Críticas

Os Parecidos (2015)

Estranhos presos em um único cenário em filme mexicano imperdível para os fãs do gênero

Os Parecidos
Original:Los Parecidos
Ano:2015•País:México
Direção:Isaac Ezban
Roteiro:Isaac Ezban
Produção:Isaac Ezban, Miriam Mercado, Elsa Reyes
Elenco:Luis Alberti, Carmen Beato, Fernando Becerril, Humberto Busto, Cassandra Ciangherotti, Pablo Guisa Koestinger, Gustavo Sánchez Parra

Uma noite de tempestade e um grupo de oito desconhecidos esperando por um ônibus que não chega em um terminal rodoviário isolado. Já passa da meia-noite e todos os ônibus estão atrasados. E para piorar, a ação acontece durante a década de 1960. Ou seja, sem telefone celular ou internet. Este é o começo da produção mexicana Os Parecidos, de 2015. Com direção eficiente de Isaac Ezben, trata-se de umas das melhores produções vindas do México dos últimos anos.

Dentre os personagens, destaque para Ulises (Gustavo Sánchez Parra, de Amores Brutos), que está desesperado para chegar na capital onde a sua esposa está no hospital prestes a ter bebês gêmeos. Sem conseguir sair da estação por conta da forte chuva, Ulises acompanha a chegada dos demais personagens que também precisam pegar o próximo ônibus com urgência. O rádio traz notícias que outros países estão sofrendo com a mesma chuva e fala-se da possibilidade de um furacão global. De repente uma funcionária da estação começa a sofrer o que parece ser um ataque epilético. Logo outros personagens sofrerão do mesmo mal.

Ir além desta explicação pode diminuir o impacto de acompanhar a obra, que deve ser assistida com o mínimo de informação possível. De resto, os personagens farão de tudo para deixarem o lugar ao mesmo tempo em que tentam compreender o estranho fenômeno que está acontecendo. As poucas notícias transmitidas pelo rádio trazem suposições de que a forte chuva não seria composta do H20 enquanto todos dentro da estação tentam entender que está acontecendo com acusações que vão deste testes biológicos do governo, alucinações, poderes paranormais e até a participação do demônio.

A direção de Ezben é bastante eficiente por não apresentar uma resposta imediata e deixar quem está assistindo tão confuso quanto os próprios personagens. Além disso, a impossibilidade de fuga acaba deixando o filme ainda mais tenso. E mesmo quando o mistério é revelado, mesmo assim o filme segue seguro até o seu inevitável final.

Outro ponto positivo é o fato do roteiro, escrito pelo próprio Ezben, se passar em um único cenário, neste caso a estação de ônibus. E com exceção de um banheiro feminino e a sala do bilheteiro, a maior parte da ação se passa no hall central da estação. Uma decisão arriscada que poderia deixar um filme com tantas interrogações cansativo, mas o que acontece é justamente o oposto. O roteiro tem forte influência de filmes de ficção científica B das décadas de 1950 e 1960.

E se o roteiro e a direção são eficientes, a construção dos personagens é igualmente positiva assim como a escolha do elenco. Além de Parra, destaque para Cassandra Ciangherotti, como a grávida Irene; Fernando Becerril, como o bilheteiro Martin e María Elena Olivares como uma curandeira que não fala espanhol. Destaque também para o trabalho de maquiagem, efeitos de maquiagem e a excelente direção de fotografia.

Para completar, o diretor traz aqui um interessante easteregg que explica os eventos ocorridos em O Incidente, seu filme anterior. Desta forma, Ezben acaba por situar as duas tramas no mesmo universo fílmico. Mas não é necessário ter assistido O Incidente para ter uma experiência positiva em Os Parecidos. Este por si só já se basta como obra fílmica imperdível para os fãs do gênero.

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6 Comentários

  1. Igua

    Gostei! Os sites especializados em filmes de terror que venho frequentando ulitmamente não estão me decepcionando com relação à dicas de bons filmes. Climão de “Além da Imaginação”!

  2. Sua critica me fez querer assistir, não conhecia o filme.

  3. Eduardo

    Assisti até o início, desisti.
    Porém, alguns detalhes iniciais me fizeram voltar atrás.
    Pra quem gosta de coisas sobrenaturais, paranormalidade e coisas do tipo, acredito que valha a pena assistir.
    No mínimo, interessante.

  4. Ed

    Mais Twilight Zone, impossível. Que filme louco!

  5. Wellington de M. Sousa

    Achei as atuações sofríveis nesse filme e em muitos momentos me senti assistindo a um ‘Chaves’ de terror.

  6. blake

    eu achei entediante e não vi até o final, pra ser sincera…

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