Críticas

Blade: Trinity (2004)

É exagerado em violência gratuita numa história sem maiores interesses, assim como os outros dois filmes anteriores da franquia!

Blade Trinity (2004)

Blade: Trinity
Original:Blade: Trinity
Ano:2004•País:EUA
Direção:David S. Goyer
Roteiro:David S. Goyer
Produção:Peter Frankfurt, David S. Goyer, Lynn Harris, Wesley Snipes
Elenco:Wesley Snipes, Kris Kristofferson, Parker Posey, Dominic Purcell, Jessica Biel, Ryan Reynolds, Mark Berry, John Michael Higgins, Callum Keith Rennie, Paul Levesque, Paul Anthony, Françoise Yip

Existem duas tendências bem definidas que estão presentes no cinema atual, a adaptação de personagens dos quadrinhos paras as telonas e a criação de franquias cada vez maiores e mais complexas. Ambas as tendências encontramos em Blade: Trinity, que estreou por aqui no primeiro dia do ano de 2005, sendo também o início da temporada dos filmes de horror a entrarem no circuito dos cinemas brasileiros. Blade é um anti-herói da editora americana Marvel, um caçador de vampiros que tem poderes e habilidades especiais com o objetivo de impedir o domínio dos sugadores de sangue na humanidade. Blade: Trinity é o terceiro filme de uma série que teve um original lançado em 1998 e uma sequência produzida quatro anos depois. Entre as características presentes durante toda a franquia, podemos destacar a presença do ator negro Wesley Snipes como o caçador de vampiros do título e a quantidade significativa de violência, ação e efeitos especiais.

A história dessa terceira aventura da série mostra uma conspiração dos vampiros para colocarem a polícia e a humanidade contra seu inimigo Blade, ao armarem uma emboscada que denunciou sua existência e atribuindo a ele uma conotação de vilão, um assassino louco que deve ser capturado. Blade tem que então enfrentar o FBI em seu encalço, principalmente o Chefe Martin Vreede (Mark Berry) e o psiquiatra Dr. Edgar Vance (John Michael Higgins), além de combater humanos traidores que colaboram com os vampiros e as próprias criaturas da noite lideradas dessa vez pelo temível Drácula (conhecido agora como Drake, interpretado por Dominic Purcell), um ser ancestral despertado de seu sono profundo pela vampira Danica Talos (Parker Posey), auxiliada pelo irmão Asher (Callum Keith Rennie) e o gigantesco Jarko Grimwood (o lutador Triplo H, ou Paul Michael Levesque), entre outros.

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Porém, Blade recebe a ajuda de um grupo de humanos caçadores de vampiros que ele nem sabia que existia, chamado de Nightstalkers (traduzido por aqui como Notívagos), mais especificamente a bela Abigail Whistler (Jessica Biel), filha de seu veterano amigo e inventor de armas especiais Abraham (Kris Kristofferson, que também participou de todos os filmes), além do intrépido Hannibal King (Ryan Reynolds), que foi o escolhido pelo roteiro para ser o humorista de plantão, fazendo piadas a toda hora, nas situações mais tensas e perigosas, e na maioria das vezes não funcionando (confesso que torci muito em vão para algum vampiro silenciá-lo definitivamente). O grupo ainda tem a participação de outras pessoas na retaguarda e planejamento estratégico como a brilhante cientista cega Sommerfield (Natasha Lyonne). Juntos, eles somam seus esforços para combater os vampiros.

Blade: Trinity é exagerado em violência gratuita numa história sem maiores interesses, assim como os outros dois filmes anteriores da franquia. Pelo fato de eu não ser um fã de super heróis dos quadrinhos (nesse tipo de mídia eu prefiro mais os quadrinhos com aquelas histórias tradicionais de horror), não apreciei o filme o quanto poderia, tornando-se apenas mais uma pequena diversão rápida e passageira que poderia ser conferida tranquilamente no lançamento em DVD, não justificando um investimento maior com um ingresso de cinema. Como também não sou grande apreciador de filmes com excesso de ação e porradas para todos os lados, em detrimento de uma história mais desenvolvida e menos barulhenta, foi difícil entrar no clima do filme.

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Acredito que é bem mais fácil produzir um filme essencialmente de ação que eventualmente tenha elementos de horror (na figura dos vampiros e a violência dos confrontos), como é o caso desse Blade: Trinity, amparado por um bom orçamento e modernos efeitos especiais, do que o desafio de fazer um filme de horror genuíno que apresente uma história estimulante que prenda a atenção do espectador e consiga estabelecer uma interação com o público.

Mas, independente de tudo isso, e analisando apenas como mais um filme que se situa dentro do gênero fantástico, existem momentos que poderão agradar a quem procura muita ação, barulho, correrias, perseguições, tiroteios, pancadarias e aquelas inevitáveis cenas forçadas de habilidades que são reservadas apenas para os heróis, e não para aqueles simples humanos normais como nós. Blade: Trinity tem atuações intensas de todo o elenco, com lutas bem coreografadas e um tratamento visual que impressiona, mas que são qualidades insuficientes para que o filme se destaque e deixe de ser apenas comum.

