Alien, o Oitavo Passageiro, 1979, de Ridley Scott, e também pelo nome Ripley batizado como a doença alienígena, homenageando a famosa heroína de mesmo nome interpretada por Sigourney Weaver). A partir daí, eles se envolvem novamente com o agora adulto paranormal Duddits (Donnie Wahlberg), presenciam e combatem uma tentativa de invasão alienígena e enfrentam um grupo especial de militares, liderados pelo austero Coronel Abraham Curtis (Morgan Freeman) e o Capitão Owen Underhill (Tom Sizemore), que isolam a área decretando estado de quarentena, e que secretamente estão investigando as ações dos alienígenas hostis no planeta já há vinte e cinco longos anos.
O Apanhador de Sonhos é mais um filme comum que situa-se apenas na média das dezenas de produções inspiradas em obras de Stephen King. O roteiro é até interessante, numa mistura de horror, ficção científica (com influências notáveis de filmes similares como Invasores de Corpos (1978) e O Enigma de Outro Mundo (1982), que por sua vez já eram refilmagens dos clássicos Vampiros de Almas/1956 e O Monstro do Ártico (1951), respectivamente), e uma forte amizade entre um grupo de jovens (tema que já havia sido bem explorado no filme Conta Comigo, de 1986). Mas sua trama é convencional num imenso desfile de clichês e situações previsíveis já vistas inúmeras vezes. Algumas cenas e diálogos propositadamente cômicos (principalmente a cargo do personagem Pete) são totalmente desnecessários. Em filmes sérios de horror o ideal seria evitar as tentativas equivocadas de inserir elementos de humor, a não ser em casos explícitos de paródia ou homenagem a outros filmes, como por exemplo os excelentes e super divertidos A Volta dos Mortos-Vivos (The Return of the Living Dead, 1985) e Malditas Aranhas! (Eight Legged Freaks, 2001), pois dificilmente o crossover entre horror sério e humor traz um resultado satisfatório.
Os personagens dos militares interpretados por Morgan Freeman e Tom Sizemore são arquétipos banais que não convencem, e que já foram explorados à exaustão pelo cinema, desperdiçando os talentos de seus experientes atores. Não faltou também o tradicional clichê de rivalidade entre as diversas organizações secretas do exército, envolvendo nesse caso um conflito particular do Coronel Curtis (Freeman) com o General Matheson (Michael O’Neill).
O personagem de Duddits, mesmo sendo deficiente mental, protagoniza alguns momentos difíceis de assimilar em atitudes que beiram o ridículo, principalmente na sua fase adulta. E seria interessante também uma redução na duração dos longos 136 minutos para algo em torno de pouco menos de duas horas, pois o filme não tem uma dinâmica capaz de sustentar a longa metragem.
De positivo, destacam-se uma cena inicial com o violento atropelamento do personagem Jonesy (interessante notar que o próprio Stephen King sofreu uma tragédia similar em sua vida em junho de 1999, e Dreamcatcher foi o primeiro livro publicado que ele escreveu após esse grave atropelamento que quase o matou); a bela fotografia de um ambiente de claustrofobia numa cabana no meio de uma floresta coberta pela neve (lembrando situação parecida com o hotel assombrado e isolado de O Iluminado, 1980); a interessante forma como foi apresentada a memória no cérebro do personagem Jonesy, dividida por setores e depósitos de arquivos pessoais (ele que havia sido possuído por um dos alienígenas); os eficientes efeitos especiais dos extraterrestres (destacando as asquerosas enguias assassinas, com suas bocas repletas de dentes afiadíssimos); a ótima sequência de ataque dos helicópteros do exército ao local do acidente de uma imensa e belíssima nave alienígena encravada na floresta, com seus tripulantes à deriva e tentando confundir as mentes dos pilotos da frota de ataque com mensagens de socorro; e o inevitável confronto final entre Duddits e um líder alienígena num desfecho revelador. O título nacional foi bem escolhido, limitando-se a apenas traduzir corretamente o original em inglês, Dreamcatcher (ou O Apanhador de Sonhos).
Aliás, os responsáveis pela definição dos nomes dos filmes estrangeiros no Brasil deveriam simplificar sempre seu trabalho e procurar apenas traduzir literalmente para o nosso idioma os títulos originais, com raras exceções onde torna-se necessário uma adaptação do nome nacional por questões comerciais.
O diretor Lawrence Kasdan é conhecido principalmente como roteirista de filmes de grande sucesso de público como Os Caçadores da Arca Perdida (1981), de Steven Spielberg, e dois episódios da primeira trilogia filmada da franquia Star Wars, criada por George Lucas, O Império Contra-Ataca (1980) e O Retorno de Jedi (1983). Na direção, foi o responsável por dois excelentes westerns modernos, Silverado (1985) e Wyatt Earp (1994), ambos com Kevin Costner.
Como curiosidade, é interessante mencionar que Dreamcatcher é realmente uma lenda indígena americana sobre um filtro dos sonhos, um aro de ramos entrelaçados numa complexa teia de fonte de energia, por onde passam os sonhos bons que viajam pela noite fluindo tranquilamente até as pessoas que dormem, e por onde também são aprisionados os pesadelos até sucumbirem com o final da noite e a chegada das primeiras luzes do dia. E outro fato curioso foi que Stephen King cobrou simbolicamente apenas US$ 1,00 pelos direitos de produção do filme, procurando não se envolver com o roteiro, devido às várias experiências anteriores com adaptações de suas histórias para as telas e as quais não foram bem sucedidas, não contribuindo satisfatoriamente para seu legado de sucesso na literatura, pois muitos dos filmes inspirados em sua obra foram mal recebidos por seus fãs.
Enfim, O Apanhador de Sonhos não é um filme empolgante e nem destaca-se na filmografia de Stephen King. Mas ainda assim garante alguns bons momentos de diversão, numa história de horror e invasão alienígena. E também desperta um interesse especial principalmente por ser baseado em história do mestre do horror moderno.
Porém, em minha opinião os melhores filmes inspirados na consagrada obra literária de King continuam sendo os primeiros filmados há mais de 20 anos como Carrie, a Estranha (Carrie, 1976) e principalmente O Iluminado (The Shining, 1980, dirigido por Stanley Kubrick e que estranhamente Stephen King não gostou, gerando uma curiosa polêmica entre eles na época); ou ainda mais recentemente como O Cemitério Maldito (Pet Sematary, 1989) e Louca Obsessão (Misery, 1990).






Umas das piores adaptações do mestre Stephen King para o cinema.
Decepção total
Gostei do filme, o livro é enorme assim como o nosso desespero pelo destino dos protagonistas.
Eu nunca assisti esse filme inteiro, mas a cena que eu vi foi bem nojenta.
esse filme é bizarro demais,nem acredito que é um conto do titio Stephen King,apesar de não ser ele quem dirige essa pérola.