Críticas

Creepshow – Show de Horrores (1982)

Mortos que voltam das tumbas, monstros, um exército de baratas, assassinatos premeditados e um predador são os temas vistos nos contos!

Show de Horrores (1982)

Creepshow - Show de Horrores
Original:Creepshow
Ano:1982•País:EUA
Direção:George A. Romero
Roteiro:Stephen King
Produção:Salah M. Hassanein
Elenco:Hal Holbrook, Adrienne Barbeau, Fritz Weaver, Leslie Nielsen, Carrie Nye, E.G. Marshall, Viveca Lindfors, Ed Harris, Ted Danson, Stephen King, Warner Shook, Robert Harper, Elizabeth Regan

“Quer se assustar?”

Quando foi anunciado que um Creepshow 3 (Creepshow 3) estava sendo produzido, a maioria das pessoas que assistiu ao primeiro longa recebeu a notícia com uma certa surpresa, uma vez que o filme original, Creepshow – Show de Horrores (Creepshow), havia sido lançado no ano de 1982 e, apesar de ter feito sucesso, havia gerado apenas uma sequência cinco anos depois. Ou seja, quase 20 anos depois do lançamento do Creepshow 2 (Creepshow 2), dificilmente alguém poderia apostar que um terceiro filme fosse produzido nos dias atuais.

A notícia também foi recebida com uma certa desconfiança pelos admiradores da obra original, que até hoje permanece como uma referência nas produções de um filme com histórias curtas que abordam o sobrenatural e que eram tão comuns na década de 80. Quem é fã do gênero e teve o privilégio de pegar o tempo das boas locadoras de VHS não esquece da capa do primeiro Creepshow, desenhada em um
tom excessivamente roxo com uma criatura esquelética mal feita atrás de uma cabine de venda de ingressos. O filme também era exibido a exaustão nos tradicionais horários corujões nas madrugadas da televisão, por isso, tão conhecido por uma parcela dos fãs do gênero.

Show de Horrores (1982) (1)

Inspirado nas histórias em quadrinhos da E.C. Comics, da década de 50, que abordavam temas sobrenaturais e nos filmes com segmentos de terror dos anos 70 como A Casa que Pingava Sangue (The House That Dripped Blood, 1970) e A Maldição dos Gatos (The Uncanny, 1977), Creepshow fez sucesso de público e crítica suficiente para permitir que o estilo seguisse por toda a década de 80, gerando outros filmes como Pesadelos Diabólicos (Nightmares, 1983), As Profecias do Dr. Terror (Dr. Terror’s House Of Horrors, 1987) e Contos da Escuridão (Tales From The Darkside, 1989), entre outros, além de séries para a televisão como Contos da Cripta (Tales of the Crypt, 1989).

Creepshow ganhou destaque pelos roteiros bem escritos das tramas, que foram assinados pelo mestre do sobrenatural Stephen King, baseados em contos próprios. King soube dar o tom exato entre o medo e cenas realmente marcantes. O filme começa com um garotinho recebendo uma bronca do pai por ler uma revista de quadrinhos com histórias de terror. Irritado, o severo adulto joga a publicação no lixo e manda o garoto para o quarto de castigo.

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Deitado na cama, a criança é visitada por uma entidade cadavérica (a mesma da capa da fita) que ao vasculhar a lata de lixo, encontra a revista, cuja as imagens começam a ganhar vida a medida em que o vento vai virando as páginas e dessa forma temos o fio condutor entre os segmentos. Mortos que voltam das tumbas, monstros musgos, um exército de baratas, assassinatos premeditados e um predador são os temas vistos nos contos, que vão sendo mostrados depois deste interessante prólogo.

Nem muito longos ou curtos demais, cada episódio tem duração de cerca de 25 minutos cada, um tempo que parecia exato para as desventuras dos personagens. É importante lembrar que nenhuma das histórias deve ser vista como clássico supremo do gênero, mas sim contos de medo e situações bizarras, que dentro desta proposta, funcionavam. A direção, assinada pelo pai dos mortos vivos George Romero, também soube dar o ponto exato entre as situações, além de um estilo de filmagem que conseguiu fazer a junção entre quadrinhos e cinema, dentro de situações simples, mas que foram bem exploradas.

A ambientação das histórias também é bem acima da média. Isso deve ser mencionado pelo fato do filme abordar cenários aparentemente normais, como uma praia, um apartamento, um cemitério ou uma fazenda isolada, mas que receberam um tratamento especial e ganharam um ar macabro que auxiliou em um maior interesse pelas histórias. Tais resultados são frutos do trabalho de Romero em criar uma realidade visual pouco comum dentro do quesito cinema o que gerou um agradável choque estético. Tais cenários ganharam essas características graças a um bom trabalho de iluminação, seja em excesso ou quase na escuridão, mas que funcionaram. No caso da praia, nunca um litoral em fim de tarde foi tão desolador, ou a fazenda foi vista com um ar tão mórbido.

Os efeitos de maquiagem foram assinados pelo também mestre Tom Savini, responsável por trabalhos realizados em filmes conhecidos como Sexta-feira 13 (Friday the 13th, 1980) e Despertar dos Mortos (Dawn of the Dead, 1976). E o que falar do elenco? Com alguns astros que dividiam as cenas com atores menos conhecidos, estavam, na sua maioria, exagerados e caricaturais, mas como cada um aparece apenas durante uma história, não chegam a comprometer em nada o resultado final.

