Antes de despertar um demônio egípcio, a filmografia de Lee Cronin só trazia como destaques o horror The Hole in the Ground (2019) e A Morte do Demônio: A Ascensão (Evil Dead Rise, 2023), um novo capítulo da franquia Evil Dead, iniciada em 1982 (ou 81 para alguns). Os três filmes possuem semelhanças que o colocam em uma mesma família de produções que abordam a relação entre a mãe e seus filhos às voltas com uma entidade sobrenatural. A coincidência na temática, principalmente entre os dois últimos filmes do diretor, tem uma intenção maior que apenas apontar uma escolha de mesma estrutura narrativa, mas um parentesco proposital.
As primeiras análises de Maldição da Múmia estão divididas: há quem não o tenha visto como bons olhos (vide a crítica de Marcelo Marchi para o Boca do Inferno) e há quem tenha achado divertido o festival de sangreira splatter e a escatologia da proposta. Particularmente, faço parte desse segundo grupo, tendo me banhado de gosmas com as ideias insanas de Cronin como a ousada sequência que se passa em um velório, algo que também referencia Arraste-me Para o Inferno (Drag me to Hell, 2009), também do Raimi, e as brincadeiras do enredo (o apelido da menina ser borboleta; o falar com as mãos do pai; a boneca atirada pela sacada…). Se terminasse alguns minutos antes, seria um típico quatro caveiras, destacando-se como um dos mais divertidos de 2026 até o momento.
É claro que a comparação com A Morte do Demônio se mostra inevitável. Demônios saltando entre corpos, automutilação, a voz que tenta enganar a presa, como a que ficava presa no porão ou atrás de uma porta tentando convencer a liberá-la. Em entrevista ao Collider, Cronin confirmou as suspeitas e conexões ao dizer que é possível encontrar vestígios do DNA de A Morte do Demônio: A Ascensão para os mais atentos. “Eu definitivamente pensei nisso“, e depois dá a dica, “Se você prestar atenção ao nome do professor arqueólogo do filme… ele pode ser parente distante de alguns personagens-chave de Evil Dead Rise.”
É provável que a conexão se estabeleça ainda mais nos próximos dois filmes da franquia, Evil Dead Burn, de Sébastien Vanicek (Infestação, 2023), com estreia prevista para julho deste ano; e Evil Dead Wrath, de Francis Galluppi, com lançamento em abril de 2028 — ambos com produção de Lee Cronin, Sam Raimi e Rob Tapert. Como já foi confirmado por Raimi, até mesmo o suposto remake A Morte do Demônio (2013) se conecta com a trilogia anterior e aos três filmes seguintes, incluindo a série Ash Vs Evil Dead. Não como um multiverso, mas a expansão de um mesmo, tendo escritos antigos como a chave de invocação do mal morto.
É interessante, principalmente para os fãs de A Morte do Demônio, conectar produções na formação de uma longa franquia de entidades que possuem corpos e querem devorar almas. E saber que o cineasta pensou mesmo em abrigar sua múmia demoníaca a esse mundo torna tudo ainda mais sangrento e divertido.
Maldição da Múmia, que já faturou mais de U$30 milhões de dólares em bilheteria, está em cartaz nos cinemas. Você já viu? O que achou?

