Edifício Bonfim (2026)

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Edifício Bonfim
Original:Edifício Bonfim
Ano:2026•País:Brasil
Direção:Lígia Walper, Tomás Walper Ruas
Roteiro:Duda Falcão, Cesar Alcázar, Christopher Kastensmidt
Produção:Lígia Walper
Elenco:Gabriela Petry, Sergio Barreto, Vinicius Wester, Sandro Maquel, Sarah Motta

O terror brasileiro sempre encontrou potencial quando transforma espaços reais em territórios de assombro. E é justamente dessa ideia que Edifício Bonfim parte. Ambientado em Florianópolis, o filme dirigido por Ligia Walper, em seu primeiro longa-metragem lançado nos cinemas, utiliza a atmosfera da cidade para construir um horror urbano que conecta diferentes personagens através de um mesmo edifício.

Durante seus 87 minutos, Edifício Bonfim acompanha três histórias protagonizadas por diferentes moradores do edifício, conectando seus personagens por meio de acontecimentos sobrenaturais.

Na direção, Ligia aposta principalmente na construção atmosférica do horror, utilizando o escuro como elemento de tensão, especialmente na primeira história, também a mais interessante do longa. A diretora utiliza constantemente imagens de Florianópolis para contrastar a beleza da cidade com o terror que atravessa a narrativa, criando uma sensação de ameaça escondida sob espaços cotidianos. Já a trilha sonora também parece buscar um contraponto entre a leveza de determinadas músicas e os acontecimentos da narrativa. Embora fique clara a intenção em criar esse deslocamento tonal, a escolha raramente funciona, enfraquecendo parte da tensão construída pela direção.

Os efeitos visuais também funcionam bem dentro da proposta, principalmente nos momentos em que o horror assume contornos mais grotescos. Os efeitos práticos ajudam a reforçar o aspecto sobrenatural da narrativa sem destoar da atmosfera construída pela direção, funcionando melhor justamente quando o longa abraça seu lado mais fantástico.

O elenco principal sustenta boa parte da narrativa, com os três protagonistas entregando atuações consistentes que ajudam a dar credibilidade às situações propostas pelo roteiro. Gaby Petry é quem se destaca, conduzindo sua personagem com uma mistura interessante de vulnerabilidade e tensão constante.

Quando o foco se volta para o elenco secundário, porém, Edíficio Bonfim perde força. Algumas interpretações acabam soando caricatas, destoando do tom mais contido que a direção parece buscar para seus protagonistas e enfraquecendo determinados momentos cruciais. Assim como acontece com os diálogos. Em muitos momentos, as conversas soam artificiais, fazendo com que o roteiro perca impacto justamente em cenas que deveriam aprofundar seus personagens ou aumentar a tensão.

E o principal problema do longa está justamente em sua estrutura narrativa. Dividido em três histórias, o roteiro cria na audiência a constante expectativa de que existe uma grande conexão entre aqueles acontecimentos. No entanto, essa convergência nunca acontece de forma satisfatória.
O edifício, que poderia funcionar quase como um personagem central da narrativa, acaba tendo menos força do que deveria.
Essa ausência pesa ainda mais no ato final. As duas histórias iniciais permanecem sem desenvolvimento ou explicações claras, criando a sensação de que o filme funciona mais como um conjunto de curtas reunidos sob o mesmo espaço do que como uma narrativa realmente integrada.
Mesmo com momentos interessantes, Edifício Bonfim termina sem conseguir entregar uma narrativa coesa e realmente impactante, deixando no espectador uma sensação constante de promessa não concluída.

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1 comentário

  1. Ótimo texto!

    Sinto que esses filmes com diferentes POVs costumam decepcionar… Claro, não todos, mas a grande maioria sofre exatamente do que você citou aqui: falta de uma conexão que justifique a utilização desse tipo de narrativa. Geralmente, sinto que, em grande parte desses filmes, seria possível contar a mesma história (ou uma melhor!) de maneira mais simples.

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