Além das cinco histórias bem conduzidas, Creepshow ainda possui um bom final como filme ao retornar a cena inicial, do garotinho castigado pelo pai e acompanhar o epílogo desta abertura. Como a primeira sequência, Creepshow 2, procurou manter a mesma fórmula, mas não teve um bom resultado, devemos torcer também para que a fita original seja lançada o quanto antes no formato DVD, para que os fãs antigos possam rever o filme e os novos públicos possam conhecer essa pequena obra prima do sobrenatural.

Conheça as cinco histórias que formam o Creepshow original:

Dia dos Pais (Father´s Day). Com: Vevica Lindfors, Jon Lormer, Carrie Nye, Ed Harris, Elizabeth Reyan e Nann Mogg. Nathan não tem sido um bom pai. Possessivo e agressivo, faz tudo que pode para tornar a vida da filha Bedelia um inferno, incluindo mandar matar o noivo da moça. A situação chega ao limite quando, no Dia dos Pais, enquanto preparava um bolo para Nathan, Bedelia chega ao seu limite e acaba assassinando o pai. Sete anos depois, em visita ao túmulo do velho, algo aterrador vai acontecer, para que o defunto finalmente ganhe o seu bolo. Muitos consideram esse um dos melhores segmentos do filme. Destaque para um jovem Ed Harris (Apollo 13, 1998) como uma das vítimas do papai assassino e para a sueca Vevica Lindfors como a filha Bedelia.

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– A Morte Solitária de Jordy Varrill (The Lonesome Death of Jordy Varrill). Com Stephen King. O roteirista King atua neste segmento que conta o “drama” de Jordy Varril, um fazendeiro azarado que pensa ter tirado a sorte grande quando um estranho meteorito cai nas suas terras. O material solta uma estranha substancia que Jordy não demora muito a manter contato e como em um pesadelo, começa a nascer uma espécie de musgo verde em todo o seu corpo. Apesar de um único personagem, este segmento mantém o interesse, em especial pela ótima interpretação de King, além da rica imaginação do seu personagem.

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– Encaixotado (The Crate). Com: Hal Holbrook, Adriene Barbeau, Fritz Weaver e Don Keefer. Considerada como uma das melhores histórias de Creepshow, este segmento acompanha um grupo de amigos que descobre um grande caixote escondido embaixo das escadas de um laboratório universitário com a data de 1834. Eles decidem abrir a gigantesca caixa que abriga uma criatura assassina nunca antes vista. Depois de comer algumas pessoas, o monstro vai servir de solução para um infeliz marido que tem o desejo de despachar a desagradável esposa.

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– Algo Para Segurar Você (Something to Tide You Over) Com: Leslie Nielson, Ted Danson e Gaylen Ross. Marido traído resolve se vingar da esposa e do amante desta e para isso arma plano sádico para acabar com os dois. Em uma praia deserta, o casal de adúlteros vai se encontrar presos e indefesos contra um inimigo natural: o mar. Esse episódio é, sem dúvida alguma, o que causa um maior incômodo dentre as cinco histórias, pela forma como o marido traído vai buscar vingança: enterrando o casal nas areias da praia somente com a cabeça para fora em plena beira mar, ou seja, com a subida da maré, as ondas cada vez mais próximas significam um final certo. Mas o marido traído também terá alguns sustos durantes este plano. Destaque para Leslie Nielson, bem a vontade fora das comédias que o consagraram.

– Eles Estão Rastejando para Cima de Você (They’re Creeping Up on You). Com: E.G. Marshall. O Senhor Pratt é um sujeito desagradável. Trata os seus funcionários como lixo e demite quem for sem piedade, mas ele também possui uma grande fobia de insetos, para ser mais específico, de baratas. E vai ser durante um blecaute que ele vai enfrentar o seu pior pesadelo real. Esse último segmento é, sem dúvida alguma, o mais repulsivo e nojento, que vai fazer pessoas mais sensíveis desviarem o olhar da tela.

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6 Comentários

  1. Daniel Castro

    Curiosamente, essa foto da capa que ilustra a matéria, na verdade pertence ao segundo filme, dirigido por Michael Gornick, e não ao filme original, dirigido por George Romero. Interessante a confusão que as distribuidoras brasileiras fazem com a “tradução” dos títulos dos filmes.
    No mais, apesar de ser um clássico, acho o filme apenas mediano, já que apenas alguns segmentos conseguem se destacar, e não a obra inteira. O conto “The Crate” é certamente o ponto alto do filme, sendo de longe a melhor história apresentada durante a projeção da película.

  2. Comprei em julho/2017 o original desse filme lacrado da revistariaribeiro.com.br foi uma felicidade achar o filme e vendedor honesto e qualificado pelo mercado pago

  3. emerson

    mano show sem palavras depois de muito tempo procurando achei Creepshow – Show de Horrores (1982 esse filme marcou otimo filme obrigado por ajudar valeu a espera agora vou ver se da pra baixar ele e outros.

  4. Ismael Monteiro

    Bons tempos ,nos anos 80 realmente foi produzidos excelentes filmes de terror e creepshow foi um deles , clássico !!!

  5. Gilson bloch

    adoro estes clássicos principalmente esses contos oitentista..

  6. Fábio Pinho

    Filme muito bom.Assisti na tv há muitos anos, e, recentemente, tive o prazer de reve-lo no TCM.
    Não se fazem mais filmes de terror maneiros como os dos anos 80.

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