![]() Maldição da Múmia
Original:The Mummy
Ano:2026•País:Irlanda, EUA Direção:Lee Cronin Roteiro:Lee Cronin Produção:Jason Blum, John Keville, James Wan Elenco:Jack Reynor, Laia Costa, May Calamawy, Natalie Grace, Shylo Molina, Billie Roy, Veronica Falcón, Hayat Kamille, Emily Mitchell, Tim Seyfi |
Que dor pode ser maior para um pai e uma mãe do que ver uma de suas crianças desaparecer? E que maior alívio pode haver do que descobrir, anos depois, que essa criança está viva e retornará para casa? Porém, é nesse momento supostamente feliz que a maldição tem início para a família Cannon. E, em certa medida, para o público também.
Maldição da Múmia (Lee Cronin’s The Mummy, 2026) é um projeto que já surgiu cercado de problemas e expectativas. No primeiro campo, havia o fato de que o filme foi produzido próximo da época em que foi anunciado o quarto capítulo da querida franquia A Múmia (The Mummy, 1999 – 2008), aquela estrelada por Brendan Fraser, o que começou a gerar confusão entre o público. Já no terreno das expectativas, trata-se do filme que sucede o ótimo A Morte do Demônio: A Ascensão (Evil Dead Rise, 2023) na filmografia de Cronin. Além disso, é a primeira grande tentativa de emplacar essa criatura clássica desde o malfadado A Múmia (The Mummy, 2017), estrelado por Tom Cruise e que deveria ter dado origem ao universo compartilhado dos Monstros da Universal, o Dark Universe. Por fim, é o terceiro filme da reimaginação desses monstros promovida pela Blumhouse, após as boas surpresas de O Homem Invisível (The Invisible Man, 2020) e Lobisomem (Wolf Man, 2025) (este último, ao menos para mim).
Assim, deixar claro já no título que essa é a múmia de Lee Cronin parece uma tentativa de resolver tanto os problemas quanto as expectativas. Não, não é a múmia do Brendan Fraser, nem a do Tom Cruise, é a múmia do promissor diretor do filme mais recente da franquia Evil Dead, e, tal como as reimaginações dirigidas por Leigh Whannell, essa tem a assinatura de um autor. Mas o que pode parecer um bom sinal – já que o cinemão americano contemporâneo carece mesmo de filmes mais autorais – logo se mostra uma manobra meio egocêntrica e exagerada, considerando-se que Cronin ainda não possui uma carreira tão longa e tão brilhante, e, pior de tudo, o filme, convenhamos, não tem tanta personalidade assim.
Retomando o que contei sobre o enredo no primeiro parágrafo, a desaparecida Katie (Natalie Grace) retorna ao convívio com o pai, Charlie (Jack Reynor), a mãe, Larissa (Laia Costa), o irmão, Seb (Shylo Molina), a irmã que ainda não conhece, Maud (Billie Roy), e a avó, Carmen (Veronica Falcón). O problema é que Katie havia sido retirada de um sarcófago com alguns milhares de anos e desembrulhada de bandagens contendo enigmáticos caracteres. A partir daí, seu comportamento cada vez mais assustador e violento irá tragar a família em uma espiral de terror e sangue.
Contando assim, parece que Cronin vai fundo na mitologia egípcia, não é? No entanto, Maldição da Múmia é apenas mais uma história de possessão demoníaca no seio familiar, bem parecida com a última que o diretor nos entregou e apelando a todos os clichês desse subgênero, só que disfarçada de um filme de múmia. Sai o iraquiano Pazuzu, entra o egípcio Nama-sei-lá-o-quê.
A investigação sobre o que aconteceu com Katie durante os oito anos em que esteve sumida tinha potencial para ser a parte mais interessante da história, e aquela na qual Cronin poderia se deleitar com o imaginário do Antigo Egito, já que na casa dos Cannon não está acontecendo nada que não tenhamos visto dezenas de outras vezes. Contudo, até mesmo essa subtrama descamba para soluções fáceis e pouco inspiradas.
Não sei se foi por conta dos meus ouvidos de crítico pobre, pouco habituados ao IMAX, mas até mesmo um secador de cabelo vira jump scare no longa. Então, prepare-se para perder parte da sua audição sempre que o diretor achar que as imagens não se sustentam por si só e sentar o dedo no volume na tentativa de extrair alguma reação do seu público (dica: é quase o tempo todo).
Há de se elogiar a performance de Natalie Grace como Katie, bem como a maquiagem do filme como um todo, especialmente no início do retorno de Katie para casa, quando detalhes sutis em seu rosto e seu corpo fazem-na exalar um misto de incômodo e fragilidade.
O clímax também não é de todo mau, subindo várias notas na sinfonia de horror e gore que o diretor vinha construindo. Fica o aviso aos de estômago mais sensível: Maldição da Múmia é nojento, embora isso combine com a proposta do longa.
Sem dúvida, essa é de longe a mais fraca das reimaginações dos Monstros da Universal que a Blumhouse produziu. É a múmia de Lee Cronin. Mas poderia ser de qualquer outro diretor. E poderia ser qualquer outro monstro.






