Críticas

Kong: A Ilha da Caveira (2017)

Um passeio à hiperbólica terra do rei Kong, com tudo aquilo que você imaginava encontrar!

Kong: A Ilha da Caveira
Original:Kong: Skull Island
Ano:2017•País:EUA
Direção:Jordan Vogt-Roberts
Roteiro:Dan Gilroy, Max Borenstein, Derek Connolly, John Gatins
Produção:Mary Parent, Alex Garcia, Jon Jashni
Elenco:Tom Hiddleston, Samuel L. Jackson, Brie Larson, John C. Reilly, John Goodman, Corey Hawkins, John Ortiz, Tian Jing, Toby Kebbell

Um dos destinos mais procurados em pacotes de viagens internacionais é, sem dúvida, a Ilha da Caveira. Desde a década de 30, período de sua descoberta, ela tem despertado o interesse para aqueles que buscam uma aventura num ambiente selvagem pouco explorado pelo homem moderno. Animais pré-históricos e criaturas desconhecidas disputam a atenção dos turistas com um gigantesco gorila, que conquistou a denominação de Rei pelos nativos que habitam a região. A oportunidade para mais uma visita a esse local fantástico está chegando aos cinemas brasileiros no dia 9 de março, em uma disputa sangrenta pela atenção com Logan, a despedida de Hugh Jackman como Wolverine.

Kong está de volta, basicamente ignorando tudo o que fora mostrado a seu respeito até então. Apesar da existência do conhecido barco Wanderer, naufragado no litoral, o Rei nunca recebeu sacrifícios humanos ou fora retirado de habitat natural para servir de exposição na América. Ele é o principal ser vivo que convive na Ilha da Caveira, e não vê com bons olhos a invasão de estranhos, principalmente aqueles que pretendem bombardear seu território. Em 1944, próximo do fim da Segunda Guerra Mundial, dois aviões inimigos caem na ilha, e seus pilotos são salvos pelo paraquedas. O americano Hank Marlow (Will Brittain) inicia um confronto pelo solo com o japonês, armado com uma espada. A luta termina em um desfiladeiro, com a testemunha de um monstro gigantesco.

Nos créditos, um passeio pela História, com os principais acontecimentos mundiais, destacando os que envolvem os Estados Unidos. Entre as informações relevantes para o enredo, é relatado que satélites estariam fazendo monitoração e registros do espaço, incluindo os russos em sua disputa tecnológica com os americanos. As ações saltam para 1973, à beira do anúncio do fim da Guerra do Vietnã e a saída das tropas americanas. Nesse cenário, os cientistas da Monarch Corp., Bill Randa (John Goodman) e Houston Brookes (Corey Hawkins), pretendem se reunir com o Senador Willis (Richard Jenkins) com o propósito de pedir investimento em uma missão de exploração a uma misteriosa ilha. O convencimento para a expedição se deve ao argumento de Houston sobre uma oportunidade de chegar ao local antes dos russos. “O que esperam encontrar lá?“. “Espécies raras, a cura do câncer…

Eles fazem, portanto, a convocação daqueles que farão parte da experiência. Há o coronel das Forças Especiais que está sem rumo com o fim da guerra, Preston Packard (Samuel L. Jackson), um especialista da SAS, James Conrad (Tom Hiddleston) e a fotógrafa Mason Weaver (Brie Larson). O enredo, escrito a seis mãos por Dan Gilroy (de Gigantes de Aço, 2011), Max Borenstein (de Godzilla, 2014) e Derek Connolly (de Jurassic World, 2015), a partir de um argumento de John Gatins, já começa a identificar os personagens estereotipados ao mostrar cada um dos integrantes integrados à área de interesse: Packard é visto amargurado em seu escritório, com o olhar sobre as condecorações em aparente desilusão; Conrad luta em um bar, mostrando toda a sua habilidade; e Mason está num estúdio de revelação, quando recebe o telefonema a respeito da vaga adquirida. E isso continuará com outros que desfilarão no filme, seja o soldado que só se preocupa em escrever uma carta para o filho ou aquele que faz piadas, mesmo quando a situação demonstra periculosidade.

