Críticas

Noites de Terror (2004)

Distante de sua fase sangrenta, mas passos a frente da tosca máquina assassina e do crocodilo de borracha!

Noites de Terror
Original:Toolbox Murders
Ano:2004•País:EUA
Direção:Tobe Hooper
Roteiro:Jace Anderson, Adam Gierasch
Produção:Tony DiDio, Gary LaPoten, Terence S. Potter, Jacqueline Quella
Elenco:Angela Bettis, Brent Roam, Marco Rodríguez, Rance Howard, Juliet Landau, Adam Gierasch, Greg Travis, Adam Weisman, Christina Venuti, Sara Downing

“O pior não é o que vem de fora e sim o que já está aqui.”

Em 1974, Tobe Hooper dirigiu o visceral O Massacre da Serra Elétrica, uma produção perturbadora realizada com poucos recursos. Depois, em 1981, incomodou os claustrofóbicos com o interessante Pague para Entrar, Reze para Sair. No ano seguinte, acabou com os sono tranquilo das crianças e fez uma crítica ao domínio da televisão ao comandar o fenomenal Poltergeist. E, em 1985, trouxe belos alienígenas e o fim do mundo para o divertido Força Sinistra. Sua carreira de sucesso durou praticamente dez anos, quando o diretor passou a assumir a direção de roteiros ruins como O Massacre da Serra Elétrica 2, Mangler e o terrível Crocodilo, um dos piores filmes de todos os tempos!

Para tentar resgatar a fama maldita das décadas de 70 e 80, Hooper precisava de um trabalho de impacto. Quando soube que sua obra-prima seria refilmada – o que poderia mostrar que qualquer outro diretor seria capaz de fazer algo similar ou ainda melhor -, o diretor aceitou desenvolver o remake de uma obscura produção de 1978, dirigida por Dennis Donnelly, chamada “The Toolbox Murders“.

Com o péssimo título nacional Noites de Terror – que vergonhosamente remete a outro filme do diretor, lançado em 1993 -, essa produção está bem distante da fase áurea de Tobe Hooper, mas está um passo a frente da máquina assassina e do crocodilo de borracha.

Na trama, Angela Bettis (do excelente May) interpreta Nell Barrows, uma jovem que, após a morte de seu pai, se muda com seu marido para um histórico hotel de Hollywood, “Lusman Arms“, que desde a década de 20 tem abrigado centenas de atores e que agora se encontra em uma grande reforma. Apresentando uma estrutura decadente, com eletricidade precária, o hotel, com seus funcionários sinistros (mas ainda longe de se comparar ao estranhos personagens de Pague para Entrar, Reze para Sair ou do Massacre da Serra Elétrica), atrai a curiosidade por possuir diversos símbolos misteriosos desenhados em algumas paredes. Pouco a pouco, os hóspedes passam a ser vítimas de um homem mascarado que mata utilizando ferramentas de construção (martelo, alicate, pregos) e que raramente deixa evidências, dando a impressão de abandono do cliente.

Casada com um jovem médico, Nell passa a maior parte do dia sozinha em casa, sendo incomodada pelos barulhos da reforma e das brigas e reconciliações de seus vizinhos. Como o personagem de James Stewart de Janela Indiscreta, ela fica fascinada pelo que ouve nos quartos próximos do seu, assustando-se diante de ameaças de violência e morte. A jovem começa também a se interessar pelos misteriosos símbolos e inicia uma perigosa investigação pelos andares abandonados e secretos, em busca de alguns apartamentos que simplesmente não constam no edifício. Com a ajuda de Johnny Turnbull (Eric Ladin, do amaldiçoado Cursed) e de um sinistro ator aposentado, ela vai percebendo que a verdade é ainda mais terrível do que imaginava.

O elenco conta com a participação da atriz Juliet Landau (filha de Martin Landau),como Julia Cunningham, uma promíscua jovem que mantém contanto com voyeurs – entre eles, um jovem que mora em frente ao apartamento dela – através de uma câmera digital conectada a internet. Obviamente que tal recurso terá uma grande importância nas sequências finais da produção.

Seguindo o melhor estilo de Hooper, no filme não falta a angústia causada pela personagem que, depois de ser brutalmente atacada pelo assassino, ainda sobrevive com suas fortes dores mesmo após horas do atentado. Em Massacre da Serra Elétrica, ocorre o mesmo com uma jovem que foi colocada violentamente em um gancho, enquanto aguardava seu lento fim.

Mesmo com a caracterização Darkman, o assassino consegue causar um certo incômodo no espectador, sem a veracidade das obras clássicas.

Noites de Terror pode ser recomendado como uma produção curiosa do recém-falecido diretor, mas não merece mais que duas caveiras pelo final decepcionante e inacabado – teve uma continuação ruim em 2013. Talvez sirva como orientação para quem está em busca de uma moradia com o preço acessível devido a uma história sangrenta por trás.

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1 Comentário

  1. Concordo que o final é decepcionante , mais discordo com essa nota .
    Apesar de nunca ter assistido o original eu gosto bastante desse remake .
    ” Toolbox Murders ” de 2004 faz parte da minha coleção , tenho o DVD original !

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