
![]() Monstros
Original:Monsters
Ano:2010•País:UK Direção:Gareth Edwards Roteiro:Gareth Edwards Produção:Allan Niblo, James Richardson Elenco:Scoot McNairy, Whitney Able, Mario Zuniga Benavides, Annalee Jefferies, Kerry Valderrama, Paul Archer, Ricky Catter |
Aproveitando o debut brasileiro na edição de 2010 do Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, fui conferir o tão falado Monstros (Monsters), uma produção Britânica de ficção científica sem a ficção e sem a ciência. Um Cloverfield misturado com Distrito 9 (contudo sem a filmagem realista) com viés mais de romance e drama, características que infelizmente não se sustentam muito bem dentro da própria narrativa simples e acaba virando um filme medíocre, sem muita emoção.
Na película dirigida por Gareth Edwards, há seis anos no passado os Estados Unidos lançou uma sonda espacial que acabou caindo no México, porém o que ela trouxe foram criaturas que se tornam gigantescas e agressivas a ponto de fazer o governo dos dois países fechar suas fronteiras e estabelecer uma “zona proibida”, uma terra de ninguém dominada pelos monstros, onde são jogados elementos tóxicos pelos aviões estadunidenses com o intento de impedir a proliferação destas criaturas enquanto ainda são pequenas o que força o uso quase constante de máscaras de gás pelos moradores das cercanias.
O negócio é que de vez em quando um dos monstros consegue escapar das barreiras da zona de contenção e aterroriza os habitantes ora do México, ora dos Estados Unidos. Neste cenário um fotógrafo chamado Andrew (Scoot McNairy) é recrutado pelo seu patrão para buscar sua filha Samantha (Whitney Able) no México e trazê-la em segurança para casa.
O que se segue é tão obvio quanto sem novidades para quem já viu um par de filmes da Julia Roberts: Andrew é aquele cara bem humorado e responsável, mas largado e sem muitas papas na língua. Samantha é a filhinha de papai rico que não encontrou a felicidade com com o que tem (e em primeiro lugar, sinceramente, eu ainda não faço ideia de o que ela estava fazendo no México). E os dois se conhecem um pouco mais, encontram o que faltam um no outro, se envolvem romanticamente, porém são impedidos do contato físico, pois Samantha está noiva.
Acontece que eles precisam pegar o último barco com destino aos Estados Unidos, mas após uma série de eventos desafortunados, envolvendo bebedeira principalmente, que fariam Homer Simpson bater a mão na testa e dizer “D’oh!” eles se vêem forçados a buscar seu caminho pela floresta a pé, por dentro do lugar onde os monstros estão, após pagar um bom dinheiro a um mexicano inescrupuloso.
E é basicamente isso, os tais monstros residentes na “zona infectada” são só um MacGuffin para criar uma situação de perigo iminente, estabelecer laços do relacionamento entre o casal e uma analogia a Guerra talvez, mas como isso não é importante para o roteiro, poderia ser qualquer outra coisa que funcionaria da forma como nos é apresentada.
Certamente vai se decepcionar se assistir o filme esperando saber mais sobre como funcionam estes grandes bichos que parecem um misto dos Tripods de Guerra dos Mundos e um grande polvo. Eles aliás quase não aparecem, mas tenho que dar a mão a palmatória: Se o divulgado orçamento de 15 mil dólares é de verdade, o trabalho nos efeitos é fantástico. Não somente nas criaturas mas na quantidade total de elementos de cena que mesmo claramente feitos em computador, são espetaculares levado em consideração a pouca grana disponível.
Como o romance não desperta muito interesse, as motivações dos personagens são risíveis e os elementos de ficção não são destacados, o que sobra? Muito pouco é a resposta, algumas boas reflexões sobre a guerra e a pobreza, pois o exercito mesmo tendo os monstros como alvo acabam matando muito mais civis do que os supostos antagonistas e também coloca em pauta a inversão de valores sobre o que as pessoas são capazes de fazer para viver. Andrew solta a melhor linha de diálogo numa conversa com Samantha indagado pela vontade de fotografar o mórbido: “Sabe quanto seu pai me paga pela foto de uma criança morta por uma criatura? 50 mil dólares. Sabe quanto ele paga pela foto de uma criança feliz? Nada.”
Poucos alívios cômicos e nenhum momento de tensão, Monstros é uma produção que “não fede nem cheira” se levarmos em consideração o título e a forma com que é vendido. Pode até servir de passatempo aos mais afoitos ou aos que por ventura queiram um sabor agridoce em seu filme de ficção científica, porém não vai muito mais além disso. Neste caso prefira as duas produções de referência no primeiro parágrafo deste texto que irão se sair melhor.




Eu gostei muito do trailer, me lembrou Cloverfild e Arrival, vc’s tem um link pra indicar online??
muuuuuuuuuuuito fraco esse filme.