Críticas

Anoitecer Violento 2 (2016)

Manteve a ousadia do primeiro, mas buscou novamente um improvável final feliz numa terra onde a depressão é a fortaleza dos sobreviventes

Anoitecer Violento 2
Original:The Stakelander
Ano:2016•País:EUA
Direção:Dan Berk, Robert Olsen
Roteiro:Nick Damici
Produção:Larry Fessenden, Greg Newman, Peter Phok
Elenco:Connor Paolo, Nick Damici, Laura Abramsen, A.C. Peterson, Steven Williams, Bonnie Dennison, Kristina Hughes, Tim Lynchuk

Voltar à “terra da estaca” é uma proposta mais do que atraente. O primeiro filme, apesar de todo clichê envolvido, está entre as melhores produções vampirescas do século XXI, com criaturas bem caracterizadas e um mundo pós-apocalíptico com muitas possibilidades. Se existe um pesar na obra de Nick Damici e Jim Mickle, pode-se apontar o incoerente final feliz, quase uma afronta diante da ousadia apresentada durante quase toda a projeção, que contou até mesmo com a eliminação de uma personagem grávida, presa por arames e com a exposição de seus órgãos. No epílogo, Martin (Connor Paolo) conheceu a bela Peggy (Bonnie Dennison), e o caçador Mister (Nick Damici) resolveu se afastar da felicidade iminente, deixando seu amulento como herança. O jovem casal opta por seguir o percurso até o “Novo Éden“, no Canadá.

A continuação tem início quase dez anos depois, com uma abertura bem realizada na exposição de uma dupla narrativa: Martin está contando para a filha Belle (Jaime Bird) sobre como conheceu a mãe dela, alternando com uma sequência no futuro, ao pé de uma fogueira, com o rapaz conversando com Mister sobre a perda trágica que sofrera nas mãos de uma terrível vampira, conhecida como A Mãe (Kristina Hughes), que matou sua família e agora está a frente da agressiva Irmandade. O grupo religioso que causou os maiores desconfortos aos mocinhos do primeiro filme continua com seus atos cruéis, mas agora liderado por uma vampira inteligente, que ainda tem a capacidade de comandar o exército das criaturas irracionais, os Bersenkers.

Depois desse início surpreendente, acompanhamos a trajetória de Martin até o encontro com Mister. Ele é capturado por um grupo, e colocado numa arena para confrontar o “stakelander“, que só recorda do amigo quando revê seu amuleto. Ele concorda em ajudá-lo a enfrentar a poderosa inimiga até mesmo porque ele sabe que, na verdade, eles é que são as presas, e que A Mãe deixou Martin vivo para segui-lo até Mister. Nessa jornada, o que incomoda é a repetição de algumas ideias do primeiro filme como a nova captura de Mister, deixado preso a uma cruz para servir de alimento para os vampiros, numa das inúmeras referências bíblicas, como o posterior encontro com um personagem chamado Juda (Zane Clifford). A cena é até interessante mas, conhecendo a capacidade de sobrevivência do caçador, não seria mais fácil cortar logo sua garganta ou entregá-lo à vilã de uma vez?

Seriamente ferido, com a unha de um vampiro cravado em seu corpo, Mister é levado a um grupo hospitaleiro, com a ajuda de um velho amigo, Bat (A.C. Peterson), e do médico Earl (o veterano Steven Williams), que cuidarão da dupla, incluindo uma nova integrante da “família“, a selvagem Lady (Laura Abramsen). Ali, num prédio com aspecto de um hospital abandonado, todo o grupo terá que enfrentar as investidas da Mãe até o confronto final, com alguns sacrifícios sendo necessários para a sobrevivência dos demais.

Diferente do primeiro filme, Anoitecer Violento 2 foi lançado diretamente na TV, com exibição no canal Syfy, mais uma vez com produção de Larry Fessenden, que ainda fez uma ponta. Sua Glass Eye Pix se uniu a Dark Sky Films, de Greg Newman, e o canal de TV para o lançamento na proposta de 2016 de exibir 31 filmes de Halloween. Depois o longa foi lançado em blu-ray e DVD no dia 14 de fevereiro deste ano, e disponibilizado na Netflix pelo mundo. Mesmo sendo um produto Syfy está bem distante das porcarias constantemente realizadas e exibidas ali, mantendo os bons efeitos especiais e algumas boas doses de sangue, embora fique evidente a diferença de qualidade em relação ao primeiro.

O roteiro foi desenvolvido apenas por Nick Damici, enquanto a direção ficou a cargo de Dan Berk e Robert Olsen, ambos do thriller Body (2015). Fizeram um bom trabalho no comando, sem grande influência no resultado, auxiliados pela bela fotografia de Matt Mitchell. O mundo apresentado em The Stakelander é inóspito e desértico, com a narração deixando evidente que os sobreviventes não estariam mais interessados em reconstruir, apenas se manter. Não há mais ruínas, nem frases que criticam a religião ou evidenciam o pessimismo. Essa nova condição, somada a algumas ideias repetidas e a falta de surpresas, faz a continuação perder alguns pontos em relação ao filme original. E o final ainda deixa em aberto uma possível continuação, embora não haja mais situações a serem exploradas com a delimitação da mitologia iniciada no primeiro filme.

Anoitecer Violento 2 honra o conceito original, sem se aprofundar no que foi desenvolvido por Nick Damici e Jim Mickle. Manteve a ousadia do primeiro, mas buscou novamente um improvável final feliz numa terra onde a depressão é a fortaleza dos sobreviventes.

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