As filmagens de Blade: Trinity ocorreram na cidade de Vancouver, no Canadá, com a estreia nos cinemas dos Estados Unidos em 10/12/04, menos de um mês antes da chegada do filme ao Brasil, distribuído pela PlayArte a partir de 01/01/05.

Inicialmente, estava previsto a contratação do cineasta alemão Oliver Hirschbiegel, do excelente thriller A Experiência (The Experiment, 2001, lançado em DVD no Brasil pela Europa), para assumir a direção, mas como ele estava envolvido em outro trabalho, acabou declinando a oferta da New Line. O diretor de segundo filme da série, Guillermo Del Toro, também havia sido sondado mas preferiu concentrar sua atenção no projeto de adaptar para o cinema um outro personagem dos quadrinhos, Hellboy, num filme estrelado por Ron Perlman e que foi lançado nos cinemas brasileiros em 30/07/04. Então, com a desistência deles, a direção de Blade: Trinity acabou ficando mesmo para o roteirista dos três filmes da série, David S. Goyer.

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Aliás, um tratamento inicial do roteiro previa uma história ambientada muitos anos à frente dos eventos do segundo filme, onde uma violenta guerra entre humanos e vampiros culminou com o domínio do planeta por esses últimos, com os humanos escravizados e tendo na figura de Blade a única esperança da humanidade. Mas a ideia teve que ser abandonada por causa de um outro filme com tema similar, uma refilmagem de I Am Legend, livro escrito por Richard Matheson e já filmado duas vezes antes nas décadas de 60 e 70, em versões estraladas por Vincent Price e Charlton Heston, respectivamente. E foi então escolhida a versão final da história com Blade sendo denunciado pelos vampiros como um inimigo da humanidade, despertando a atenção do FBI em sua captura, acrescentando mais caçadores de vampiros, os quais fazem parte de um grupo de elite chamado de Nightstalkers, e tendo como vilão maior um vampiro ancestral e poderoso conhecido como Drake, e despertado para combater Blade.

Outra curiosidade do roteiro é que havia a previsão da criação de uma personagem feminina da família do lendário caçador de vampiros Van Helsing, para fazer parte dos Nightstalkers, porém com a produção do filme Van Helsing, o personagem acabou sendo substituído por Hannibal King.

Como uma tendência já notada no cinema de horror dos últimos tempos, principalmente depois do surgimento do DVD como uma mídia que permite a apresentação de materiais extras, foram filmados vários finais alternativos e também houve a atenção do roteiro em propiciar um gancho para uma provável continuação da franquia, num desfecho oficial previsível que poderia até explorar um desenvolvimento maior dos personagens do grupo Nightstalkers.

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Os cachorros vampiros que aparecem nesse terceiro filme da franquia possuem uma boca enorme com dentes afiados e tentáculos para destroçar suas vítimas, numa característica exatamente igual aos vampiros mutantes conhecidos como reapers, que apareceram no segundo filme. E é interessante notar como os cães tem recebido uma atenção especial pelo cinema como criaturas monstruosas e ameaçadoras, como por exemplo os cachorros zumbis da série Resident Evil. Apesar que os cachorros de Blade: Trinity tiveram uma participação muito rápida e pouco ameaçadora, quando poderiam ser melhor aproveitados.

Outras duas pequenas curiosidades no filme é o fato de uma garota atendente de uma loja de artefatos góticos, estar vestindo uma camisa da histórica banda de Heavy Metal Motorhead, momentos antes de fornecer à força sua jugular para alimentar um vampiro sedento por seu sangue. E numa cena onde Hannibal King está deitado numa cama se recuperando de um ferimento num violento confronto com vampiros, a televisão está exibindo um filme com o ator William Shatner, o eterno Capitão Kirk da série de TV Jornada nas Estrelas.

A bela atriz Jessica Biel, que esteve no elenco da refilmagem de O Massacre da Serra Elétrica (2003) e que interpretou em Blade: Trinity o papel de uma jovem caçadora de vampiros que maneja muito bem o arco e flecha como arma de ataque, foi a protagonista de uma cena que causou grande prejuízo aos produtores quando atirou uma flecha contra uma câmera que estava a sua frente. Toda a sequência foi registrada e ficará arquivada como erro de filmagens.

Paul Michael Leves, que é um lutador profissional de luta livre nos Estados Unidos, conhecido pelo apelido de Triplo H, e que assim como seu companheiro de ringue Dwayne Johnson (chamado de A Rocha e que protagonizou o filme solo de Escorpião Rei, um personagem secundário da série A Múmia), foi convidado para fazer participações no cinema. Seu papel em Blade: Trinity é o de um enorme vampiro e sua performance como ator foi tão satisfatória para os produtores que sua participação foi estendida no filme. Aliás, o roteiro deu uma oportunidade para ele demonstrar algumas de suas habilidades como lutador, numa longa cena de briga com Hannibal King.

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2 Comentários

  1. Hierofante1970

    Dos três esse realmente é o mais fraco, mas ainda assim gosto muito da franquia.

  2. Mk

    Os filmes do Blade nunca foram um primor de qualidade, mas esse eu considero péssimo!

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