Em slides, a missão é apresentada aos envolvidos, com o mapa da Ilha da Caveira, e o objetivo de explorar o solo. Partem para a viagem em alto-mar e, depois, via helicóptero, atravessando uma tempestade de raios. Os efeitos especiais são realmente impressionantes, em cada tomada bem cuidada, e não há o que condenar nesse aspecto. Chegam à Ilha e já começam a bombardear o solo, até a aparição do gorila gigantesco para interromper a trilha sonora de Black Sabbath. Aliás, a escolha da trilha é excepcional, casando de maneira adequada à proposta. Aqueles que sobreviverem ao primeiro encontro – o que impressiona por envolver acidentes de helicóptero em contato com a força da criatura – caminharão por uma selva hostil, repleta de monstros gigantes como uma aranha que irá empalar um dos soldados, na melhor morte apresentada.

É claro que o soldado da década de 40 está vivo, desta vez interpretado por John C. Reilly. Ele apresentará os nativos, completamente diferentes dos que já foram vistos em outros filmes do King Kong. E terão que encontrar um meio de sair vivo dali ou, no caso de Packard, matar o monstro gigante, mesmo consciente de que existe uma ameaça subterrânea ainda maior na forma de lagartos vorazes, antecipando o futuro encontro com Godzilla, que virá depois de Godzilla 2. Inclusive, o terreno já é assentado com a menção ao teste nuclear realizado em 1954 para “abater uma criatura gigantesca“, podendo ser o lagarto e não o gorila.

Não há como negar a diversão proporcionada pela aventura selvagem, com monstros e ameaças, valendo o ingresso em exibições em 3D e em telas grandes para um proveito de todas as hipérboles do filme de Jordan Vogt-Roberts. No entanto, essa diversão contrasta com o roteiro óbvio, sem surpresas, e que leva o espectador à sensação de filme já visto antes. Além dos detalhes que servirão a um propósito em alguma cena futura, como o isqueiro usado como flash, há também aquele heroísmo exagerado, como a espada que é atirada nas mãos do herói que ainda encontrará uma máscara de gás para enfrentar as ameaças voadoras. E o longa faz questão de acentuar esses momentos com a tradicional câmera lenta, que amplia a sensação de cinema-pipoca, não caminhando além disso.

As cenas de aventura na Ilha da Caveira na excursão de Merian C. Cooper e Delos W. Lovelace e até Peter Jackson foram mais bem feitas. Os dinossauros fizeram falta no local, na opção pelo aumento de tamanho de algumas criaturas conhecidas como um octopus, um imenso búfalo e insetos – ficaram faltando as formigas mencionadas. Nota-se uma intensa vontade em homenagear os clássicos filmes de guerra ambientados no Vietnã, como Platoon, de Oliver Stone, e Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola, até mesmo em um dos pôsteres divulgados da produção, passando pelos diálogos. E Vogt-Roberts parece disposto a brincar em cena, criando gags divertidas como o homem das granadas, e a cabeça de Richard Nixon, tremendo em um dos helicópteros. É bem provável que tenha vindo dele as falas: “Nós não perdemos a guerra. Nós a abandonamos.” ou “Às vezes o inimigo não existe até que procuramos por ele“, nas palavras do soldado e sua arma.

Toda essa americanizada ao Kong como oposição ao Godzilla japonês já dá indícios da batalha vindoura e que poderá apontá-lo como o “bonzinho“. Há uma cena pós-crédito que enfatiza o interesse em trazer mais filmes de monstros, explorando a grandiosidade do tema e a qualidade técnica dos efeitos especiais em 3D.

Kong: A Ilha da Caveira pode não vir a ser uma produção inesquecível, passível de se destacar entre os filmes de monstros gigantes, mas cumpre o único papel a que se propõe: divertir. O passeio à Ilha não terá sido em vão, mesmo que seja uma viagem apenas de ida para conhecer o ambiente fantástico onde um das criaturas mais populares do cinema estabeleceu seu reinado.

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