5
(2)

Catástrofe Nuclear
Original:Threads
Ano:1984•País:UK, Austrália
Direção:Mick Jackson
Roteiro:Barry Hines
Produção:Mick Jackson
Elenco:Karen Meagher, Reece Dinsdale, David Brierly, Rita May, Harry Beety, Ruth Holden, Ashley Barker

Existe uma contradição entre o título nacional deste telefilme britânico da década de 1980 e sua nomeação original. Enquanto Catástrofe Nuclear sugere um impacto imediato causado pela explosão de uma bomba atômica, Threads (ou linhas, fios, teias) é uma alusão às ramificações ocorridas após o impacto. E justamente nesse segundo ponto que reside a maior grande qualidade dessa produção que é, até hoje, um dos retratos mais assustadores de uma possível guerra nuclear.

Dirigido por Mick Jackson (o mesmo diretor de Volcano: A Fúria O Guarda-Costas), Threads tem como ponto de partida a história de uma família em meio a uma guerra nuclear. Acompanhamos, a princípio, a rotina de um casal apaixonado esperando o seu primeiro filho. Nesse cenário, os tumultos ocorridos no exterior, reportados no rádio e na TV, pouco impactam a vida dos jovens protagonistas, mais preocupados com as mudanças pelas quais as suas vidas estão passando.

Porém, a esperança de um futuro brilhante – representada na figura do bebê em gestação – é eclipsada pela ebulição de um conflito internacional que culmina na explosão de bombas atômicas em território britânico. E assim como é mostrado no clássico O Dia Seguinte (The Day After, 1983), a explosão, em si, é o menor dos problemas. A verdadeira destruição acontece depois.

Utilizando-se de uma estética documental, Threads mostra como a explosão rompe a frágil teia que estrutura a nossa sociedade e, um a um, os seus “fios” começam a cair. E a cada nova queda (seja pela impossibilidade de oferecer atendimentos médicos às vítimas, ou pela escassez de comida e de remédios, ou pela ausência de serviços básicos) cai também a noção daquilo que costumávamos conhecer como civilidade.

Com velocidade acelerada, a sociedade moderna é enviada de volta à Idade das Trevas. E a câmera de Jackson, quase como um personagem, observa tudo com uma cumplicidade aterradora. A decadência decorrente do conflito nos é apresentada em imagens que em nada diferem de notícias de jornais. O realismo é um recurso necessário à proposta do filme, cujo objetivo é apontar os perigos que cercavam o mundo naquela época – e que se mantém até hoje.

E à medida que aquela família que acompanhamos no início é deixada de lado, a obra não possibilita ao público qualquer tipo de identificação com a grande maioria dos seus personagens – eliminando-os aos poucos e, muitas vezes, fora da tela. As vítimas (individuais) se transformam em estatísticas (coletivo).

Nesse sentido, o filme acerta ao não se focar apenas nos personagens atingidos pela explosão, mas também na rotina das pessoas responsáveis pela segurança do país e em suas tentativas frustradas de reestabelecer uma sociedade funcional diante do apocalipse. São pessoas que precisam demonstrar frieza enquanto tomam decisões impossíveis: como ao escolherem quantos cidadãos precisam ser sacrificados para que outros possam ter uma chance – ainda que mínima – de sobreviverem.

Ao final, a maior qualidade de Threads não é retratar com fidelidade os temores da Guerra Fria, mas mostrar que eles permanecem presentes até hoje. Mais do que um filme devastador, é uma obra necessária e atual. E é justamente essa atualidade que o torna tão aterrorizante.

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 5 / 5. Número de votos: 2

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

Sobre o Autor

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *