May – Obsessão Assassina (2002)

May (2002)

May - Obsessão Assassina
Original:May
Ano:2002•País:EUA
Direção:Lucky McKee
Roteiro:Lucky McKee
Produção:Marius Balchunas, Scott Sturgeon
Elenco:Angela Bettis, Jeremy Sisto, Anna Faris, James Duval, Nichole Hiltz, Kevin Gage, Chandler Riley Hecht, Nora Zehetner, Will Estes, Roxanne Day

Se você não pode achar um amigo… faça um

Imaginemos uma garota perturbada e traumatizada desde sua infância por um problema físico, no caso um olho defeituoso por causa de um estrabismo, no melhor estilo da perigosa e vingativa Carrie (do filme Carrie, a Estranha, 1976, de Brian De Palma e baseado em livro de Stephen King, e que curiosamente foi interpretado pela mesma Angela Bettis num remake para a TV no mesmo ano). E misturando elementos do clássico Frankenstein, baseado na obra da escritora Mary Shelley, adaptada para o cinema numa infinidade de versões, através da concepção macabra de uma criatura formada por partes de corpos humanos. O resultado dessa interessante mistura deu origem ao filme May – Obsessão Assassina (May, 2002), que poderia ter sido lançado nos cinemas brasileiros, mas preferiram comercialmente apenas colocá-lo diretamente no mercado de vídeo.

A história apresenta a estranha May Dove Canady, interpretada pela atriz Chandler Riley Hecht quando criança e por Angela Bettis quando adolescente, uma moça que nasceu com um problema em um dos olhos, obrigando-a a escondê-lo de seus amigos e recebendo de castigo uma vida excluída da sociedade normal. Vivendo com os pais (Kevin Gage e Merle Kennedy), sua única companhia é uma boneca de aspecto estranho chamada Suzie, que ganhou de sua mãe e que fica sempre dentro de um compartimento fechado de vidro, e com quem conversa constantemente. Já adolescente, e vivendo agora sozinha, porém ainda esquisita e tímida e com o estrabismo de seu olho corrigido por uma lente de contato, ela sempre teve dificuldades nos relacionamentos amorosos, como com o jovem Adam Stubbs (Jeremy Sisto, de Pânico na Floresta), um estudante de cinema, e com a bela, sensual e lésbica Polly (Anna Faris, da franquia Todo Mundo em Pânico), colega de trabalho em seu emprego como assistente numa clínica de animais, de propriedade de um veterinário estrangeiro (Ken Davitian).

May (2002) (1)

Uma vez decepcionada com suas tentativas frustradas de novas amizades, May descobre que as pessoas são cheias de falhas e somente partes delas são perfeitas. Revoltada, ela decide colocar em prática um plano maquiavélico e insano, o de criar um ser perfeito como amigo, formado através das melhores partes físicas de outras pessoas, devidamente amputadas e costuradas, já que May sempre demonstrou habilidade em costurar suas próprias roupas, além de trabalhar como assistente em operações de animais e estudar livros sobre amputação. O resultado foi a criação macabra de um ser formado pelas mãos de Adam, o pescoço de Polly, as pernas de Ambrosia (Nichole Hiltz), uma namorada de Polly, e os braços de um punk tatuado. A criatura foi batizada de Amy (Tricia Kelly), um anagrama de May, reservando um desfecho completamente perturbador e memorável.

Tudo o que eu quero…é que olhem para mim – May, em desespero pelo sentimento de rejeição.

May – Obsessão Assassina é um filme de horror diferente e “estranho”. A mistura de Carrie com Frankenstein funcionou de forma interessante, onde somos apresentados vagarosamente ao drama pessoal de May, uma garota alienada desde a infância e que devido às frustrações amorosas decide montar uma criatura com os melhores pedaços de seus amigos. A história é pausada, contada num ritmo lento de pouca ação, e as cenas de morte, sangue e violência gráfica são apenas discretas. Angela Bettis está muito bem fazendo o papel de uma jovem estranha e desajustada, demonstrando um grau de insanidade crescente capaz de levá-la a cometer assassinatos, conseguindo manter a atenção do espectador ao seu drama particular. E o final, com um sutil toque sobrenatural, é digno de se manter na lembrança como uma mistura diferenciada de violência e compaixão. Assim como as pessoas que se aproximaram de May afirmaram que se sentiam atraídas pelo jeito “estranho” da moça, o filme também exerce um fascínio e atração no espectador justamente por suas características “estranhas”.

May (2002) (2)

Como curiosidades, o diretor italiano Dario Argento é homenageado através da citação de seu filme Trauma (93), quando o aspirante a cineasta Adam diz para May que iria ver o filme numa tarde de folga, e também pelo poster de Terror na Ópera (87) pendurado no quarto dele. Aliás, Adam demonstra ser apreciador do cinema de horror e escatologia quando mostra para May seu mórbido curta metragem independente chamado Jake and Jill. O filme, fotografado em preto e branco, mostra um casal de namorados que estão inicialmente trocando carícias numa praça, e cuja relação se transforma em violentos atos de canibalismo entre eles, com direito a mordidas e carne dilacerada com sangue para todos os lados. Esse pequeno filme foi na verdade interpretado por Jesse Hlubik (Jake) e Jennifer Grant (Jill), e dirigido por Chris Silvertson, com os efeitos especiais criados por Zach Passero.

