Críticas

Jason Vai para o Inferno: A Última Sexta-Feira (1993)

Não só Jason, mas todo o enredo bagunçado e os responsáveis por uma continuação tão descaracterizada!

Jason Vai para o Inferno: A Última Sexta-Feira
Original:Jason Goes to Hell: The Final Friday
Ano:1993•País:EUA
Direção:Adam Marcus
Roteiro:Adam Marcus, Jay Huguely
Produção:Sean S. Cunningham
Elenco:John D. LeMay, Kari Keegan, Kane Hodder, Steven Williams, Steven Culp, Erin Gray, Rusty Schwimmer, Richard Gant

Depois do fiasco que foi o oitavo filme, a Paramount vendeu os direitos da franquia para a New Line. Diferentemente da produtora original, a “nova casa” de Jason aguardou três anos para lançar a sua primeira sequência, estudando roteiros, trazendo novamente Sean S. Cunningham (que dirigiu o primeiro) para produzir – deviam ter trazido Steve Miner – e buscando ideias novas para uma série já desgastada. Fazer o assassino atacar jovens em acampamentos não teria mais graça; levá-lo a novos horizontes, também não.

Jay Huguely, Adam Marcus e Dean Lorey resolveram então dar “um novo sangue” para Jason, praticamente reinventando a franquia, homenageando os fãs de terror e ignorando boa parte do que foi mostrado nos filmes anteriores. Esqueça: Jason nunca foi para Nova Iorque; Crystal Lake nunca mudou seu nome para “Forest Green” – já que os habitantes da região têm orgulho de seu ilustre assassino; Tommy Jarvis nunca existiu…

Bom, se você não quiser esquecer esses detalhes, procure uma revista americana lançada na época, que explica como Jason voltou para Crystal Lake e como o FBI resolveu se meter na brincadeira….

Se você não leu, então esqueça mesmo. Fica muito mais fácil aceitar as bobagens do roteiro de Jason Vai para o Inferno. A primeira delas: Pamela Voorhees teve também uma filha: Diana Kimble (que alterou seu nome para não ser associada ao maníaco). Esta por sua vez, teve uma filha, Jessica Kimble (sobrinha de Jason), que também teve um filho. Inventar uma irmã para Jason nada mais é do que homenagear Halloween (sim, é uma homenagem, como centenas de outras que acontecem no filme).

Ao perseguir uma garota por Crystal Lake, Jason é encurralado, metralhado e explodido numa operação militar. Seus restos mortais são levados ao necrotério para um legista realizar a necropsia. Sem corpo e eletricidade para voltar à vida, a maldade de Jason incorpora no legista, que come seu coração, e se transforma no assassino imortal.

Na saída, mata dois agentes do FBI, um deles interpretado pelo próprio ator que interpreta Jason, Kane Hodder.

Depois, mata alguns jovens num acampamento ( “– vocês vão transar, usar drogas e serem assassinados?”, diz Steve Freeman para as futuras vítimas, numa das boas falas do longa) e segue rumo ao encontro de algum membro de sua família. Sem corpo fixo, ele precisa de alguém da família para poder voltar (“– Somente um Voorhees pode matar Jason e fazê-lo renascer.”) e está disposto a matar todo mundo que cruzar seu caminho para realizar sua missão.

Aqui, os fãs questionam: por que Jason não foi atrás de sua irmã antes, nos filmes anteriores? A explicação dos roteiristas é simples: ele não foi porque somente agora oficialmente seu corpo foi completamente destruído. E ele só precisa dela para renascer, então não haveria motivo para procurá-la antes…

A única pessoa que conhece esse segredo é o caçador de recompensas, Creighton Duke, que diz ter pesquisado nos arquivos da família Voorhees para descobrir um jeito de matar Jason. O caçador passa o filme inteiro na delegacia, apenas saindo na sequência final, o que é difícil de entender o motivo realmente. O roteiro até faz o caçador xingar a filha do delegado para ficar enjaulado o filme inteiro…

Toda a ação culmina na casa dos Voorhees, onde Jason faz o que devia ter feito o filme inteiro e inexplicavelmente não fez: entra no cadáver de Diana e renasce. Segue uma luta ridícula com o heroizinho, Steven, em que Jason simplesmente atira o corpo do rapaz para todo lado ao invés de quebrá-lo como sempre fez. Também fica difícil engolir a cena em que ele bate no rapaz com um ferro ao invés de simplesmente enfiá-lo no estômago dele, como sempre fez.

Aliás, o visual de Jason está péssimo aqui. Com o cérebro à mostra, gordinho e com fios de cabelo comprido, o assassino solta grunhidos o filme inteiro e até chega a falar, quando incorpora um policial. (!!!) . E a trilha incidental que toca sempre que Jason aparece é chata de doer…

Para piorar tudo, o roteiro ainda traz um punhal como arma única capaz de matar Jason. Um detalhe besta e sem fundamento algum… Crystal Lake, que antes era um local amaldiçoado, agora é um ponto turístico, que vende doces em forma da máscara de Jason e souvenirs. Há até o inescrupuloso que quer transformar a casa dos Voorhees num museu com a história dos assassinatos no local.

