Críticas

Brasil Fantástico – 7º CineFantasy (2016)

Fantasia e loucura se misturam numa sessão de curtas brasileiros criativos e bem divertidos!

O 7º CineFantasy, realizado em setembro de 2016, não poderia deixar de fora as produções nacionais. Viajar pela cultura fantástica de outros países é sempre interessante, mas há muitas coisas boas sendo realizadas aqui e que merecem a atenção do público. Além de longas como O Diabo Mora Aqui e A Percepção do Medo, vários curtas nacionais foram destaque da programação – como sempre aconteceu nas outras edições do festival. O dia 8 de setembro voltou-se completamente para a nossa produção, em sessões lotadas e que contaram com a participação de muitos dos envolvidos nas produções. E esse dia também permitiu o encontro da equipe do Boca do Inferno para prestigiar o evento, entrevistar os organizadores e conversar com os realizadores.

Às 15 horas, o paranaene Relicarium deu o pontapé inicial das produções. Produzido pela Imagística Filmes, e com direção e roteiro de William de Oliveira, o curta trouxe um dos vilões mais incômodos dessa edição do CineFantasy. O avarento dono de um antiquário, interpretado por José Castro, recebe a visita desesperada de uma senhora (Raquel Gonçalves), oferecendo para venda um pequeno móvel antigo. Ignorado pelo senhor, ela abandona o objeto ali e vai embora, inconformada. No entanto, o homem descobre que o móvel é mágico, capaz de duplicar tudo o que é colocado em sua gaveta. Depois de alguns testes, ele, obviamente, começa a preenchê-lo com dinheiro, imaginando que nem precise mais trabalhar em sua loja. Mas, como o gênero fantástico já cansou de ensinar, nem tudo é tão fácil e simples quanto parece. Bem dirigido e com ótimas atuações, Relicarium poderia fazer parte de séries como Histórias Maravilhosas e Além da Imaginação pelo seu tema extraordinário e sempre interessante!

O segundo curta, de São Paulo também teve uma direção primorosa, sendo, inclusive, indicado à categoria. O Sinaleiro, de Daniel Augusto, é uma história de fantasma, ambientado à proximidade da linha do trem, com um único personagem, interpretado por Fernando Teixeira. Em sua rotina solitária, o velho sinaleiro sente a deterioração de sua pele e uma presença estranha no local. Levemente inspirado no conto homônimo de Charles Dickens, a versão de Daniel Augusto amplia a sensação de desolamento pela ausência de diálogos, contando com uma trilha incidental bem sugestiva. Muito bom!

Julia, dirigido e atuado por Andre Luis Camargo, traz um executivo com problemas em seu relacionamento, em delírios de sexo e violência. Morando com a garota que dá título ao curta, sempre sonolenta, ele busca a reflexão com os conselhos de seu vizinho do andar de cima. As coisas não são como ele imagina, e a difícil aceitação da realidade poderá apresentar um outro lado de seu caráter, condenando-o por suas ações exageradas. Também de São Paulo, o curta é até previsível, porém tem méritos na boa interpretação, na sensualidade e na conclusão sangrenta.

Caçador foi exibido no Festival Boca do Inferno II, e arrancou elogios do público presente. Parecia uma produção estrangeira épica, devido a sua qualidade técnica impressionante, incluindo a atuação do protagonista. Um caçador (Samuel Reginatto) acaba de perder sua maior referência, o pai, e em sua jornada contra um estranho e seu cachorro, ele resgata acontecimentos do passado, como a frieza em ter que matar um coelho, permitindo entender algumas de suas ações do presente. Bem comandado, pela dupla Taísa Ennes Marques e Rafael Duarte, e com uma fotografia impecável, com destaque para o rio de sangue, Caçador teve ótimas passagens por diversos festivais e merece todos os elogios!

O último curta da sessão Brasil Fantástico é o apocalíptico O Tempo que Leva, de Cíntia Domit Bittar, lançado em 2013. O efeito estufa é lembrado quando o calor insuportável começa a afastar as pessoas das cidades grandes. Algumas pistas, com informações sobre as tragédias que se espalham, permitem que o público imagine o que está acontecendo, enquanto acompanha a bela Jamila em sua jornada para consertar seu ventilador. Mesmo com o caos e a vermelhidão do céu, ela se relaciona com o técnico, observando o fim que se aproxima. Uma paixão rápida, quente, sem vento e sem pressa. Um eco-terror, com um mensagem consciente!

Ao término da sessão, os presentes ficaram satisfeitos pelas narrativas incríveis e divertidas, nem imaginando que nas horas seguintes testemunhariam um pesadelo mais gráfico e intenso!

Leia também:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *