Críticas

Os Escolhidos (2013)

Um bom suspense a respeito de um tema pouco explorado, Os Escolhidos é competente e honesto em seus 90 minutos de exibição.

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Os Escolhidos
Original:Dark Skies
Ano:2013•País:EUA
Direção:Scott Stewart
Roteiro:Scott Stewart
Produção:Jason Blum
Elenco:Keri Russell, Josh Hamilton, Dakota Goyo, Kadan Rockett, J.K. Simmons, Myndy Crist, Annie Thurman, Jake Brennan, Ron Ostrow, Tom Costello, Marion Kerr

“Existem 2 possibilidades: ou estamos sozinhos no Universo ou não estamos. Ambas são igualmente assustadoras” (Arthur C. Clark)

(contém Spoilers)

A tranquilidade da família Barret é abalada quando uma série de eventos bizarros e inexplicáveis começa a assombrá-los. A princípio, os pais imaginam ser alguma brincadeira de mal gosto dos filhos, mas logo percebem que o horror é mais verdadeiro e palpável do que qualquer pesadelo jamais imaginado. Quais armas usar contra uma força invencível e cujos propósitos são totalmente desconhecidos, mas certamente nada amigáveis?

Produzido por Jasom Blum (responsável por sucessos anteriores no genêro como Atividade Paranormal e Sobrenatural), Os Escolhidos (título genérico adotado pelas distribuidoras no Brasil) traz na direção e roteiro o insistente cineasta americano Scott Stewart. Contudo, ainda que Stewart seja dono de um currículo quase constrangedor (duas produções com investimento razoável, mas resultado muito abaixo do esperado: Legião e Padre), sua terceira tentativa na direção resulta em um longa marcado por muito mais acertos do que erros. O enredo de sua autoria traz fortes influências de clássicos como Poltergeist, Horror em Amityville ou do mais recente Atividade Paranormal, seja pelo núcleo familiar em crise e a tensão criada enquanto ocorre a sua degradação ou pelo estranhamento causado por pequenos eventos, como objetos fora do lugar, lustres balançando e alarmes que disparam sozinhos. Porém, o grande mérito do roteiro escrito por Stewart é o crescimento gradual do suspense e a intensidade com que estes eventos vão ocorrendo, ao mesmo tempo em que os Barens são empurrados em direção a um inevitável e trágico desfecho.

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Outro destaque positivo é a utilização dos efeitos especiais: não há exageros e sua utilização é comedida, ressaltando o horror essencialmente psicológico. Este artifício, cujo efeito não é derivado daquilo que é mostrado, mas sim sugerido, estimula a imaginação do espectador, o arrastando para dentro da trama – fórmula básica do gênero suspense, que dificilmente falha.

Apesar de algumas similaridades já citadas com Atividade Paranormal, Os Escolhidos acertadamente não adere a desgastada estética found footage, nem abusa do ritmo lento deste tipo de produção.

O elenco traz Keri Russel (protagonista da série Felicity), em boa forma, como Lacy Barret, a mãe que vê em desespero a família ser ameaçada por uma força invisível e implacável. Já o quase esquecido Josh Hamilton (de Vivos!, 1993) vive o pai, enquanto Dakota Goyo e Kadan Rockett completam o núcleo infantil como Jesse e Sam Barret. Destaque ainda para a rápida participação do veterano J.K. Simmons (o J Jonah Jameson da primeira franquia do Homem Aranha). Simmons interpreta o ufólogo que esclarece aos Barrens que o terror pelo qual estão passando não é um acontecimento isolado; os casos de crianças abduzidas são frequentes e acontecem em solo americano há muito tempo, inclusive com o consentimento do governo .

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Rodado em menos de um mês, ao custo de US$ 3,5 milhões, Os Escolhidos arrecadou em torno de US$ 17,5 milhões nos cinemas americanos, um valor razoável e lucrativo considerando o investimento inicial. Sua estreia nos cinemas nacionais vem sendo adiada ao longo de 2013 e provavelmente o seu lançamento deverá ocorrer diretamente em vídeo, já que a versão em DVDs e Blu Rays já está disponível no exterior.

Não é necessário comentar a falta de originalidade do título adotado pelas distribuidoras brasileiras: Os Escolhidos remete a outro thriller sobre abduções, Os Esquecidos, estrelado por Juliane Moore em 2004. Já o título original Dark Skies é o mesmo de uma série pouco conhecida, mas muito cultuada, exibida pelo canal americano NBC na década de 90. No rastro do sucesso de Arquivo X, a série mostrava que a história como conhecemos é uma grande mentira e que os alienígenas estão entre nós desde os anos 40, sendo escondidos pelos governos oficiais ao redor do mundo.

