![]() Love Brides of the Blood Mummy
Original:El secreto de la momia egipcia
Ano:1973•País:Espanha, França Direção:Alejandro Martí Roteiro:Julio Salvador, Vincent Didier Produção:Pierre Belfond, Jean-Claude Roblin Elenco:Jorge Rigaud, Michael Flynn, Catherine Franck, Frank Braña, Teresa Gimpera, Jenny Clève |
Uma múmia vampira, despertada como a Criatura de Frankenstein, em um softporn que só poderia fazer parte da eurotrash! Love Brides of the Blood Mummy, com o título original El secreto de la momia egipcia, e podendo também ser encontrado como Lips of Blood (talvez a inspiração para o título do longa de Jean Rollin de 1975), faz parte das pérolas bagaceiras do exploitation que somente os arqueólogos de filmes ruins devem conhecer. Basicamente há um multiverso de múmias mal despertadas desde a época em que Rafael Portillo propôs a trilogia Azteca, e depois Stephen C. Apostolof partiu para uma orgia bizarra em 1965, podendo incluir na mesma prateleira Dawn of the Mummy (1981) e os exemplares do cinema moderno.
O longa é o único conhecido de Alejandro Martí, que tem poucos créditos significativos, com associação à produção de três filmes e roteiro de cinco — além de Love Brides of the Blood Mummy, ele dirigiu apenas o obscuro Elisabet (1968), que só ele viu. Ele tem o apoio do roteiro de Vincent Didier, em seu único crédito, e Julio Salvador, que no mesmo ano comandaria outra bizarrice, Hannah, na Ilha dos Vampiros (La tumba de la isla maldita). Outro crédito que chama a atenção é do diretor de fotografia Raymond Heil, com outros trabalhos no eurotrash como O Monstro do Dr. Orloff (La vie amoureuse de l’homme invisible, 1970), O Exorcista Diabolico (L’éventreur de Notre-Dame, 1975) e Crimson – A Cor do Terror (Las ratas no duermen de noche, 1976) — todos lançados por aqui em DVD na coleção Clássicos do Terror. Pode-se dizer que a fotografia de Heil é um dos únicos destaques do filme, com referências góticas e belíssimas paisagens litorâneas.
Elas já são apresentadas durante os créditos iniciais, no passeio a cavalo de James Barton (Frank Braña, de O Terror da Serra Elétrica, 1982, e O Retorno dos Mortos Vivos, 1973), afirmando ser um egiptólogo em busca do Castelo de Dartmoor. As poucas informações que possui vem de uma senhorinha e uma jovem muda, chamada Anne (Teresa Gimpera, de Conde Drácula, 70, A Noite dos Demônios, 1972 e a Hannah, do já mencionado filme), que teria fugido do local e está há dois meses sem pronunciar uma palavra sequer, dado o horror enfrentado. Não convencendo como especialista em múmias — precisa algo além de um crachá escrito à mão e afixado na roupa — ele é orientado a seguir a costa até visualizar a estrutura do castelo, com acréscimos de que está indo para um ambiente maldito e aterrorizante.
Assim que adentra as portas abertas da fortaleza, encontra o servo, também sem falas, John, e depois o anfitrião, o Conde Dartmoor (Jorge Rigaud, de Uma Lagartixa num Corpo de Mulher, 1971), que, no momento faz algo comum em qualquer casa por aí, açoitando um braço decepado e acorrentado a uma parede. Com o poder de ler mentes e transformar cajados em cobras em stop motion, Dartmoor afirma que o visitante não é egiptólogo, e, sim, um policial (falei que aquele papelzinho não convencia ninguém). Dizendo que irá decidir sobre o destino de Barton na manhã seguinte, Dartmoor começa a narrar sua fantástica história.
Ocultista e colecionador, dois meses antes Dartmoor comprou um sarcófago no Vale dos Reis. Espantado pela múmia presente não estar coberta de farrapos e bem preservada (não borrou nem a maquiagem), ele traduz um papiro que veio junto (tipo bula de remédio) e descobre quem ele foi: filho de um padre, a múmia de cabelo tijelinha foi um homem condenado à morte e teve a língua arrancada (mais um mudo). Para evitar sua morte, seu pai o embalsamou, colocando-o em hibernação, sem extrair suas vísceras. Curioso, Dartmoor estudou as teorias de Mesmer, Galvani e uma antiga lenda indiana, e fez uso de cobre e zinco, além da corrente elétrica, para despertar o adormecido.
Ainda que tenha acordado, ele permanece deitado, rejeita o copo de leite e se alimenta do sangue de John, a partir de um corte. Assim, o Conde ordena a seu servo que traga sangue fresco para alimentar sua múmia de estimação. Embora pudesse trazer de algum animal, o capataz sequestra uma jovem que acabou de se despedir de seu companheiro, um marinheiro. No local, um pouco de sangue da moça reanima a múmia, que ainda a violenta, antes de morder seu pescoço e matá-la. O segundo ato do filme é uma repetição de cenas de perseguição de jovens, insinuação de estupro e pescoço com marcas de sangue. O marinheiro até segue os passos durante um outro sequestro, mas não é páreo para o ser sobrenatural, que ainda aprisiona Dartmoor e hipnotiza John para que seja seu servo. A maior preocupação do Conde é que sua filha, Lucille (Catherine Franck), está em vias de retornar ao castelo e poderá ser mais uma vítima da múmia vampira estupradora.
Lançado em pelo menos três versões — há uma sem nudez e com violência discreta e outras mais ousadas e eróticas —, Love Brides of the Blood Mummy é bem ruinzinho mesmo. Pouco acontece em seus 93 minutos, além de perseguição, moças sendo torturadas e cenas de sexo, resultando em uma obra apelativa e de mau gosto. E caso você cochile entre um momento e outro, não se preocupe: no último ato, o policial do crachá escrito à mão vai dormir e ter um sonho-trailer, resumindo tudo o que aconteceu antes.
Com cenas sob o olhar do perseguidor e uso do fadeout, até mesmo as coreografias de luta, com os socos de John para nocautear as sequestradas ou o marinheiro, são bem artificiais, ficando claro que não houve o toque físico. Cenas de correria por vales e moradias, múmia apalpando corpos, um braço se movimentando em stop motion, trilha de rock progressivo e atuações risíveis completam o combo eurotrash.
Love Brides of the Blood Mummy tenta emular o cinema de Jesus Franco e Jean Rollin, mas falha miseravelmente. Não funciona como produção de horror e nem sexploitation, sendo apenas mais um exemplar apelativo do período.







