Tem gente que medita. Tem gente que faz yoga. E tem a gente, infernautas degenerados, que encontram paz de espírito vendo adolescentes sendo perseguidos por um maníaco mascarado numa cabana isolada. E quer saber? A ciência finalmente resolveu parar de nos julgar.
Sim, assistir filmes de terror faz bem para saúde. E não, isso não é desculpa esfarrapada criada por fãs de Terrifier tentando justificar o sexto banho de sangue da semana. A neurociência realmente tem algumas explicações bem interessantes para aquele conforto estranho que sentimos vendo tripas voarem pela tela enquanto mastigamos salgadinho no sofá.
O terror funciona quase como um parque de diversões emocional. O cérebro entende que estamos diante de uma ameaça — mesmo que fictícia — e responde liberando dopamina, adrenalina e endorfinas. Na prática, é como se o corpo gritasse “CORRE!” enquanto a mente responde “calma, é só o Jason degolando campistas”. Esse “medo controlado” cria uma espécie de ensaio emocional: enfrentamos perigo, tensão, perda e desespero…, mas em segurança, protegidos por um cobertor e pela distância confortável entre nós e o demônio da vez.
E isso ajuda mais do que parece.
Pesquisadores apontam que filmes de terror podem aliviar o estresse justamente porque funcionam como uma válvula de escape emocional. Em vez de ficar surtando com boleto, chefe insuportável ou o caos absoluto do mundo moderno, o cérebro troca temporariamente essas preocupações por algo muito mais urgente: “NÃO ABRE ESSA PORTA!”. Quando o filme acaba e sobrevivemos junto com a final girl, vem aquela sensação deliciosa de alívio. É quase terapêutico.
Aliás, talvez seja por isso que tanta gente recorre aos slashers bagaceiros depois de um dia horrível. Não precisa de roteiro complexo, metáfora social ou plot twist digno de Christopher Nolan. Às vezes tudo que a alma cansada precisa é de uma criatura deformada atravessando uma parede com uma motosserra.
Além do efeito psicológico, o terror também pode provocar benefícios físicos. Um estudo da Universidade de Westminster, publicado em 2012, revelou que assistir a filmes de terror pode queimar até 113 calorias em 90 minutos. Isso mesmo: dependendo do susto, você pode sair de O Massacre da Serra Elétrica mais perto de completar a cardio do dia.
A explicação é simples: sustos repentinos aumentam a frequência cardíaca, aceleram o metabolismo e liberam adrenalina, simulando uma resposta de sobrevivência. O corpo entra em estado de alerta total. É praticamente um crossfit emocional.
E existe até ranking.
No topo da lista dos filmes que mais queimam calorias está O Iluminado, com impressionantes 184 calorias queimadas por sessão. Ou seja: Jack Nicholson correndo atrás da família no hotel Overlook faz mais pelo seu metabolismo do que muito aplicativo fitness por aí.
Logo atrás aparecem clássicos absolutos como Tubarão, com 161 calorias, O Exorcista, com 158, e Alien, marcando 152 calorias queimadas. Até os found footage entraram na brincadeira: Atividade Paranormal e A Bruxa de Blair também ultrapassaram a marca das 100 calorias.
Ou seja: quanto maior o desespero, melhor o treino.
Claro, nem tudo são flores ensanguentadas. O terror não funciona da mesma forma para todo mundo. Pessoas com ansiedade severa, problemas cardíacos ou traumas recentes podem ter reações negativas aos estímulos intensos. Afinal, existe uma linha tênue entre “adrenalina divertida” e “preciso dormir de luz acesa pelos próximos três meses”.
Mas para muitos fãs do gênero, o horror acaba sendo um conforto esquisitamente acolhedor. Talvez porque, no fim das contas, exista algo reconfortante em perceber que nossos problemas reais parecem menores quando comparados a um palhaço demoníaco interdimensional tentando arrancar sua cabeça.
Então, da próxima vez que alguém disser que filme de terror “estraga a mente”, você pode responder com propriedade científica: na verdade, você está cuidando da saúde mental, fazendo exercício cardiovascular e fortalecendo sua resiliência emocional.
E pode continuar sem culpa com suas doses homeopáticas de horror — seja maratonando episódios de séries ou encarando uma sessão pesada de Lloyd Kaufman ou Dario Argento, dependendo do nível de estresse. Porque, no fim das contas, nada relaxa mais do que ver outra pessoa entrar sozinha em um porão assombrado.
Nota do editor: Quer saber mais? Confira o editor do Boca do Inferno explicando sobre filmes de terror ajudando a emagrecer em uma reportagem da Rede Record:



