Críticas

O Duende: As Origens (2014)

Não assista nem se o DVD viesse pintado de ouro!

O Duende - As Origens (2014) (4)

O Duende: As Origens
Original:Leprechaun: Origins
Ano:2014•País:EUA
Direção:Zach Lipovsky
Roteiro:Harris Wilkinson
Produção:Michael J. Luisi
Elenco:Dylan Postl, Stephanie Bennett, Andrew Dunbar, Melissa Roxburgh, Brendan Fletcher, Garry Chalk, Teach Grant, Bruce Blain, Mary Black, Emilie Ullerup, Gary Peterman

Em 1993 foi lançado um pequeno filme de terror – nas proporções de produção e na estatura do vilão – que foi relativamente popular para a época. O Duende é uma produção lembrada principalmente por ter sido um dos primeiros trabalhos da futura estrela Jennifer Aniston e por ter no elenco o sempre excelente Warwick Davies (Willow) no papel título. Apesar de ser um filme bobo e tosco, abusava de um humor com timing, diálogos irônicos e bastante violência, que o tornam ainda hoje um excelente guilty pleasure para aquelas noites chuvosas de sábado.

A numerosa franquia gerada a partir do original (foram nada menos que seis filmes, quase todos lançados no Brasil e com títulos que confundem o espectador em relação a ordem de lançamento) seguiu a mesma fórmula com sucesso moderado. Era o tipo de filme que antes de colocar o VHS na boca do aparelho você já sabia o que esperar. E a entrega, se não era uma tour de force da sétima arte, pelo menos não decepcionava.

O Duende - As Origens (2014) (1)

Onze anos se passaram desde a última instalação, O Duende Perverso (2003), e, neste tempo, a franquia passou de mãos para a produtora WWE Studios, braço da popular marca de wrestling no cinema e que produziu Noite do Terror em 2006, e que, em 2014, filmou e lançou diretamente para VoD e home vídeo O Duende: As Origens. O resultado foi que, ao remover elementos primordiais do sucesso da franquia (o humor e a violência), tratando-o com uma seriedade que jamais lhe coube, fizeram um estrago tamanho que faz o original parecer A Lista de Schindler em comparação.

O que deveria ser um reboot, uma modernização, começa com dois casais de mochileiros – são eles: Ben (Andrew Dunbar), Sophie (Stephanie Bennett, Fenômenos Paranormais 2), David (Brendan Fletcher, Freddy vs. Jason) e Jeni (Melissa Roxburgh, que seria protagonista na cancelada série Supernatural: Bloodlines) – que estão em viagem pelo interior da Irlanda.

Ao aportar em uma pequena vila, percebem uma oportunidade de conhecer pontos turísticos que não estão nos guias. Com este pretexto os quatro são levados por dois habitantes locais a uma velha cabana rodeada pela mata densa, porém percebem que estão presos na residência e que há um monstro sanguinário os rodeando, a personificação da lenda do Leprechaun (sai Warwick Davies, entra o wrestler Dylan Postl). Com o tempo descobrem que os moradores roubaram o ouro do duende e que estão usando estes eventuais forasteiros como sacrifício para acalmá-lo e não atacar os irlandeses. Será que os turistas conseguirão sobreviver a noite?

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Ainda que fosse uma produção original, o roteiro e seu desenvolvimento é tão genérico (seguindo o manjado esquema de ataque-morte-fuga) que poderia valer para qualquer ameaça: um chupacabra, um urso, um bando de esquilos raivosos. O fato de ser um duende não tem significado e não há qualquer ligação entre este monstro e a roupinha engraçadinha de Warwick Davis nos anteriores.

O diretor Zach Lipovsky (que está a frente do filme baseado no game Dead Rising) opta por esconder quase todos os efeitos visuais e na escuridão mal dá para ver como é o tal duende – que nas raras aparições lembra um goblin feioso da trilogia Senhor dos Anéis – quando um dos atrativos da franquia sempre foi o visual ameaçador e engraçado do leprechaun… Para ter uma ideia, neste aqui deram até uma “visão do predador” horrenda para o duende, vai vendo…

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Atrelado aos personagens pouco carismáticos e conflitos de caráter que não vão a lugar algum, as atuações são muito fracas de um elenco amador e inconstante (um cara que teve meia perna arrancada no começo do filme, por exemplo, ora tropeça, ora corre…). E, consequentemente, não existe suspense que se sustente, assim como não existe motivo algum para existir. Tanto que o final abrupto aos 78 minutos dá a impressão que o diretor disse: “foda-se, eu vou pra casa, vocês que terminem esta merda“. Seguido por 12 inexplicáveis minutos de créditos finais.

Entendo que O Duende – As Origens deveria ser exibido em escolas de cinema, talvez como castigo, mas principalmente para alertar jovens cineastas que, mesmo que resolvam aplicar fórmulas testadas a exaustão, é preciso demonstrar algum talento ou um pingo de criatividade. Para mim desponta disparado como o pior filme do ano (e dos anos antes deste), portanto não vejam nem por um balde de ouro! Faça um favor a si mesmo e prefira assistir a Jennifer Aniston ser perseguida por um anão de roupa verde no começo dos anos 90. É infinitamente mais divertido.

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