![]() Lenda Urbana 3: A Vingança de Mary
Original:Urban Legends: Bloody Mary
Ano:2005•País:EUA Direção:Mary Lambert Roteiro:Dan Harris, Michael Dougherty Produção:Aaron Merrell, Scott Messer, Louis Phillips Elenco:Kate Mara, Robert Vito, Tina Lifford, Ed Marinaro, Michael Coe, Lillith Fields, Nancy Everhard, Audra Lea Keener, Don Shanks |
No primeiro filme, Lenda Urbana (1998), a personagem de Rebecca Gayheart brinca com uma colega ao tentar invocar Bloody Mary, uma entidade que disputa com a Loira do Banheiro o papel da figura folclórica mais aterrorizante dentre as assombrações de espelhos e banheiros. A “brincadeira de invocação” passou da tentativa de descobrir o futuro marido para um contato com uma mulher envolta em sangue, com o nome Mary, em referência a cruel Mary Tudor, que assumiu a realeza da Inglaterra, Irlanda e posteriormente Espanha, ou Mary Worth, que matou escravos no sul dos EUA. Há também associações a Elizabeth Báthory (1560–1614), conhecida como a Condessa de Sangue, que assassinava jovens e se banhava de sangue. De toda forma ou vestimenta, Brenda não teve tanto sucesso quanto Samantha Owens (Kate Mara) e suas amigas, despertando a vingança de um fantasma que passou a utilizar as lendas urbanas para infernizar os jovens de uma escola.
O roteiro de Dan Harris e Michael Dougherty (da antologia Contos do Dia das Bruxas e Godzilla vs Kong) começa em 1969, quando três atletas do ensino médio decidem drogar e sequestrar seus pares durante o baile de formatura. Mary Banner (Lillith Fields) é a única que não bebe o ponche batizado, e tenta fugir pelo próprio ambiente escolar, encontrando seu fim nos depósitos, presa em um baú. Não se sabe porque ela não tentou voltar ao baile para pedir ajuda aos professores ou algum funcionário.
Trinta e cinco anos depois, Samantha e as amigas Martha (Hailey Evans) e Mindy (Olesya Rulin) fazem a invocação de Bloody Mary, sentem uma presença sobrenatural, e desaparecem. São vistas novamente um dia depois, alegando que acordaram em um moinho abandonado, mas são desacreditadas na escola, com alguns sugerindo que elas possam ter feito uma brincadeira para chamar a atenção. Enquanto passa a ser visitada por uma mulher morta, com a cabeça sangrando, Samantha tem somente o apoio de seu irmão David (Robert Vito), que desconfia da participação dos esportistas da escola.
Esses mesmos jovens são mortos em circunstâncias que trazem relação com lendas urbanas: Roger (Brandon Sacks) é queimado vivo numa câmera de bronzeamento artificial, algo que talvez tenha servido de inspiração para a dupla morte em Premonição 3 (2006); Tom (Nate Herd) é eletrocutado ao urinar próximo a uma cerca elétrica, tendo o dedo arrancado; e Buck (Michael Coe) encontra o dedo do amigo na garrafa de bebida e revive a lenda do “humanos também sabem lamber“. E há também Heather (Audra Lea Keener), cujo rosto é destruído pelo surgimento de aranhas de sua bochecha, em efeitos ao estilo Lavalantula.
A relação com as lendas levam Samantha e David a pesquisarem sobre os episódios contados nos filmes anteriores, como do professor que matou os estudantes de uma universidade de cinema — o jornalzinho faz uma bagunça entre as informações, o que imagino que seja uma brincadeira de confusão entre lendas. Logo descobrem que Grace Taylor (Tina Lifford), uma das moças sequestradas em 1969, e que, sem razão alguma, tem fixação por lendas urbanas, ainda vive, entre viagens através de variados tipos de drogas. A busca por respostas e por uma forma de impedir a matança de Mary contra os descendentes do episódio de 69 levarão Samantha a confrontar o assassino do passado.
Lenda Urbana 3: A Vingança de Mary fecha o caixão de uma franquia problemática. Um roteiro-clichê, que não disfarça seus furos, e os péssimos efeitos especiais tornam a experiência em ver o filme um tormento. Desde as aparições de Mary com aquelas lentes de contato usadas em filmes ruins até as já mencionadas aranhas e corpos expostos, o longa é uma tortura a quem procura um slasher sobrenatural pelo menos divertido: e ainda deve ter inspirado o péssimo Eu Sempre Vou Saber o que Vocês Fizeram no Verão Passado (2006), que também mistura assombrações a uma franquia que não pedia uma parte 3. Há um evidente subtexto sobre a cultura do estupro, envolvendo garotas drogadas por jovens, mas não é bem explorado pelo enredo, soando mais como brincadeira de adolescente do que um alerta.
Se você mencionar três vezes Mary Lambert, pode ser que a diretora retorne para fazer mais um filme ruim. Embora seja a responsável pelo excepcional Cemitério Maldito (1989), ela depois passaria a comandar clipes musicais e filmes para a TV, com créditos na direção a coisas como O Sótão (2007) e Mega Python vs. Gatoroid (2011). Poderia ser uma referência no gênero com mais trabalhos bem conceituados, porém optou por filmes convencionais como a própria continuação do longa inspirado em Stephen King. E infelizmente não se trata de uma lenda urbana, contada apenas nas rodas de conversa.






