Críticas

A Percepção do Medo (2015)

Percepção do Medo fez meu estômago revirar e meu cérebro dar um nó milhares de vezes no decorrer de seus quase 110 minutos!

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A Percepção do Medo
Original:A Percepção do Medo
Ano:2015•País:Brasil
Direção:Armando Fonseca, Kapel Furman, Gurcius Gewdner
Roteiro:Armando Fonseca, Kapel Furman, Gurcius Gewdner
Produção:Mariana Betoni
Elenco:Ricardo Gelli, Felipe Folgosi, Greta Antoine, Patricia Rochael, Elder Fraga, Paulo Leite, Mariana Hein, Magnum Borini, Pomba Cláudia, Cláudia Borba,

A Percepção do Medo é um longa-metragem que foi contemplado no edital do Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais 11ª Edição, sendo lançado em meados de 2014 e tendo à frente do projeto cinematográfico Kapel Furman (Pólvora Negra), que juntamente com Armando Fonseca e Gurcius Gewdner concebem esse “filme arte”, contando também com a produção do Fantaspoa Produções e Infravermelho Filmes.

Buscando mostrar os medos internos dos cidadãos de cidades grandes, os três diretores tiveram total liberdade de criar seus roteiros de forma separada, fazendo suas histórias transitarem em três grandes metrópoles: Brasília, Florianópolis e São Paulo, mas engana-se quem pensa que são três tramas distintas: apesar de a criação ter sido individual, o filme como um todo se conecta de forma inacreditável, parecendo apenas um único roteiro.

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O personagem principal da trama, Marcus (Ricardo Gelli), é um cara que tem uma vida péssima, é constantemente humilhado no trabalho pelo chefe e por seu colega Cesar (Felipe Folgosi). Marcus também é visivelmente apaixonado por sua vizinha Andrea (Patricia Rochael), que namora um playboy esnobe que faz questão de esfregar isso na sua cara. Com essas desventuras constantes o personagem começa a perder o senso de realidade e entrar em um caminho sem volta.

A primeira parte do filme que fica por conta de Armando Fonseca se passa toda em Brasília, e isso fica visível nas constantes andanças de Marcus, que transita de carro por alguns dos pontos mais conhecidos da cidade, como a ponte JK. Já o segmento dirigido por Gurcius intercala com o segmento de Armando.

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Entre os problemas de Marcus e uma TV ligada no Jornal local de Brasília, somos transportados à cidade de Florianópolis, em cenas fora da realidade, onde temos Carlos e o seu problema desesperador, que também passa por pontos importantes da cidade. Só que diferente de Marcus, Carlos faz seu percurso a pé. Não entrarei em detalhes, mas sem dúvida é um dos segmentos mais insanos, tirando o espectador de sua zona de conforto ao total desconserto – espere por isso em alguns momentos no decorrer do filme.

No segmento de Kapel, o personagem Marcus está de volta de uma viagem, e precisa recorrer a um chaveiro para entrar em seu apartamento. Nesse momento o clima fóbico está dentro da casa: entranhado no local desde a primeira cena no corredor do prédio, vagarosamente ele encontra o seu ápice com a chegada da vizinha (Greta Antoine).

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Desde que o mundo é mundo, um dos fatores que movem a humanidade é o “medo”. Provavelmente nós, fãs do horror e do fantástico, somos colocados à prova e transitamos nos mais diferentes medos quando imergimos em alguma trama, mas A Percepção do Medo me fez não somente imergir, mas sentir, fez meu estômago revirar e meu cérebro dar um nó milhares de vezes no decorrer de seus quase 110 minutos, buscando respostas, conexões e ao final me deixando com uma intensa satisfação com seu resultado. Afinal filme bom não necessariamente é aquele que te dá um final feliz e uma história mastigada;  é aquele que te faz ficar refletindo por horas, dias, meses, onde você quer assistir de novo e descobrir mais alguma coisa nova para o seu vocabulário interno de simbologias cinematográficas.

Poucos diretores tem esse poder sobre o expectador! Se fosse citar algum que me desperta essa sensação, citaria David Lynch e agora acrescento também como minha referência os brasileiros Kapel Furman, Armando Fonseca e Gurcius Gewdner – talvez seja um desafio descrever o que foi visto, pois existem tramas que simplesmente fogem da compreensão e não podem ser definidas, mas o trabalho como um todo é um belíssimo exemplo do cinema atual brasileiro e, apesar de orçamento baixo, o talento sobrepõe a falta de recursos.

Fica aqui a dica de um excelente filme!

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5 Comentários

  1. Scopel

    onde tem pra comprar?

  2. Hierofante1970

    Só gostaria de saber em qual cinema que passou esse filme, pois como sempre os filmes brasileiros que não tenham o selo da Globo na produção passam desapercebidos em São Paulo, sem comentários.

    • Silvana Perez Silvana Perez

      O filme foi exibido no Fantaspoa, em Porto Alegre 🙂

  3. Bruno .

    Linch? Quem é Linch? Jennifer N. Linch?
    Ou seria David Lynch?

    Há diferença.

    • Oi Bruno! Eu estou me referindo ao David Lynch, foi erro de digitação meu, mas irei corrigir. Valeu o toque 🙂

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