Jason vai para o Inferno é bem ruim, realmente. Mas, ainda insisto, não consegue ser pior do que a péssima parte 8. Além de ser bem movimentado – não é nem um pouco tedioso como foi dito aqui -, traz diversas homenagens aos filmes de terror. Tem citação ao The Hidden – O Escondido (pela troca de corpos), a John Carpenter (quando aparece uma caixa no porão, onde se lê Julia Carpenter) e Expedição do Ártico (citação ao episódio do monstro da caixa, do Creepshow). Faz menção ao Michael Myers, quando a jovem diz que o rapaz está na estrada próximo à casa dos Myers; menciona O Incrível Homem que Derreteu; citação ao Alien – O Oitavo Passageiro, quando uma criatura sai de dentro do corpo do policial possuído; Evil Dead, quando mostra o Necronomicon, na casa dos Voorhees e por ter um personagem chamado Campbell; além, obviamente, da luva de Freddy Krueger na cena final…

È também bem violento e sangrento – baixei a versão uncut, por curiosidade: vemos mais detalhes do homem derretendo (com a queda de seu queixo e tudo mais); o cérebro de uma jovem explodindo para o teto depois de ser esmagado por Jason (ela diz “vai para o inferno”); a garota que é rasgada no meio na tenda – inclusive a cena de sexo é mais longa na versão estendida – , o braço do gordo loiro sendo quebrado com detalhes, exibindo os ossos; a criatura entrando entre as pernas de Diana; e o coração sendo engolido com mais detalhes…

Jason foi mesmo para o Inferno. Mas ainda pretende voltar mais duas vezes, no absurdo Jason X e no confronto Freddy Vs Jason…antes da refilmagem!

Contagem de Corpos

Assassino: Jason Voorhees
1 (86) : Coronel – come o coração de Jason e é possuído…
2 (87) : Assistente do Coronel – ferramenta da necropsia na parte de trás da cabeça, rosto esmagado numa grade de metal
3 (88) : Agente do FBI 1 – lápis na sua espinha (offscreen)
4 (89) : Agente do FBI 2 – dedos no crânio (offscreen)
5 (90) : Alexis – cortada várias vezes por uma navalha
6 (91) : Deborah – varada por trás por um facão, depois cortada ao meio
7 (92) : Luke – cabeça esmagada (offscreen)
8 (93) : Edna – cabeça quebrada na porta do carro
9 (94) : Josh – possuído por Jason, tiros na cabeça, corpo derretido…
XX (XX) : David – cabeça batida contra uma torneira
10 (95) : Diana – facada por trás
12 (96) : Robert Campbell – possuído por Jason, tiros na cabeça, atropelado por carro, empalado…
13 (97) : Oficial Ryan – cabeça batida num armário
14 (98) : Oficial Mark – e
15 (99) : Oficial Brian – cabeças batidas uma na outra
16 (100) : Ward – braço quebrado, arremessado contra a porta do restaurante
17 (101) : Funcionária do restaurante – cabeça batida contra o balcão
19 (102) : Shelby – cabeça enfiada na água quente…
20 (103) : Joey B. – cabeça esmagada
21 (104) : Vicki – empalada com uma ferro, cabeça esmagada
23 (105) : Randy – possuído por Jason, pescoço rasgado por um facão
24 (106) : Creighton Duke – corpo quebrado para trás, ferro varando a perna

No filme, mencionam 5 mortes no estilo Jason, após a saída do necrotério. Mortes não mostradas…

Assassino: Vicki
18 (1): Funcionária do restaurante (camisa azul) – morta por arma de fogo

Morte Acidental
22 : Xerife Landis – empalado com a adaga mágica

Assassino: Jessica Kimble
25 (1): Jason Voorhees – esfaqueado com a adaga mágica, vai para o Inferno.

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7 Comentários

  1. Marcos

    Eu li direito? Assistir esse filme moleque na época dele, e depois de velho, mais não lembro do Jason FALANDO, é o Jason poxa… Jason falando é como ver um soff-porno gay com o Chucky Norris e o Charles Broonson. Uma aberração.

  2. Giovani

    Gostaria de saber onde achou a versão “Uncut” pra fazer o download? Gostaria de ver essa versão.
    Desde já, muito obrigado!

  3. Sérgio

    Questão de opinião: essa sequência é sofrível em todos os sentidos.
    Com cortes ou sem cortes é abaixo da critica…

    • Rodrigo Ramos Rodrigo Ramos

      Também acho o pior da franquia!

  4. MATHEUS LEITE CARVALHO

    Depois da Parte 4, essa é a única continuação que presta.
    Vou explicar: as Partes 2, 3 e 4 são ótimas, inclusive, eu acho que a série deveria ter acabado mesmo no chamado “Capítulo Final”, subtítulo do 4º filme. Mas, sabemos que a coisa não foi por aí… A Parte 5 é um lixo, a 6 é interessante, a 7, foi um exagero, e a 8, tem seus atrativos…
    Mas, na minha opinião, esta é a única continuação que se salva. É uma história absurda, verdade, mas, tem seus agrados.
    Para terem uma idéia, aluguei esse filme em VHS há muitos anos, mas, me assustou tanto, que devolvi na locadora no dia seguinte – o mesmo que aconteceu com o primeiro EVIL DEAD.
    Mas, vendo o filme hoje, percebo que julguei-o mal e até gosto dele.
    E a mão de Freddy… acho que não precisava… E se repararem, encontrarão o Necronomicon do primeiro EVIL DEAD em uma cena, só não lembro qual, mas, me recordo de ver o Livro dos Mortos no filme. Agora, o que ele estava fazendo… não sei…
    A tirada da agada… não precisava mesmo, nem essa de que um Voorhees pode matar Jason…
    Bom, eu gosto de JASON VAI PARA O INFERNO. É o meu Capítulo favorito da franquia.

    • Marcos

      Não amigo, concordo em questão de ruindade das sequencias maaaas, a parte 6 é onde o personagem NASCE no imaginaria da cultura geral.

  5. Carlos Dente

    Gosto bastante deste filme, embora saiba que não deixa de ser uma tranqueira (ainda assim, merecia uma nota maior que o horrível “Jason X”, que tive vergonha de assistir). Lembro que fiz até um trabalho escolar bem elaborado sobre ele, com direito a exibição em sala de aula.

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