Algumas cenas de destaque são os assassinatos de Polly, com cortes precisos de navalha em seu pescoço, e de Ambrosia, que estava segurando um pacote de leite quando foi golpeada por May, com seu sangue se misturando ao leite no chão, num efeito bizarro de combinação entre o fluído vital vermelho e o branco do líquido que serve de importante alimento.

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May – Obsessão Assassina foi lançado no mercado de vídeo nacional em 10/02/04, pela FlashStar. E confirmando a mania desagradável de se acrescentar subtítulos aos filmes que chegam ao Brasil, May não escapou dessa regra e ganhou um desnecessário complemento de seu nome original como Obsessão Assassina, provavelmente para enfatizar comercialmente as características de horror do argumento. A capa da fita VHS traz alguns erros de nomes nos créditos, demonstrando uma falta de cuidado maior na revisão: os sobrenomes das atrizes Angela Bettis e Anna Faris estão escritos de forma errada na ficha técnica, como Berris e Fais respectivamente. E o trabalho das legendas se equivocou ao chamar o sobrenome da família de May como Kennedy, sendo que o correto é Canady. Uma melhor pesquisa sobre o assunto evitaria esse erro.

Curiosamente, o diretor Lucky McKee e o produtor John Veague aparecem rapidamente no filme em pequenas pontas não creditadas. Aliás, Lucky McKee é responsável pelo terror A Floresta, que traz Bruce Campbell no elenco, o herói da série The Evil Dead, de Sam Raimi, e, em 2011, faria o elogiado The Woman – Nem Todo Monstro Vive na Selva.

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O elenco de May – Obsessão Assassina é jovem e pouco conhecido. A protagonista principal, Angela Bettis, que fez o papel da malévola May, nasceu em 1975 e esteve antes em Garota Interrompida (99), A Filha da Luz (2000) e no papel da psicótica Carrie White, numa longa versão para a televisão produzida em 2002 e dirigida por David Carson. Já a bela Anna Faris, nascida em 1976, é mais reconhecida pelo papel de Cindy Campbell nos filmes da franquia Todo Mundo em Pânico (Scary Movie), especializada em satirizar outros filmes, principalmente de horror. Ela também participou do thriller Pânico em Lovers Lane (99).

N.E. Curiosamente, após May – Obsessão Assassina, Angella Bettis dirigiu Roman, estrelado por Lucky McKee, num filme elogiado e considerado a versão masculina desta produção.

Dia dos Namorados (9)

Tenha cuidado… ela pode levar o seu coração.

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Juvenatrix

Juvenatrix

Uma criatura da noite tão antiga quanto seu próprio poder sombrio. As palavras são suas servas e sua paixão pelo Horror é a sua motivação nesse Inferno Digital.

9 comentários em “May – Obsessão Assassina (2002)

  • 04/02/2017 em 05:54
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    O filme é surpreendentemente muito bom e a atuação de Angela Bettis é digna de aplausos. A atriz está excelente no papel. A absurda cena com as crianças cegas derrubando a boneca ao tentar tirá-la da caixa e, sem seguida, rastejando sobre os estilhaços é uma metáfora completa com toda a situação de May. Ao ser retirada da bolha (da caixa) em que vivia, as pessoas que cegamente a viam de forma superficial, começaram a machucá-la de algum modo. Quando May recolhe os pedaços da boneca, já era tarde demais, agora ela não estava mais vivendo em uma caixa e não precisava se preocupar em evitar maldade para com os outros.

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  • 06/07/2014 em 19:21
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    Ótimo filme, diferente de tudo produzido até então no gênero, combinando com eficiência diversos aspectos de vários gêneros diferentes, como humor negro, romance, drama, suspense, fantasia e terror. Excelente!

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  • 13/10/2013 em 23:05
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    Eu só vi um pedaço desse filme na TV, mas fiquei com muita vontade de ver. Não vejo a hora de lançarem All Cheerleaders Die, desse mesmo diretor.

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  • 29/08/2013 em 16:51
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    Vlw pela indicação é um ótimo filme.como sou tarado por filmes com humor negro adorei assistir may.O unico problema é q n é um filme facil de achar pq n é muito popular…

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  • 26/06/2013 em 22:43
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    Eu ficava “desconfortável” com esse filme. Ele é muito bom, mas não era bem o que eu tava acostumado na minha adolescência como um tarado por teen slashers. Mas talvez tenha sido May um dos primeiros filmes fora daquele meu estilo favorito que me fez criar gosto por outras temáticas dentro do gênero. Angela tá de bater palmas com aquela cara de maníaca silenciosa (como é que os outros personagens não se sentiam em perigo perto dela só de olhar pro seu rosto? hehe!). E a cena final… dramática e inesperada por conta do toque sobrenatural que o filme inteiro em nenhum momento nos levou a acreditar que existiria!

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  • 14/06/2013 em 09:11
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    rapaz,já tinha ouvido falar desse filme,e fiquei com muita vontade de ver agora.

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  • 13/06/2013 em 14:36
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    O filme é perfeito e a atuação de Angella Bettis foi magnifica! Nota 10!

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