Críticas

O Estripador da Rua Augusta (2014)

É um curta que poderia tomar rumos mais interessantes, porém merece uma conferida com toda a certeza!

O Estripador da Rua Augusta (2014) (1)

O Estripador da Rua Augusta
Original:O Estripador da Rua Augusta
Ano:2014•País:Brasil
Direção:Geisla Fernandes, Felipe M. Guerra
Roteiro:Geisla Fernandes, Felipe M. Guerra
Produção:Elise Miyazaki de Siqueira, Geisla Fernandes, Felipe M. Guerra, Eduardo Luderer, Daniela Monteiro
Elenco:Monica Mattos, Henrique Zanoni, Daniela Monteiro, Geisla Fernandes, Felipe M. Guerra, Carina Bueno, Marcel Mars, Gio Mendes, Eduardo Luderer, Valter Junior, Augusto Servano Rodrigues, Júlia da Fonseca

Imagine o encontro de um psicopata com uma vampira? Esse é o mote do curta O Estripador da Rua Augusta.

Uma vampira (a musa do pornô Monica Mattos) sai como prostituta a noite para se alimentar de sangue de incautos. Paralelamente um maníaco (Henrique Zanoni) sai pelos bares da Rua Augusta, um dos pontos mais folclóricos de São Paulo, a caça de mulheres, para suas brincadeiras mortais. O acaso faz com que o notório psicopata, chamado pela imprensa de “o estripador da Rua Augusta” acabe levando a vampira para casa, e o rapaz só não é mordido graças ao narcótico que havia colocado na bebida da moça.

Com a vampira mantida como prisioneira, com a providencial água benta e um crucifixo nas algemas, o psicopata acaba utilizando a vampira em seus jogos sádicos, com a vantagem de poder machucar a sua vítima o quanto quiser, pois na noite seguinte a garota está nova em folha, pronta para novas torturas, devido o seu poder de regeneração. Claro que para manter sua vítima viva, o algoz a alimenta com sangue.

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O curta então toma ares de torture porn, na linha do Guinea Pig, com a vampira sendo constantemente torturada com direito a furadeira, arame farpado, e uma agonizante cena de extração de um mamilo. Mérito de Kapel Furman, que realizou um belo trabalho nos efeitos.
Tudo segue nessa rotina, até o assassino resolver mudar de ares, e voltar a pegar humanas normais. O final terá uma virada digna da Hammer.

Confesso que esperava algo diferente. Imaginava um curta que focasse no conflito vampira versus serial killer, com vários cadáveres de incautos ao redor, pelas calçadas da Augusta, ou seja, com mais cenários externos noturnos, afinal o próprio título do curta nos induz a uma ideia de exteriores. O cenário do apartamento se mostra clean demais (serial killers não são famosos necessariamente pelo capricho e um pouco de imundice cairia bem).

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Curioso que em um dos diálogos do filme, a vampira fala que frequenta sessões de bronzeamento artificial – boa sacada do roteiro para justificar as marcas de biquíni no corpo nu de Monica Mattos, afinal, como um ser que não pode se expor ao sol, pode ficar bronzeado?

Escrito e dirigido por Geisla Fernandes e Felipe M. Guerra, partindo da ideia do último, que por sua vez se inspirou numa história dos quadrinhos de Preacher, em que o vampiro Cassidy enfrenta um pistoleiro sádico, O Estripador da Rua Augusta é mais um esforço do nosso cinema independente.

Monica Mattos, que foi a escolha do co-diretor Felipe M. Guerra desde o início do projeto, mostrou-se um acerto, assim como a decisão de deixá-la nua enquanto prisioneira do assassino – no conceito inicial ela usaria lingeries. A musa do pornô brasileiro, que aceitou trabalhar por um cachê menor do que habitualmente recebe, e passou por horas de filmagens algemadas, é obviamente o grande destaque do curta.

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O curta em seu corte original, feita pela Geisla Fernandes, contava com a narração em off da vampira como parte do roteiro original. Felipe M. Guerra resolveu remontar o filme, retirando a narração, trocando a trilha e colocando algumas mudanças, aumentando a duração em três minutos. Sendo assim, temos duas versões de O Estripador da Rua Augusta, cada uma feita por um dos diretores. A versão analisada aqui é o corte do Felipe M. Guerra.

Vale destacar a excelente trilha sonora, que inclui músicas da banda Damn Laser Vampires, que se adéqua bem a proposta da obra. A banda, inclusive,  já havia trabalhado com Felipe M. Guerra, que os co-dirigiu com o diretor neozelandês David Blyth no curta David Blyth’s Damn Laser Vampires.

Vale notar a participação dos diretores no elenco – Felipe M. Guerra como a primeira vítima da vampira, e Geisla Fernandes como a última vítima do maníaco.

Resumo da ópera: O Estripador da Rua Augusta é um curta que poderia tomar rumos mais interessantes, porém merece uma conferida com toda a certeza.

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1 Comentário

  1. Carlos Dente

    Se cabe uma sugestão, que tal um artigo sobre o curta ‘Red Hookers’, da Diretora Larissa Anzoategui, também com Monica Mattos?

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