Dark Glasses (2022)

3.6
(10)

Dark Glasses
Original:Occhiali neri
Ano:2022•País:Itália, França
Direção:Dario Argento
Roteiro:Dario Argento, Franco Ferrini
Produção:Conchita Airoldi, Laurentina Guidotti, Brahim Chioua, Noemie Devide, Vincent Maraval
Elenco:Ilenia Pastorelli, Asia Argento, Andrea Zhang, Andrea Gherpelli, Mario Pirrello, Maria Rosaria Russo, Gennaro Iaccarino.

A acompanhante, ou melhor, prostituta de luxo, Diana, interpretada por Ilenia Pastorelli, fica cega (daí os “Óculos Escuros” do título) ao se envolver em um acidente automobilístico quando fugia de um ataque de um maníaco (Andrea Gherpelli) que estava matando outras mulheres da mesma profissão na região. A partir de então, enquanto está se adaptando à sua nova condição, ela conhece e começa a ter um relacionamento com o garoto Chin (Andrea Zhang), que ficou órfão no mesmo acidente que a cegou. Mas o psicopata continua a persegui-la, para terminar o “serviço” que começou.

Este é o primeiro filme de Argento desde o pavoroso (mas não no bom sentido) Drácula 3D, de 2012, com o diretor voltando a temas que lhe são confortáveis e que ele sabe apresentar muito melhor. Não chega a ser exatamente um giallo, subgênero que ele ajudou a definir, mas tem muitos elementos que trazem um eco muito forte. Afinal, seria muito difícil ter um filme de Argento onde não se encontrasse elementos do giallo (bem) usados esparsamente. Talvez só em Dracula 3D.

Dark Glasses não é, nem de longe, o melhor filme de Argento, e nem pode ser considerado um bom exemplar da carreira do diretor, mas é um com seus bons momentos. A história é simples e tem um começo direto, para em seguida se dedicar ao desenvolvimento das consequências da proposta inicial. O destaque fica para a visão e o estilo de direção de Argento, a sua forma peculiar de contar uma história, que aqui, neste caso, se distancia do onírico presente em sua obra.

Mesmo não sendo um “bom Argento”, é um filme que cumpre a proposta muito bem, entregando uma boa diversão e um suspense que prende a atenção do espectador, ainda que com seus defeitos e alguns problemas de roteiro. O elenco tem seus altos e baixos, com atuações boas e competentes, e outras nem tanto. Ele é razoavelmente previsível (ainda mais para quem conhece o trabalho de Argento), o que também pode ser visto como um respeito ou homenagem ao gênero ou aos temas usados.

Há um certo balanço entre os elementos que o diretor adora utilizar. Como as mortes um tanto gráficas e mais ou menos exageradas, mas nada comparado aos seus filmes dos anos 1970 e 1980, talvez numa versão mais comportada. Por outro lado, há também temas novos, ou melhor, pouco usados anteriormente por Argento, como a relação de amizade improvável da prostituta com o garoto órfão, e o próprio tema da final girl.

O filme originalmente era pra ter sido feito em 2002, mas a falência da empresa do produtor Vittorio Cecchi Gori acabou engavetando o projeto, que foi descoberto meio que acidentalmente por Asia Argento, quando estava escrevendo sua autobiografia, em 2020. Asia também é produtora do filme, além de atuar nele.

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Rogerio Saladino

Rogerio Saladino é escritor, jornalista, editor, tradutor e autor, atuando nas áreas de quadrinhos, literatura, RPG e cultura pop. Um entusiasta do terror em todas suas formas e, inexplicavelmente, adora a série Puppetmaster, mesmo consciente da sua qualidade duvidosa.

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