Críticas

10 Minutos para Morrer (1983)

Se procurar aqui uma típica aventura brucutu de Bronson, ou vai quebrar a cara, ou vai se surpreender com um thriller bem construído!

10 Minutos para Morrer (1983) (1)

10 Minutos para Morrer
Original:10 to Midnight
Ano:1983•País:EUA
Direção:J. Lee Thompson
Roteiro:William Roberts
Produção:Lance hool e Pancho kohner
Elenco:Charles Bronson, Lisa Eilbacher, Andrew Stevens, Gene Davis, Geoffrey Lewis, Wilford Brimley, Kelly Preston.

A filmografia oitentista de Charles Bronson foi marcada pelas suas participações em produções da Cannon, a maior fábrica de filmes de ação B da época, sendo a maioria dessas empreitadas capitaneadas pelo diretor J. Lee Thompson, este é a quarta união do diretor e o ator (no total de nove filmes) e o primeiro da dupla pela lendária produtora dos primos israelenses Menahem Golan e Yoram Globus. Ao colocar o velho astro caçando um serial killer, trocando a truculência de tiros por um clima de suspense, acabaram criando o melhor trabalho da dupla Bronson/Thompson.

Aqui Bronson (estreando uma então nova cirurgia plástica no rosto) interpreta Leo kessler, policial veterano que está no encalço de um serial killer que anda estripando mulheres pela cidade. Para o caso ele ganha um novo parceiro, Paul McAnn (Andrew Stevens), um tira novato e idealista que, óbvio, baterá de frente com as crenças, digamos um tanto reacionárias, do nosso herói, ao longo da investigação.

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Os problemas começam quando Kessler descobre que uma das vítimas do maníaco era amiga de sua filha, Laurie Kessler (Lisa Eilbacher), uma enfermeira que sempre se sentiu negligenciada pelo pai, que dava mais atenção ao trabalho do que a família. Laurie não só acabará se envolvendo com o parceiro de seu pai como poderá ser a próxima na lista.

O criminoso em questão é Warren Stacy (Gene Davis, que depois faria outro vilão na dobradinha Bronson/Thompson em Mensageiro da Morte (1988)), um homem com óbvios problemas psiquiátricos e com um peculiar modus operandi: ele ataca suas vítimas completamente nu, munido apenas de luvas cirúrgicas e uma faca.

Já no começo do filme o moço mostra o quanto  é engenhoso: vai ao cinema (que está passando o clássico Butchy Cassidy and the Sundance Kid), depois de cantar duas garotas para garantir o álibi. Em meio à projeção ele escapa pela janela do banheiro e vai até um parque atacar um casal que se encontra em plena cópula dentro de um furgão, ele mata o rapaz dentro do carro e depois vai correndo mato à dentro, atrás da moça nua numa cena bem interessante, típica dos slashers (vale lembrar que o diretor Thompson já tinha realizado, dois anos antes, o emblemático representante do subgênero: Feliz Aniversário para Mim), feito o serviço ele retorna ao cinema pela janela antes do término da sessão.

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Claro que Kessler desconfia do sujeito de cara, mas graças às inconveniências legais de praxe (testemunhas que consolidam o álibi, falta de provas materiais, etc), nosso geriátrico herói sente que o suspeito vai lhe escapar entre os dedos. Numa medida drástica Kessler forja provas colando uma mostra de sangue de uma das vítimas na roupa do suspeito (a cena em que informam o vilão da acusação chega a ser cômica: ele tem um ataque de fúria, pois afinal, essa seria justamente a mancada que não daria, já que ataca pelado). No entanto, graças à pressão de seu parceiro,  o policial veterano volta atrás e confessa que tinha plantado as evidências na esperança de enquadrar o sujeito.

Esta parte do roteiro também foi inspirada num caso real acontecido na Inglaterra, onde um investigador da Scotland Yard plantou provas para incriminar um assassino que desova seus cadáveres no Tâmisa. Vale lembrar também que os testes de DNA só iriam ser usados dois anos depois do filme.

Com Warren solto, Kessler, agora sem o emprego, acaba perseguindo o sujeito aonde quer que vá, mas isto não faz com que o psicopata desvie de seu objetivo: matar a filha do policial.

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Embora Bronson faça aqui seu papel habitual do velho herói cansado com as leis que aliviam a vida dos marginais e acaba criando seu próprio código de conduta. Seguindo a velha retórica reacionária. O filme foge ao padrão habitual de produções estreladas pelo astro, aqui não há a profusão de tiros e explosões em ritmo frenético, pelo contrário temos um ritmo lento que privilegia a tensão e o suspense.

10 Minutos para Morrer foi inspirada vagamente em dois psicopatas: Richard Speck e, principalmente, Ted Bundy (Gene Davis que até tem uma semelhança  física com Bundy). A principal diferença é de que Ted Bundy tinha uma lábia que todas as mulheres caiam, enquanto o nosso Warren aqui é sistematicamente rejeitado.

Na verdade o que temos aqui é um interessante mix de thriller policial com slasher: a trama vai crescendo devagar até o clímax final, o ataque  do  vilão ao dormitório do hospital, onde reside à filha do herói – sequência em que o diretor constrói um suspense de primeira linha. E que foi inspirada no ataque de Richard Speck, que matou oito enfermeiras em 1966. Só para constar: Ted Bundy, em 1978, matou duas garotas e feriu outras três ao invadir o dormitório de uma república de estudantes.

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Originalmente escrito com o título de ‘Bloody Sunday’ (Domingo Sangrento), foi ideia de Menahem Golan mudar para ‘10 to Midnight’ (10 para Meia-Noite), embora nenhum dos dois títulos tenha muita ligação com o filme!

Embora seja um veículo para Bronson, é Gene Davis que rouba a cena, dando intensidade a seu personagem. Destaque também para o elenco secundário com caras manjadas do cinema oitentista como Kelly Preston, Wilford Brimley e Geoffrey Lewis, como o desprezível advogado do vilão.

Quem for procurar aqui uma típica aventura brucutu de Bronson, ou vai quebrar a cara, ou vai se surpreender com um thriller bem construído, em que não falta sangue e nudez. Ótimo filme.

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