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Thriller - Um Filme Cruel
Original:Thriller - En grym film / Thriller - A Cruel Picture
Ano:1973•País:Suécia
Direção:Bo Arne Vibenius
Roteiro:Bo Arne Vibenius
Produção:Bo Arne Vibenius
Elenco:Christina Lindberg, Heinz Hopf, Despina Tomazani, Per-Axel Arosenius, Solveig Andersson, Björn Kristiansson, Marie-Louise Mannervall

Thriller – A Cruel Picture não é um filme de fácil digestão. É o ponto de partida sexploitation do subgênero “rape and revenge“, se você ignorar as semelhanças com Aniversário Macabro (The Last House on the Left, 1972), de Wes Craven, cuja vingança é perpetuada pelos pais de uma das jovens estupradas. O diretor e roteirista Bo Arne Vibenius quis mesmo fazer uma produção comercial e apelativa, pois não tinha tido retorno financeiro com seu trabalho anterior. Para tal, além do próprio enredo indigesto, ele acrescentou cenas de sexo hardcore na versão completa, aproveitando as possibilidades previstas na Dinamarca e na Suécia, e deu declarações controversas, como o uso de um cadáver real para uma cena de mutilação e o seguro proposto para a protagonista Christina Lindberg, que foi obrigada a injetar solução fisiológica para emular heroína.

Assim, o resultado foi exatamente o que ele pretendia: um filme mal falado, que dispunha de 4 versões (a total, com 107 minutos, foi a usada nesta análise. Mas você pode encontrar o filme com 104, 86 e 82 minutos), e trazia sequências incômodas, sem que a vingança fizesse jus ao que mocinha sofreu na primeira metade – depois isso seria corrigido em A Vingança de Jennifer (I Spit on your Grave, 1978) e em outras produções do estilo. Também intitulado They Call Her One Eye, Hooker’s Revenge e The Swedish Vice-Girl, Thriller vale pela curiosidade de conhecer a gênese do subgênero e acompanhar a trajetória da personagem que inspirou Elle Driver (Daryl Hannah) em Kill Bill. À exceção disso e da ótima interpretação de Lindberg, o filme é bem mal filmado, com um roteiro repleto de falhas e com excessivas cenas em slow motion em seu ato final.

Depois de ser abusada sexualmente quando criança, a traumatizada Madeleine (Lindberg) não falou mais, como outras do gênero como a Thana (Zoë Lund), de Sedução e Vingança (Ms .45, 1981), de Abel Ferrara, numa interessante simbologia sobre a dificuldade das vítimas de denunciarem o agressor, muitas vezes relatado em experiências reais. Anos depois, agora adolescente e residente numa fazenda com os pais, a jovem perde o ônibus escolar e aceita a carona oferecida pelo cafetão Tony (Heinz Hopf), iniciando seu inferno pessoal. Ele a leva para jantar e depois para sua residência, onde, após uma bebida batizada, injeta nela heroína repetidas vezes até torná-la dependente.

Em troca da droga, ele a obriga a se prostituir, e escreve cartas aos pais para que não a procure. Quando Madeleine se recusa a fazer sexo com um cliente e arranha seu rosto, Tony rasga sua órbita ocular com um bisturi, em uma cena bem gráfica – a tal que o diretor teria utilizado o cadáver de uma mulher que teria se suicidado. Assim, usando um tapa-olho, a garota passa a atender vários clientes, homens e mulheres da pior espécie, sendo orientada por outra prostituta, Sally (Solveig Andersson), a oferecer acréscimos aos clientes em troca de dinheiro, objetivando uma futura independência financeira e fuga.

Contudo, Madeleine tem outras intenções: ela utiliza o dinheiro para ter aulas de direção, tiro e artes marciais. Ela compra um carro e armas, mantendo-as em um galpão, incluindo a clássica espingarda com o cano serrado. Assim que descobre que Sally foi morta por Tony, encontrando seu colchão ensanguentado, Madeleine coloca em prática seu plano de vingança, assassinando todos os seus clientes, usando seus aprendizados para lutar com policiais, os capangas de Tony e perseguir quem lhe causou mal. A única das vinganças que traz algo além de tiros é a que ela prepara para Tony, envolvendo um cavalo e cordas. Achei que ficou faltando uma cena extra no epílogo, com ela reencontrando o homem que a abusou sexualmente na infância e foi relatado por uma senhora sobre ele ter sido libertado da prisão.

Cruel como o subtítulo sugere, Thriller vale como documento histórico da evolução do sexploitation, um dos ramos do exploitation. É um longa amargo, daqueles que deixa um sentimento ruim principalmente pelo fato de trazer um recorte abrandado da realidade. Há muita coisa pior acontecendo por aí, envolvendo abuso sexual e tráfico de jovens, com o envolvimento familiar. E nem todas têm a capacidade de enfrentamento de Madeleine, Thana, Jennifer e tantas outras, servindo a um propósito perverso sem chances de escapar.

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