O desfecho e a revelação

Apesar do desfecho racional e pessimista (que deve desagradar a alguns) de Os Escolhidos, o verdadeiro horror é revelação e o alerta a respeito das abduções alienígenas (que muitos acreditam não ser apenas ficção): não precisamos ter medo de uma invasão, pois ela já teria acontecido há muito tempo. Outro contraponto é a decepção da família Barrens (uma espécie de xeque mate na arrogância do ser humano): ela não tem nada de especial que tenha atraído os aliens. Assim como os ratos de laboratório, os abduzidos são apenas cobaias menos evoluídas e escolhidas ao acaso.

Enfim, Scott Stewart acerta a mão numa produção menos pretensiosa do que seus filmes anteriores e tem como resultado um bom suspense a respeito de um tema pouco explorado (filmes sobre abduções que tratem  o assunto com realismo são de certa maneira raros). No mais, Os Escolhidos é competente e honesto em seus 90 minutos de exibição.

Inspirado em fatos reais?

Por mais incrível (ou absurdo para alguns) que possa parecer, o roteiro de Os Escolhidos é inspirado em fatos supostamente reais. Recentemente, alguns ex-chefes de estado, como o ex-presidente russo Dmitri Medvedev e  o ex-ministro de defesa do Canadá, Paul Hellyer, admitiram a existência de vida extraterrena. Paul Hellyer foi mais longe, revelou que existiriam 4 espécie distintas de extraterrestres e, pasmem, todos vivendo entre nós. Para aqueles que querem desclassificar suas declarações, saibam que o senhor esteve a serviço do governo canadense durante mais de duas décadas. Curiosamenante seu discurso é muito semelhante ao do personagem J.K. Simmons, ufólogo especialista em abduções procurado pelos Barrens.

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11 Comentários

  1. Walber Assis

    Alguem sabe algo a respeito de uma continuação???

  2. valentim

    Esse é um daqueles clássicos , que não se deve sequenciar, para mim, é de longe disparado o melhor e mais assustador filme sobre abdução alienígena dos últimos tempos, com um enredo sinistro, e uma trama muito bem elaborada, até mesmo baseado em alguns casos verídicos que ocorreram no EUA, e que o próprio governo Norte Americano sabe disso. Mas vale lembrar, que nem todo encontro com esses seres, são maléficos, pois existem duas categorias, os pro evolução da raça humana e os que são contra, e assim, como em toda vida inteligente, existe uma hierarquia de poder, e onde existe o poder de controlar, sempre haverá uma disputa em jogo.

  3. kawe

    Simplesmente MARAVILHOSO este filme.. impecáveis os atores.. mergulhei na historia e consegui sentir a dificuldade da familia… estava torcendo por eles.. feito ma medida certa.. sem exageros nem escandalos… filmes de terror hj em dia ou tem cenas exageradas de terror a toa filmada em primeira pessoa Ou tortura e sangue distribuidos de graça..maldições, fastasmas, possessão.. Agora, filme com essa tematica que seja bom são raros, Só “SINAIS” mesmo.. (tem varios outros que nao curti).. fico feliz que ainda exista filmes assim.. suspense e tensão psicologica.. prendeu minha atenção do começo ao fim.. não foi nada Novo (coisas podemos ver em outros filmes) porém construiram a historia de uma forma inteligente e bem feita…. fazia temmpo que não assistia um filme tão bom, o ultimo foi “A CHAVE MESTRA” e .. Abraços…..

  4. Fabiano

    Bem eu gostei da historia do filme, e o desenrolar dele, em relação aos alienigenas, compartilho o mesmo sentimente de alguns infernautas, mais se analisar-mos estamos cansados de ver seres, gosmentos ou cheios de tentaculos. O extraterrestre do filme me deixou imaginando se seria essa a forma deles mesmo. Talves o autor do filme tenha conversado com o ex-ministro da defesa do Canada.

  5. Vinnícius

    A primeira aparição do ET me deu o mó medo. Vale a pena, apesar de não ser tão grandioso assim; tem coisas boas nele.

  6. Gostei da condução do suspense, mas a aparição dos aliens deixou um pouco a desejar. O final… bem “não feliz”, fiquei com uma sensação estranha de que não valeu a pena como um todo… Sinais ainda chega a ser melhor, nem tanto pela badalação da época em cima do M. Night. Shyamalan, mas por ter mais personalidade e carisma no elenco.

  7. vanessa vasconcelos

    este filme deixou muito a desejar,tudo bem,ele é bonzinho,mas na hora de mostrar os ets foi uma decepção sem fim.eu já não acredito nessa porra,e agora ficou mais difícil ainda hahaha recomendo não 🙁

    • Pedro

      Senti a mesma coisa. A história estava até boas, mas…Pelo visto vai rolar continuação.

      • vanessa vasconcelos

        why good why?

  8. Pablo Garske

    Inverossímel, o cara era cético com relação a aliens e tal, tem um implante, como diz o especialista, e não procura um médico ou faz um exame pra ver se é real. Outrossim, se tranca em casa e os vizinhos nem dão bola. Pô é demais.

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