Críticas

Eclipse Total (1995)

Contando com mais acertos do que erros, Eclipse Total entra no rol das boas adaptações de King!

Eclipse Total (1995) (2)

Eclipse Total
Original:Dolores Claiborne
Ano:1995•País:EUA
Direção:Taylor Hackford
Roteiro:Tony Gilroy, Stephen King
Produção:Taylor Hackford, Charles Mulvehill
Elenco:Kathy Bates, Jennifer Jason Leigh, Christopher Plummer, Judy Parfitt, David Strathairn, Eric Bogosian, John C. Reilly, Ellen Muth, Bob Gunton, Wayne Robson, Ruth Marshall

O primeiro romance de Stephen King a ser escrito completamente em primeira pessoa e sem divisão em capítulos (esse último aspecto usado também em Cujo), Eclipse Total (ou Dolores Claiborne) é um livro de 1992 que traz mais uma de suas histórias que se distanciam (pelo menos em grande parte) do universo sobrenatural característico da maior parte de sua obra. Constituindo-se como um thriller psicológico, o romance também é interessante por ter uma ligação narrativa e também temática com outro trabalho do autor, Jogo Perigoso, também de 1992 e que originalmente fazia parte de um projeto chamado In the Path of the Eclipse (em ambos há a ocorrência de um eclipse total como parte das tramas, embora a ideia tenha sido posteriormente rejeitada por King).

Como se tornou tradição no cinema americano, os sucessos literários não demoram muito tempo a serem transpostos para as telonas e três anos foram o suficiente para que a obra fosse adaptada pelo roteirista Tony Gilroy (responsável pelos roteiros da franquia Bourne) e dirigida por Taylor Hackford (Advogado do Diabo), mudando por razões óbvias a narrativa em forma de monólogo do livro para um formato padrão. O longa conta a história de Dolores Claiborne (Bates), que cuidava sozinha da velha e rica Vera Donovan (Parfitt) em uma pequena e isolada cidade no Maine. Um dia a senhora aparece morta ao pé da escada e Dolores surge como a única suspeita. Sua filha Selena (Jason-Leigh), uma jornalista de Nova Iorque, chega ao local após mais de uma década sem ver a mãe e conflitos familiares se desenrolam, revelando segredos do passado ao mesmo tempo em que acompanhamos as investigações sobre a morte de Vera.

Eclipse Total (1995) (1)

Beneficiado por boas atuações num elenco homogeneamente competente, Hackford emprega uma direção convencional ao mesmo tempo em que entrega uma estética bastante virtuosa utilizando a saturação e a dessaturação da fotografia de Gabriel Baristain, respectivamente quando emprega o passado ainda esperançoso e quente em oposição ao presente frio e denso das personagens. Há ainda a fluidez na montagem de Mark Warner, que confere um maior dinamismo e fluidez à narrativa que é em sua essência bastante lenta. A trilha sonora pesada e simples mais atrapalha do que ajuda na construção do filme, que acaba se parecendo nesse aspecto mais como um telefilme de Sessão da Tarde. E embora a transição passado/presente acabe até ajudando como já mencionado (algo difícil de ocorrer já que tais idas e voltas tendem a fragmentar o roteiro), o filme acaba descambando para um terceiro ato morno que contém um desfecho um tanto abrupto e burocrático, não permitindo uma maior conexão com o espectador.

Elipse Total (1995) (1)

Contando com mais acertos do que erros, Eclipse Total entra no rol das boas adaptações de King, ainda que fique um sentimento de que poderia ser bem melhor nas mãos de outro roteirista.

Curiosidades:

Stephen King escreveu o papel de Dolores já tendo em mente Kathy Bates. Ele havia ficado impressionado quando encontrou com a atriz durante as filmagens de Louca Obsessão;

– Durante a briga entre Dolores e seu marido, ela menciona que ele pode ir parar em Shawshank pelo que fez. Shawshank faz parte do título e o local onde se passa a história The Shawshank Redemption (e no filme Um Sonho de Liberdade).

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