Críticas

The Sacrament (2013)

Se não é um filme de terror como estamos acostumados a ver, ainda consegue ser assustador por mostrar até onde as pessoas podem chegar!

The Sacrament (2013)

The Sacrament
Original:The Sacrament
Ano:2013•País:EUA
Direção:Ti West
Roteiro:Ti West
Produção:Molly Conners, Jacob Jaffke, Peter Phok, Eli Roth, Christopher Woodrow
Elenco:Joe Swanberg, AJ Bowen, Kentucker Audley, Amy Seimetz, Kate Lyn Sheil, Gene Jones, Shawn Parsons, Madison Absher, Donna Biscoe, Conphidance

Quem acompanha o trabalho de Ti West já está acostumado com seu estilo: filmes que começam devagar e constroem o suspense e o terror aos poucos. Foi o caso de Hotel da Morte e Casa do Diabo, dois exemplares de West que exploraram o horror sobrenatural, e de The Sacrament, longa mais recente do diretor que, desta vez, deixa os fantasmas de lado e se baseia em acontecimentos reais para mostrar uma forma de horror que envolve fanatismo e lavagem cerebral.

The Sacrament (2013) post

No filme, Patrick (Kentucker Audley), um fotógrafo, procura a ajuda de Sam (AJ Bowen) e Jake (Joe Swanberg), seus amigos e repórteres da revista Vice, para encontrar e resgatar sua irmã, Caroline (Amy Seimetz), uma ex-viciada em drogas que se mudou para a comunidade Eden Parish, localizada fora dos Estados Unidos. Após uma má impressão inicial, causada principalmente pela recepção nada calorosa de guardas armados, os três passam a conhecer a comunidade isolada, religiosa e socialista que abriga quase 200 pessoas, todas aparentemente felizes em viver no local – e muito felizes em terem doado quantias consideráveis de dinheiro para mantê-lo.

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Caroline explica aos amigos que o líder do local (Gene Jones) é chamado de “Father” pelos moradores. Mais tarde, o Pai organiza uma recepção para os jornalistas e concede uma entrevista a Sam, que passa a entender o motivo de as pessoas quererem permanecer em Eden Parish. Eles não demoram a perceber, porém, que o lugar não é tão bom quanto parece.

The Sacrament não é uma história original. A frase “baseada em eventos reais” aqui tem um sentido bem literal. Ti West afirmou em uma entrevista que sempre foi fascinado pela história de Jonestown, comunidade que existiu no nordeste da Guiana na década de ’70, e seu filme retrata um local muito parecido. Assim, quem já conhece a história real não terá grandes surpresas com The Sacrament e pode até se decepcionar, uma vez que os acontecimentos reais envolveram mais variáveis do que se vê no longa e as proporções foram bem maiores. Apesar que não é difícil adivinhar qual será o destino de Eden Parish, mesmo para quem não está familiarizado com os fatos.

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O filme, porém, dá uma boa ideia de quão perigoso pode ser o fanatismo religioso e político. Sam, Jake e Patrick conhecem membros a comunidade que, antes de abandonarem suas vidas e se mudarem para um local simples e isolado, estavam desesperadas por pertencer a algum lugar. Essa vontade as fez seguir um homem que não conhecem, porém que logo identificam como seu protetor e o responsável por salvar suas vidas. E, se The Sacrament não é um filme de terror como estamos acostumados a ver, ainda consegue ser assustador por mostrar até onde as pessoas podem chegar quando guiadas por certas filosofias, e por sabermos que essas situações são, sim, muito reais.

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People’s Temple

(se você não conhece a história de Jonestown e não assistiu a The Sacrament, pare de ler!)

O Peoples Temple foi criado por Jim Jones na década de ’50, nos Estados Unidos, crescendo por mais de 20 anos e se espalhando por várias partes do país e estabelecendo uma comunidade na Guiana em 1974, conhecida como Jonestown. Jones via o local como um “paraíso socialista” que tinha ligações com países como a China, a Coreia do Norte e a então União Soviética. Os moradores de Jonestown chamavam Jones de “Pai”, doavam grandes quantias em dinheiro para a comunidade, não tinham permissão de deixar o local e passavam por simulações de suicídio.

Jim Jones (3)

Em 1978, Jonestown recebeu a visita do congressista americano Leo Ryan, que investigava denúncias de abusos contra os moradores do local. Alguns membros da comunidade chegaram a pedir a ajuda de Ryan para deixar a comunidade e o acompanharam até a pista de voo de onde o congressista voltaria para os Estados Unidos. Antes de partirem, porém, Ryan, membros de sua equipe e membros da comunidade foram assassinados a tiros por moradores que defendiam Jonestown.

Jim Jones

Jim Jones

Na mesma noite, Jim Jones reuniu os membros da comunidade e, afirmando que tudo estava perdido, os incitou a cometer o que ele chamou de “suicídio revolucionário”. Ao verem seus conhecidos morrendo, alguns chegaram a hesitar, mas Jones os incentivou a “morrer com dignidade”. O líder do Peoples Temple se matou com um tiro na cabeça. 909 pessoas morreram em Jonestown. Fora da comunidade, cinco pessoas foram assassinadas por membros, enquanto quatro dos seguidores de Jones cometeram suicídio. Ao todo foram 918 mortes, no que se tornou a maior perda de vidas civis americanas de causas não-naturais até o 11 de setembro.

Suicídio coletivo

Suicídio coletivo

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3 Comentários

  1. Mk

    Eu já conferi quase toda a filmografia do diretor Ti West ( menos o primeiro filme, que deve estar no limbo de tão obscuro) e percebo que a cada filme que assisto dele tenho a certeza absoluta que não sou seu fã.Ele possui filmes com conceitos interessantes mas sempre são lentos demais com finais abruptos, soníferos de uma hora e meia.E olha que eu sou fã de filmes atmosféricos.

  2. Guilherme

    Eu gostei muito desse filme, só acho que eles perceberam que o lugar não era bom rápido demais, deveria ter se passado pelo menos alguns dias.
    E no caso do Jim Jones, em um programa do Investigação Discovery, disseram que uma família sobreviveu, a mesma que tentou fugir com o congressista (apesar da mãe e mais alguns terem morrido no tiroteio). Anos depois as duas garotas sobreviventes deram entrevistas para esse programa.

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