Críticas

Escuridão Mortal (2009)

Seagal não tem muito que fazer, a montagem estraga boa parte da obra, mas ainda assim sobram elementos que podem divertir!

Escuridão Mortal (2009)

Escuridão Mortal
Original:Against the Dark
Ano:2009•País:EUA, Romênia
Direção:Richard Crudo
Roteiro:Mathew Klickstein
Produção:Phillip B. Goldfine, Steven Seagal
Elenco:Steven Seagal, Tanoai Reed, Jenna Harrison, Danny Midwinter, Emma Catherwood, Stephen Hagan, Daniel Percival, Skye Bennett, Tania Dobre, Linden Ashby, Keith David,

Você já imaginou se [REC] ou a franquia Extermínio fosse estrelado pelo Steven Seagal? Este Escuridão Mortal é mais ou menos isso.

O filme começa com uma rápida introdução, com direito em narração em off de uma das personagens, revelando como um misterioso vírus contaminou a população transformando-os em espécies de mutantes (uma mistura de zumbis com vampiros com fome de carne humana e sede de sangue, e que aqui vou apenas chama-los de infectados, OK?), é obvio que a epidemia se alastra rapidamente, e que os poucos não atingidos pela “doença” terão de lutar desesperadamente pela sobrevivência.

Neste pequeno prólogo dá para se ter uma ideia do que virá pela frente: efeitos e maquiagens caprichadas com direito a vísceras e sangue, boa fotografia (o estreante diretor Richard Crudo era fotógrafo), mas tudo soterrado pela edição clipeira que abusa dos cortes rápidos!

Escuridão Mortal (2009) (2)

O filme segue então em duas situações paralelas: de um lado temos um grupo de seis pessoas tentando sair de dentro de um hospital desativado e infestado de infectados. Eles são formados por um casal que trabalhava lá, um cristão, uma garota que perdeu sua fé, uma guriazinha pentelha e o drogado inconveniente (que obviamente vai ter um destino trágico, assim como outro personagem que aparece em cena fumando um cigarro). Do outro lado temos um grupo denominado “Os Caçadores“, cujo lema é “caçar e matar“. Nem precisaria informar que o líder destes é o Steven Seagal. Mais obeso e lerdo do que de costume, aqui ele aparece vestido com o seu indefectível sobretudo de couro, quase não luta (durante o filme inteiro ele dá apenas um chute mixuruca, lá pelo final, usando mais uma espada de samurai). Sobrando as cenas de ação mais para o seu colega, o bombado ex-dublê havaiano Tanoai Reed, completam ainda a trupe duas belas garotas que entram em cena quietas e saem caladas com as funções meramente ilustrativas, embora matem um ou outro infectado.

Também não faltam a Seagal pérolas filosóficas à la Chuck Norris como logo no início quando dispara: “Não estamos aqui para decidir pelo certo ou errado. Estamos aqui para decidir quem vive ou morre“.

Há ainda, lá pelas tantas, mais uma subtrama, envolvendo o exército, que quer bombardear toda a área afetada pela epidemia, como no clássico de A Volta dos Mortos-Vivos. Aliás, o roteiro amontoa todas as situações clichês e referencias que tem direito, que vão desde os filmes citados no início deste post até os zumbis de Romero, passando pelo I Am Legend, o livro de Richard Matheson. Os personagens são esquemáticos e sem um pingo de carisma, fazendo com que o público não só não se identifique com eles, como espera que eles morram duma vez. O suspense é nulo. E a presença de Seagal é tão inexpressiva que as melhores cenas são justamente aquelas em que ele NÃO participa!

Mas o filme não é um desastre completo. A maquiagem é muito boa, as pessoas quando ficam infectadas acabam miraculosamente e asquerosamente com os dentes cerrilhados, lembrando as criaturas da série Demons de Lamberto Bava.

O curioso é que aqui os infectados, além de serem sensíveis ao sol, morrem de qualquer jeito. Tem um que é destruído literalmente à pontapés por uma das mulheres!

Escuridão Mortal (2009) (1)

O filme conta com sequências dignas, como a da sala cheia de cadáveres pendurados de cabeça para baixo, tipo açougue, com as tripas de fora. Outra em que um dos homens é carregado inconsciente por um corredor, vemos a vítima sendo arrastada (através da câmera subjetiva, num travelling a lá Sam Raimi) e passando por várias pernas e braços decepados, enquanto ouvimos apenas o assovio de seu algoz. E há uma cena antológica, em que uma infectada fica diante do espelho “escovando” os dentes com uma lima, dessas de serrar barras de ferro de presidio de faroeste spaghetti. Depois a mesma infectada vai até o canto do quarto onde tem um cadáver pendurado de cabeça para baixo, com uma faca ela corta a jugular do infeliz e coloca sangue numa caneca (com a inscrição “sou alérgico à segunda-feira”!) e bebe tudo com uma cara de satisfação.

No saldo final Escuridão Mortal não é tão ruim quanto se parece. Seagal não tem muito que fazer, a montagem estraga boa parte da obra, mas ainda assim sobram elementos que podem divertir, isso se o espectador não for muito exigente.

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5 Comentários

  1. fabriciogueler

    esse filme e bom de mais muito legal

  2. vanessa vasconcelos

    Steven Seagal num filme terror? curioso mesmo.

  3. Cristina

    Ruim mas Seagal já esteve filmes em piores.

  4. Gilson Bloch

    vi na band e também gostei do filme , não é todo dia que se vê seagal em filmes de terror ou suspense..talvez seja único.

  5. Fabiano

    Tenho esse filme e assiti ja faz um tempo vou assitir de novo pra ver se o filme que vc comentou é o mesmo que eu vi ou seja o que eu vi é ruim demais, Steven Seagal se arrastando de tão gordo sem habilidade nenhuma e o filme restante uma porcaria, se vc gostou tanto te mando o meu que é original, que pra falar a verdade o arrependimento.

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