4.6
(17)

Exhuma
Original:Pamyo
Ano:2024•País:Coreia do Sul
Direção:Jang Jae-hyun
Roteiro:Jang Jae-hyun
Produção:Park Hyeong Jin, Kwon Ji Yong
Elenco:Kim Go-eun, Choi Min-sik, Lee Do-hyun, Jung Yun-Ha, Yoo Hae-jin, Hong Seo-jun, Jeon Jin-ki, Kim Jae-cheol, Derek Chouinard, Lee Jong-goo, Baek Seung-chul

Pode ser que Exhuma figure em algumas listas dos melhores filmes de 2024. Não seria estranho ver o novo longa de Jang Jae-hyun disputando a atenção entre os elogiados A Primeira Profecia, Abigail e Lisa Frankenstein – quem sabe Alien: Romulus, MaXXXine e Nosferatu também estejam na briga? Trata-se de um horror com a marca coreana de criatividade, elementos culturais e religiosos e preciosos aspectos técnicos, remetendo ao excelente O Lamento (The Wailing / Gokseong, 2016), de Na Hong-jin. Jae-hyun já havia deixado evidências de sua capacidade de contar histórias de ocultismo em outros ótimos filmes como A Casa dos Desaparecidos (Si-gan-wi-ui jib, 2017) e O Mistério das Garotas Perdidas (Sabaha, 2019), mas, com Exhuma, ele se sobressaiu.

No enredo, os xamãs Hwa-rim (Kim Go-eun) e seu protegido, Bong-gil (Lee Do-hyun), acostumados a fazer rituais de proteção espiritual, são chamados por uma família rica para tentar entender uma estranha doença ou fenômeno que atormenta um bebê recém-nascido. Ao mesmo tempo, a trama apresenta o mestre de Feng Shui Kim Sang-deok (Choi Min-sik, de Oldboy e Eu Vi o Diabo) e seu parceiro funerário Yeong-geun (Yoo Hae-jin), acostumados a desenterrar corpos e analisar o terreno onde estão para a realização de leituras energéticas e apoio espiritual. O grupo se envolve com a oferta financeiramente interessante, descobrindo uma maldição que eles chamam de “Grave’s Call“, com a presença de um espírito vingativo. Uma possível solução, sugerida pelo patriarca Park Ji-Yong (Kim Jae-cheol), seria acalmar a entidade migrando o caixão de lugar ou cremando-o.

O túmulo está estranhamente localizado numa montanha, na fronteira com a Coreia do Norte, de difícil acesso e circundada na mata por raposas, o que já estabelece um atmosfera de que uma força poderosa habita o lugar. Ji-yong traz desconfiança aos investigadores do sobrenatural ao dizer que a escolha do enterro se deve a ladrões de túmulos da época e a uma indicação do monge Gisune. Assim, Hwa-rim sugere a realização de um ritual durante o processo de exumação para evitar uma possível maldição ou ameaça da entidade envolvida. Durante o processo, um dos ajudantes mata uma cobra com cabeça humana, o que traz mau presságio e chuva, impedindo a finalização. Ao conduzir o caixão a um local nas proximidades, a tentativa de roubar um possível tesouro escondido finalmente liberta o espírito.

A partir de então, os xamãs vão precisar unir forças para enfrentar o poderoso ser, disposto a eliminar seus familiares. Mas a criatividade da produção vai além disso. Não se trata de mais uma produção sobre combate a uma ameaça sobrenatural vingativa, até porque a tal maldição se encerra com a destruição do caixão. E o filme está apenas na metade, havendo mais coisas enterradas naquele local maldito, como um ghoul, na forma de um samurai resistente que se movimenta como uma bola de fogo. Para entender o que estão enfrentando, talvez seja preciso estudar o passado do tal monge, analisar registros e buscar um meio de enfrentá-lo.

Dividido em capítulos, Exhuma é banhado em tradição oriental, tendo momentos de um horror sangrento para outros de cultura e investigação. É provável que esse lado de exposição do folclore coreano não traga os atrativos que os fãs do gênero apreciam ou estejam dispostos a entender, mas esse apanhado cultural é bem interessante pelas práticas ritualistas, pelo passeio por crenças budistas, pelo xamanismo coreano e principalmente pelo feng shui. Nada é didático ou força a compreensão do espectador, ainda mais se este abraçou o longa O Lamento, por exemplo.

Além da religiosidade e tradição, Exhuma também aborda aspectos históricos, como o colonialismo, a opressão e a ocupação japonesa durante a Segunda Guerra Mundial, visto também sob outro prisma na segunda temporada da série The Terror. Tudo diluído em um terror atmosférico e profundo, com excelentes efeitos especiais e ótimas atuações, surpreendendo o público a cada ato, justificando os bons alcances de bilheteria na Coreia do Sul, na venda de mais de 10 milhões de ingressos, depois de um mês de sua estreia. A taxa de aprovação está superior a 90%, com bem mais críticas positivas do que os que o consideram mediano ou ruim.

Assim, Exhuma deve cavar ainda mais apreciadores com o tempo, ainda mais com um repertório rico em assombrações e cultura. E o melhor de tudo é que dificilmente terá uma refilmagem americana, pois precisaria serem feitas adaptações culturais e mais explicações para o espectador do ocidente. Melhor que fique onde está.

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1 comentário

  1. Muito legal! A cena do ritual é magnífica!

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